CONFIRA

Dama da dramaturgia, Fernanda Montenegro comemora 8 décadas em cena

Atriz completa 97 anos nesta sexta-feira; documentário dirigido pelo neto Pedro Waddington revisita sua vida e trajetória

Alexandre Barreto

Por Alexandre Barreto

16/10/2026 | 10h56 ● Atualizado | 10h57

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Nascida em 1929, Fernanda Montenegro se tornou referência da atuação brasileira - Reprodução/Instagram
Nascida em 1929, Fernanda Montenegro se tornou referência da atuação brasileira
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Fernanda Montenegro, uma das atrizes mais icônicas do Brasil, celebra 97 anos com uma carreira que abrange teatro, cinema e televisão, agora destacada no documentário 'Fernanda', que estreou no Festival do Rio 2026.

Nascida Arlette Pinheiro Monteiro Torres, a atriz começou sua trajetória artística na adolescência e se tornou um ícone da dramaturgia brasileira, reconhecida internacionalmente por seu papel em 'Central do Brasil', que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

O documentário, dirigido por seu neto Pedro Waddington, captura momentos de sua vida profissional e reflexões sobre a atuação e o envelhecimento, ressaltando que sua carreira continua ativa e relevante à medida que se aproxima dos 100 anos.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Ao lado de Nathalia Timberg, uma das atrizes mais longevas do Brasil, a carioca Fernanda Montenegro chega aos 97 anos com uma trajetória que atravessa gerações dentro da dramaturgia brasileira.

Entre o teatro, o cinema e a televisão, a atriz construiu uma carreira marcada pela versatilidade e pelo compromisso com a interpretação. Agora, sua vida e seu pensamento ganham um novo registro no documentário "Fernanda", que estreou no Festival do Rio 2026 e integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Dirigido por Pedro Waddington, neto da atriz, o longa acompanha Fernanda nos bastidores de trabalhos recentes, como o filme "Vitória", e em sua relação com os palcos. A produção se aproxima da mulher por trás das personagens, registrando suas reflexões sobre o ofício de atuar, a passagem do tempo e a finitude.

Montenegro continua em atividade e mantém o contato com o público por meio dos seus trabalhos. “100 mil vezes obrigada. Celebro hoje meu aniversário de 97 anos agradecendo às plateias que me acompanham nas leituras dramáticas por todos esses anos”, escreveu a artista em uma publicação nas redes sociais para comemorar o aniversário.

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A mensagem resume uma relação construída ao longo de décadas: a de uma artista que encontra na interpretação uma forma de permanecer em diálogo com o mundo, temática abordada no documentário.

Uma vida dedicada à dramaturgia

Nascida Arlette Pinheiro Monteiro Torres, em 16 de outubro de 1929, no Rio de Janeiro, Fernanda Montenegro começou a trabalhar ainda adolescente, na Rádio Ministério da Educação e Saúde, atual Rádio MEC. Aos 15 anos, participou de um programa voltado à formação de jovens talentos e iniciou uma trajetória que passaria pelo rádio, pelo teatro e, posteriormente, pela televisão e pelo cinema.

O nome artístico surgiu no início da carreira. Fernanda permaneceu na emissora por cerca de dez anos, primeiro como locutora e depois como atriz, enquanto desenvolvia sua formação nas artes cênicas.

Fernanda Montenegro no início da carreira
Fernanda Montenegro no início da carreira - Reprodução/Instagram

Em 1950, estreou profissionalmente no teatro com a peça "Alegres Canções nas Montanhas". No ano seguinte, tornou-se a primeira atriz contratada pela recém-criada TV Tupi do Rio de Janeiro, participando de teleteatros em um período em que a televisão brasileira ainda construía sua linguagem e suas formas de produção.

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A estreia em novelas aconteceu em 1954, com "A Muralha", na TV Record. Nos anos seguintes, Fernanda transitou por diferentes emissoras e companhias teatrais, acompanhando as transformações do audiovisual brasileiro.

Na televisão, sua presença se tornou familiar ao público com personagens que alternavam humor, dramaticidade e complexidade psicológica. Em "Guerra dos Sexos", de 1983, protagonizou ao lado de Paulo Autran uma das duplas mais lembradas da teledramaturgia.

Em outras produções, demonstrou a capacidade de transitar entre figuras populares, personagens ambíguas e mulheres marcadas por conflitos íntimos.

Entre suas personagens de destaque na TV estão Bia Falcão, em Belíssima (2005), Olga Portela, em O Dono do Mundo (1991), Chica Newman, em Brilhante (1981), Zazá (Marisa Dumont), em Zazá (1997), Teresa, em Babilônia (2015), e Sílvia, em Baila Comigo (1981).

No teatro, manteve uma relação permanente com o texto e a interpretação, trabalhando com autores brasileiros e estrangeiros. Essa experiência, desenvolvida diante do público, também ajuda a compreender a importância das leituras dramáticas que continuam presentes em sua rotina artística.

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Reconhecimento internacional da atriz

A dimensão da carreira de Fernanda Montenegro ultrapassou as fronteiras do País com "Central do Brasil", filme de Walter Salles lançado em 1998. Por interpretar Dora, uma ex-professora que escreve cartas para pessoas analfabetas, a atriz recebeu o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim e foi indicada ao Oscar de melhor atriz em 1999, entrando para a história do cinema brasileiro.

Fernanda Montenegro está sentada e olhando para o lado
Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar pelo filme "Central do Brasil" - Divulgação/Netflix

Fernanda se tornou a primeira atriz brasileira a disputar a categoria, levando uma interpretação em português a uma das principais premiações internacionais da indústria cinematográfica.

Outro marco veio com a série "Doce de Mãe". Pela atuação como Picucha, uma idosa que enfrenta as mudanças da vida familiar com independência e humor, Fernanda venceu o Emmy Internacional de melhor atriz em 2013. Também foi a primeira brasileira a conquistar o prêmio nessa categoria.

Em 2022, a atriz tomou posse da cadeira 17 da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a primeira atriz a integrar a instituição.

Documentário retrata sua trajetória

Em "Fernanda", o olhar de Pedro Waddington acrescenta uma dimensão familiar ao registro da trajetória da avó. O projeto nasceu de gravações realizadas nos bastidores e se desenvolveu em um documentário que aproxima o espectador de momentos de trabalho e de conversas sobre a existência.

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A câmera acompanha a atriz em atividades profissionais e registra suas reflexões sobre a atuação, o envelhecimento e a morte. O resultado conecta o presente a uma retrospectiva de sua carreira no teatro, no cinema e na televisão, sem separar a artista de suas inquietações pessoais.

O documentário chega em um momento significativo: Fernanda se aproxima dos 100 anos sem que sua trajetória tenha se encerrado no passado. A produção registra uma carreira em movimento e uma atriz que continua encontrando no trabalho uma maneira de pensar a própria vida.

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