Fim da escala 6x1 é comemorado por Lula; CNI e Fiesp criticam medida
PEC aprovada pelo Senado reduz jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso; CNI prevê aumento de custos, preços e inflação
Por Broadcast
15/10/2026 | 08h00Ricardo Stuckert/PR
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6x1 foi celebrada pelo presidente Lula como uma vitória dos trabalhadores, mas gerou preocupações na indústria sobre possíveis aumentos de custos e inflação.
A nova legislação reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado, mas a Confederação Nacional da Indústria alerta que isso pode resultar em demissões e perdas econômicas significativas.
Entidades industriais criticaram a falta de debate sobre a proposta e estimam que a medida pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões, além de provocar um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor.
Brasília e São Paulo — A aprovação, pelo Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 provocou reações distintas entre o governo e representantes da indústria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou a medida e a classificou como uma “vitória dos trabalhadores e trabalhadoras”, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) alertaram para possíveis impactos econômicos, como aumento dos custos de produção, demissões e inflação.
A proposta foi aprovada em primeiro e segundo turnos no Senado, com apoio de 75 senadores. Pelo texto, a jornada máxima de trabalho será reduzida de 44 para 40 horas semanais, com limite de oito horas diárias. A PEC também assegura dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.
Em publicação nas redes sociais, Lula comemorou a aprovação. “É oficial”, escreveu o presidente no X. “Hoje é dia de comemorar uma conquista histórica de milhões de trabalhadores e trabalhadoras”.
Para Lula, a proposta representa mais do que uma mudança na jornada de trabalho e permitirá aos brasileiros ter mais tempo para descansar, conviver com a família e cuidar de si.
“Quem trabalha tanto para construir o Brasil também merece tempo para viver. É uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou. O fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras eleitorais do presidente.
Motta celebra aprovação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também comemorou a aprovação da PEC pelo Senado e afirmou que a proposta se torna agora uma “realidade”.
“É qualidade de vida, descanso justo e mais tempo com a família para milhões de trabalhadores brasileiros”, escreveu Motta no X.
O deputado relembrou a tramitação da proposta na Câmara, no início do ano, e afirmou que a aprovação no Senado coroa um processo de diálogo com trabalhadores, empresários e especialistas.
“De lá para cá, rodamos o Brasil escutando o trabalhador, o empresário e especialistas. Garantimos três coisas: redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção do salário”, declarou.
Indústria prevê aumento de custos e inflação
Na contramão das comemorações do governo, entidades do setor industrial criticaram a aprovação da PEC e apontaram possíveis consequências econômicas da redução da jornada sem diminuição dos salários.
Em nota assinada pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a entidade afirmou que sempre defendeu que a discussão ocorresse fora do calendário eleitoral, para evitar que a proposta se transformasse em uma “PEC Boca de Urna”.
“É importante relembrar que nenhum país no mundo engessou a escala de trabalho na sua Constituição. Decisões açodadas têm um preço alto. E, infelizmente, essa conta será paga por toda a sociedade”, afirmou a Fiesp.
A CNI classificou a aprovação como preocupante e disse que a medida poderá provocar perdas econômicas, demissões, repasse de custos aos consumidores e inflação em todo o País. A entidade também considerou a mudança um retrocesso e criticou a falta de discussão mais ampla com a sociedade.
“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Segundo estimativas da confederação, a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, poderá elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar uma queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.
A CNI também estima que os preços ao consumidor poderão subir, em média, 6,2%. As compras de supermercado ficariam 5,7% mais caras, enquanto os produtos industrializados teriam alta média de 6%. Para roupas e calçados, o aumento poderia chegar a 6,6%.
(Laís Adriana e Eduardo Laguna)
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