Exposição faz mergulho delicado e afetivo na intimidade de Marília Mendonça
'Sentimento Louco', que abre nesta sexta, 9, no MIS-SP, oferece uma visão íntima da artista, com itens pessoais e ambientes inspirados em suas músicas
Por Adriana Del Ré
09/10/2026 | 13h31Acervo da Sentimento Louco/WorkShow/Flaney Gonzallez
A exposição 'Marília Mendonça – Sentimento Louco', que abre no Museu da Imagem e do Som em São Paulo, homenageia a cantora e compositora, destacando sua influência no sertanejo e seu legado após sua morte trágica em 2021.
Com 15 bilhões de execuções em plataformas de áudio e 21 bilhões de visualizações no YouTube, a artista se tornou um ícone, e a mostra apresenta objetos pessoais, figurinos e ambientes interativos que refletem sua vida e carreira.
A exposição, que ocupa 1 mil m², busca criar uma experiência sensorial e emocional, permitindo que os fãs se conectem com a intimidade de Marília e sua relação com o público, mesmo após sua partida.
São Paulo – Uma das grandes estrelas da música sertaneja, Marília Mendonça cativou multidões com canções que traduziam, em letra e música, os sentimentos mais profundos de quem já sofreu por amor. Com sua voz grave e densa, a "Rainha da Sofrência" teve uma carreira curta – interrompida por sua morte, aos 26 anos, em um acidente aéreo em 2021 –, mas marcante o suficiente para ser lembrada como a jovem artista que fortaleceu o protagonismo feminino no gênero musical.
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É essa faceta da cantora e compositora goiana, dona de grandes sucessos como "Infiel", "Eu Sei de Cor", "Supera" e "De Quem É a Culpa?", que ficou no imaginário coletivo. Quem for à exposição "Marília Mendonça – Sentimento Louco", no Museu da Imagem e do Som (MIS-SP), que abre nesta sexta, 9, vai reencontrar essa Marília Mendonça, mas também vai conhecer mais a fundo a Marília Dias Mendonça, garota sonhadora nascida em Cristianópolis que escrevia à mão em cadernos de anotações e gostava de Gucci e Dolce & Gabbana.
E essa é a grande sacada da mostra: pegar o público pela mão e levá-lo para conhecer Marília em sua intimidade. Primeira grande mostra dedicada à trajetória da artista, "Marília Mendonça – Sentimento Louco" segue o padrão de exposições sensoriais e interativas que viraram marca registrada do MIS.
Estamos construindo aqui um verdadeiro templo em homenagem à maior cantora da história do Brasil, a nossa eterna rainha. Essa exposição faz parte de um projeto multiplataforma que nasceu a partir do documentário 'Marília Mendonça – Sentimento Louco'.
Nelson Foerster, diretor criativo da exposição e cofundador Axon Content
Produtor executivo da série documental que estreia na Amazon Prime no próximo dia 16, Foerster se dedica às pesquisas sobre vida e obra de Marília desde 2019, o que incluiu muitas viagens a Goiânia (GO), onde Marília morava.
A curadora Isa Pessoa fala da importância de erguer uma mostra que não se limita só a expor os objetos da artista, mas que também se preocupa com a forma como isso é feito.
É muito afetivo ter isso: os óculos, os sapatos, os violões, mas temos também aquela qualidade do MIS, que é fazer uma experiência física, emocional, sensorial por meio da instalação de alguns ambientes.
Isa Pessoa, curadora da exposição
Ocupando cerca de 1 mil m², a exposição é distribuída por dois andares do museu, onde o visitante encontra ambientes inspirados em músicas da cantora, objetos pessoais, figurinos e registros inéditos, além de espaços interativos e instalações audiovisuais.
Subindo a primeira escada, o fã tem contato com os big numbers conquistados por Marília. Somando todas as plataformas de áudio, suas canções atingiram 15 bilhões de execuções, enquanto seu canal no YouTube contabiliza 21 bilhões de visualizações.
A sala seguinte conduz à infância da artista, com a exibição de fotos inéditas e a vista aérea da casa onde ela morou, além de documentos pessoais. Na sequência, chega-se a um corredor com todos os seus violões – instrumento importante para sua composição. O primeiro violão, por exemplo, ela ganhou do avô, quando tinha 11 anos.
Quarto reproduzido nos detalhes
Em um ambiente que reproduz o quintal de sua casa, uma réplica de seu violão preto, da marca Queen's, que a acompanhou em momentos marcantes da carreira, fica ao pé de uma árvore cenográfica e pode ser manuseada.
Bem ao lado desse espaço, é possível observar todos os detalhes do quarto de Marília, reproduzido exatamente como ela deixou na casa onde morou em seus últimos anos de vida, incluindo seu espelho iluminado com 12 pequenas lâmpadas, óculos sobre a penteadeira e o tênis no chão, pertinho da cama de casal.
No ambiente seguinte, ficam expostos os itens que faziam parte do closet da cantora, como colares, brincos, bolsas de grife, figurinos com brilhos, franjas e estampas. Destaque para sua coleção de tiaras, acessório que ela adorava usar, principalmente os modelos com brilhos e aplicações de pérolas.
Mais "instagramável", uma outra sala reúne mais figurinos de Marília, além de instalações que remetem a suas músicas, com "Amante Não Tem Lar" e "Todo Mundo Vai Sofrer" em letras grandes, e um trono no qual é permitido se sentar para tirar fotos.
Numa grande sala em 360 graus, com mesas e cadeiras de bar e pequenos puffs, o visitante pode descansar enquanto passa por uma experiência audiovisual imersiva, com a projeção de cenas da série documental dedicada à artista.
No ambiente que reproduz um estúdio de produção musical e audiovisual, onde a cantora gravou seu primeiro DVD, em 2015, pode-se interagir novamente com instrumentos que ocupam o espaço. Pela exposição, são exibidos também os certificados e prêmios conquistados por ela.
Subindo mais um lance de escadas, o público encontra alguns jukeboxes, um convite para parar e ouvir suas composições. Já o ambiente dedicado ao universo das palavras traz a caligrafia bem feitinha de Marília pelas paredes, enquanto a parte expositiva revela os cadernos de anotações, as agendas de shows escritas à mão e os livros de cabeceira da artista, como a biografia de Frida Kahlo.
A parte final da exposição "Marília Mendonça – Sentimento Louco" trata da relação próxima entre a artista e seus fãs, uma conexão que nem mesmo sua morte foi capaz de romper. E a galeria com uma pequena amostra dos desenhos feitos por eles em homenagem a Marília, após o acidente fatal de 5 de novembro de 2021, reforça essa ideia.
Serviço
- “Marília Mendonça – Sentimento Louco”
- Temporada: 9 de outubro a 29 de novembro; terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; e domingos e feriados, das 10h às 18h
- Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
- Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa – São Paulo, SP
- Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
- Vendas: plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS
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