Empatados, Lula e Flávio ajustam tom para debate na Globo a 2 dias da Eleição
Tanto Flávio quanto Lula trabalham com suas equipes para evitar um debate no mesmo tom do realizado no último domingo
Por Broadcast
23/10/2026 | 10h53Eduardo Carmim - Agência O Dia - Estadão Conteúdo
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva se preparam para o último debate presidencial, com ambos tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto, o que aumenta a pressão por um desempenho convincente para conquistar eleitores indecisos.
As campanhas de ambos os candidatos reconhecem a necessidade de mudar a abordagem após a repercussão negativa do primeiro debate, com pesquisas indicando insatisfação do eleitorado em relação à falta de propostas claras.
Lula se dedica à preparação e à recuperação da voz, enquanto Flávio busca equilibrar uma postura moderada com a apresentação de propostas populares, ambos ajustando suas estratégias para maximizar a eficácia no debate da Globo.
Brasília - A apenas dois dias da eleição, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terão nesta sexta-feira, 23, o último debate da disputa pela Presidência da República. Os dois chegam à reta final tecnicamente empatados nas principais pesquisas de intenção de voto, com o senador numericamente à frente do presidente da República.
Segundo apurou a Broadcast, tanto Flávio quanto Lula trabalham com suas equipes para evitar um debate no mesmo tom do realizado no último domingo, 18, pela Band e pelo Estadão.
A avaliação das duas campanhas é que uma mudança de postura é necessária para evitar rejeição do eleitorado. A repercussão do primeiro confronto entre Flávio e Lula foi muito negativa. Comentaristas e analistas políticos criticaram a falta de discussão de propostas entre os dois candidatos. Grupos focais e pesquisas qualitativas feitas por institutos de pesquisa também indicaram insatisfação com a conduta dos candidatos.
Lula recupera voz e estuda estratégias
O presidente Lula decidiu dedicar dois dias à preparação para o debate. Descartou viajar pelo País nesta quinta-feira, 22, e permaneceu no Palácio da Alvorada para discutir estratégias. A pausa também é uma oportunidade para recuperar a voz - a rouquidão característica do presidente tem piorado nos últimos dias por causa da intensa agenda de campanha.
A equipe do presidente sabe que ele precisa de um desempenho melhor na Globo se quiser alcançar uma virada histórica. Apesar de muitos integrantes da campanha de Lula usarem as atitudes de Flávio para justificar a repercussão negativa do debate da Band, alguns admitem, reservadamente, que o presidente da República deixou de aproveitar algumas oportunidades no encontro.
Uma das principais orientações dadas pela campanha do petista para o debate da Band, que deve se repetir para o da Globo, é falar mais sobre a agenda de cortes de gastos defendida pela campanha de Flávio Bolsonaro. Também deve abordar mais o risco do armamento, como forma de ampliar a rejeição ao adversário por causa desses dois pontos. Por outro lado, os auxiliares de Lula querem que ele esteja mais preparado para rebater os ataques de Flávio no caso de Roberta Luchsinger e de outras investigações contra o petista.
A equipe de Lula destacou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, para negociar com a Globo algumas mudanças no formato de debate. Conseguiu uma vitória: os candidatos serão impedidos de circular pelo palco enquanto o adversário estiver falando. Foi um pedido especial feito por Sidônio. O ministro ficou muito incomodado com a estratégia de Flávio, durante o debate da Band, de gesticular atrás de Lula enquanto o presidente falava.
Sidônio, porém, não conseguiu que a emissora carioca fizesse uma checagem ao vivo durante a transmissão do próprio debate. A Globo decidiu que uma equipe do G1, da divisão do "Fato ou Fake", fará a checagem e publicará no site de notícias do Grupo Globo.
Flávio foca em propostas e em não fugir das perguntas
Flávio Bolsonaro também reservou dois dias para a preparação. Nesta quinta-feira, 22, em Brasília, esteve com integrantes de sua campanha e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Amanhã, 23, Flávio passará por outra rodada de treino, já no Rio de Janeiro.
Aliados do senador divergem sobre a atitude que deve ser adotada: alguns consideram que o ele deve manter o tom elevado, com carga máxima contra Lula. Já outros sugerem que Flávio foque em uma postura mais "moderada" e se concentre em expor medidas de temas populares para tentar captar o voto indeciso e mais ao centro.
A avaliação é que Flávio leva vantagem nas pautas de segurança e de economia, dada a insatisfação popular com a atuação do atual governo nessas duas frentes. O candidato do PL aposta no discurso de encarecimento dos alimentos e de insegurança nas ruas, principalmente para mulheres. Flávio deve também abordar a agenda social e reforçar que, se eleito, pretende manter o Bolsa Família.
Outra estratégia é seguir acusando o governo de Lula pelo viés de Lulinha, filho do presidente, e pelas fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - e não por escândalos antigos, como o Mensalão e o Petrolão. O senador deve seguir reproduzindo acusações feitas por Roberta Luchsinger sobre Lulinha.
O candidato do PL foi orientado também a ser mais assertivo nas respostas para evitar a impressão deixada no primeiro debate de que fugiu de assuntos como a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o uso de recursos do filme "Dark Horse", o alinhamento ao presidente argentino Javier Milei e a política de valorização do salário mínimo.
No debate da Band, por exemplo, Flávio foi questionado várias vezes sobre se adotaria uma política semelhante à de Milei - mas se esquivou em todas, apesar de manter uma relação de apoio ao argentino.
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