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Brigitte Bardot: Macron e ativistas animais lamentam morte da artista

Reprodução/Foundation Brigitte Bardot

Apesar de sua trajetória no cinema e no ativismo, Brigitte Bardot foi cercada de polêmicas envolvendo falas racistas e apoio à extrema-direita francesa - Reprodução/Foundation Brigitte Bardot
Apesar de sua trajetória no cinema e no ativismo, Brigitte Bardot foi cercada de polêmicas envolvendo falas racistas e apoio à extrema-direita francesa
Por Emanuele Almeida

28/12/2025 | 11h34 ● Atualizado | 15h00

São Paulo, 29/12/2025 - A atriz francesa Brigitte Bardot faleceu neste domingo, 28, aos 91 anos. Segundo o presidente da França, Emmanuel Macron, a morte da artista representa "a perda de uma lenda do século". O comentário foi publicado pela autoridade em seu perfil na rede social X (antigo Twitter).

Bardot estrelou mais de 40 filmes durante sua carreira e marcou profundamente uma geração ao ajudar a redefinir os padrões estéticos e a visão feminina no cinema da década de 50. Para Macron, o rosto da artista personificava "uma vida de liberdade" e uma "existência francesa".

Leia também: Brigitte Bardot: conheça os melhores filmes da atriz e onde assisti-los

A causa da morte, o local e o horário ainda não foram divulgados. Em novembro, a atriz esteve internada em um hospital em Toulon, no sul da França, onde passou por uma cirurgia.

Carreira

"Seus filmes, sua voz, sua fama deslumbrante, suas iniciais, suas tristezas, sua generosa paixão pelos animais", relembrou o presidente francês. A artista marcou a indústria audiovisual e se tornou um dos maiores ícones culturais do século 20, destacando-se por representar a liberdade sexual feminina, a moda revolucionária e por desafiar padrões conservadores.

Um dos principais marcos da carreira de Bardot foi E Deus Criou a Mulher (1956). A obra foi realizada junto ao seu marido na época, Roger Vadim, com quem foi casada por cinco anos. A sequência de trabalhos da artista deu-lhe ainda mais destaque: A Verdade (1960), indicado ao Oscar; Vida Privada (1962); O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard; e Viva Maria! (1965), uma comédia de faroeste. Nesses projetos, Bardot atuou ao lado de nomes como Alain Delon, Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni.

As aparições em trajes sensuais nos longas-metragens foram consideradas escandalosas para a época. Em E Deus Criou a Mulher, Bardot interpretou uma adolescente com desejos sexuais latentes que atraía a atenção por onde passava. A Igreja Católica chegou a condenar o filme, que também teve cópias censuradas.

No entanto, quando a obra chegou a outras regiões, como os Estados Unidos, o choque não resultou em rejeição, mas em sucesso absoluto. Bardot é lembrada até hoje pela cena em que dança descalça sobre uma mesa — um trecho imortalizado na história do cinema como um dos mais sensuais de todos os tempos.

O diretor e cineasta, Gabriel Martinez, reforça que importância de Brigitte Bardot para o cinema vai além da imagem de ícone sensual que ficou marcada no imaginário coletivo. "Ela ajudou a mudar a forma como o corpo feminino era mostrado e desejado na tela, trazendo personagens mais livres, indisciplinados e pouco dispostos a caber em papéis femininos rígido".

Para ele, a atriz representou um momento de virada cultural, em que o desejo passou a estar associado à autonomia e à recusa de normas morais muito bem definidas, algo que segue relevante até hoje.

"Brigitte Bardot foi uma mulher icônica, anos luz na frente da sua época e que representou a feminilidade e a independência feminina em todos os seus filmes", destaca a atriz Denise Weimberg. 

Ativismo

A decisão de se aposentar, motivada pela objetivação e pela perseguição da mídia, ocorreu aos 39 anos, em 1973. Depois disso, a artista dedicou-se à causa animal e criou a Fundação Brigitte Bardot, em 1986. No ativismo, lutou contra a caça de baleias e focas, experimentos laboratoriais com animais, o uso de casacos de pele, brigas de cães e touradas.

Bardot era vegetariana e chegou a doar mais de £ 90 mil (cerca de R$ 657 mil) para ajudar cães de rua em Bucareste. Além disso, a artista ameaçou mudar-se para a Rússia após um zoológico francês negar tratamento a elefantes doentes.

“Num tempo em que a causa animal ainda era tratada como excentricidade, Brigitte escolheu o caminho mais difícil: transformar fama em enfrentamento. Ela trocou o aplauso pela militância — e ajudou a colocar o sofrimento animal no centro do debate público”, Vânia Plaza Nunes, Diretora Técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.

O Vice Presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Ricardo Laurino diz que Bardot ouviu o grito que ressoa no peito de cada ativista da causa. "Ouviu a voz que nos diz que animais merecem o nosso amplo respeito, e ao fazê-lo, doou a sua própria voz àqueles que não podem falar e que um dia, não mais serão vistos como objetos na mão de seres humanos.”

Denise Weimberg destaca que Bardot tinha um grande coração e que defendeu os animais até fim da sua vida, pois percebeu que valia muito mais a pena conviver com os animais do que com os seres humanos. "E ela estava com toda razão". 

Nina Rosa, ativista e presidente do Instituto Nina Rosa (INR) afirma que  se identifica com Bardot em relação à convivência com os animais e com outros reinos da Natureza. "No meu caso, além do reino animal e vegetal, também o mineral. Entendo perfeitamente ela ter dedicado dedicado a vida a defender os direitos desses seres. Faço votos que ela esteja no céu dos animais, cercada pela natureza.”

A presidente do Instituo Ampara Animal, Juliana Camargo, ressaltou a força da luta de Brigitte Bardot: "Lutar por aqueles que não têm voz é muitas vezes um caminho que nos faz sentir impotentes diante de tantas adversidades. Potências como a 'BB' ampliam a nossa força e salvam milhares de vidas pelo exemplo de empatia.”

Polêmica até o fim

Apesar de sua trajetória no ativismo, Brigitte Bardot foi cercada de polêmicas envolvendo falas racistas e apoio à extrema-direita francesa. Seu livro Un Cri dans le Silence (Um Grito no Silêncio), publicado em 2003, aborda de forma controversa temas como o islamismo, a imigração e a influência da cultura árabe na Europa. Considerada homofóbica, a obra classificou como prejudicial a adoção de crianças por casais da comunidade LGBTQIA+.

A atriz foi condenada por um tribunal de Saint-Tropez em 2021 a pagar uma multa de 20 mil euros por insultos racistas. Bardot chamou habitantes de uma ilha francesa de nativos que "preservaram seus genes selvagens".

*Com colaboração de Alessandra Taraborelli.

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