Força do samba 60+: Alcione, Zeca e Jorge Aragão fazem show memorável em SP
Divulgação/@bmaisca
São Paulo - Ver Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão entrando juntos no palco, de mãos dadas, para apresentar o show da turnê "O Maior Encontro do Samba", no Nubank Parque (antigo Allianz), em São Paulo, neste sábado (20), teve duplo impacto.
Primeiro, perceber que estava ali, diante dos olhos, uma parcela importante da história do samba. Um verdadeiro patrimônio histórico. Depois, observar a plenitude de artistas 60+ e 70+ — em plena ativa, ainda no auge e com a mesma relevância artística —, unindo talentos para lotar estádios pelo Brasil.
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Durante mais de duas horas de show, Alcione, de 78 anos, Zeca Pagodinho, de 67, e Jorge Aragão, de 77, permanecem sentados em poltronas. Assim, para além da presença conjunta do trio, o foco da apresentação está na força das vozes e do repertório. Não há distrações performáticas, nada disso.
As atenções do público ficam concentradas na música: em quem as canta e no que as toca. Aliás, os três são acompanhados por uma banda de grandes músicos, conduzida pelo diretor musical Pretinho da Serrinha, atualmente um dos principais produtores musicais do samba e da MPB.
Homenagens e participação especial
O repertório do show "costura" as canções marcantes da carreira de cada um deles, e esse panorama revela como Zeca, Alcione e Aragão foram responsáveis pelo lançamento de sambas atemporais. Todos eles trazem em suas obras grandes clássicos.
Só estamos cantando sambas velhos", avisou Jorge Aragão, antes de entoar "Malandro", composta há cinco décadas.
A dinâmica é a mesma para cada música: o "dono" ou a "dona" da canção puxa os primeiros versos e os amigos se unem depois. A apresentação começou com "Mutirão de Amor", em que o trio se atrapalhou um pouco no entrosamento das vozes, mas isso foi resolvido ao longo do show, que trouxe, ainda, sucessos como "Saudade Louca", "Verdade", "A Loba", "Já É", "Estranha Loucura", "Não Sou Mais Disso", "Identidade", entre outros, além de versões como de "As Rosas Não Falam", de Cartola.
É divertido ver a dinâmica entre os três no intervalo de cada canção. Um brinca com o outro. Zeca estava acompanhado de seu indefectível copo de cerveja e Aragão gracejou, oferecendo a ele café. É um deleite para o público.
A dado momento do show, Martinho da Vila, de 88 anos, outro grande nome do samba, se juntou aos três amigos, repetindo a participação especial que havia feito no show do Rio. Ali, a santíssima trindade do samba se tornou um quarteto — e deu vontade de ver aquela formação como a definitiva para o restante da turnê. Martinho relembrou seus próprios clássicos, como "Disritmia", "Ex-Amor" e "Mulheres".
Ao final, Arlindinho, filho de Arlindo Cruz (outro ícone do gênero), que fez o show de abertura da noite, voltou ao palco e ficou ao lado de Alcione, Aragão, Zeca e Martinho, para o encerramento da apresentação com "Vou Festejar", canção de Jorge Aragão (em parceria com Dida e Neoci Dias), que ficou eternizada na interpretação de Beth Carvalho.
Um final apoteótico para um show que faz uma justa reverência a artistas que ajudaram a construir a história do nosso samba — e que, ao lotarem estádios, recebem o merecido reconhecimento das plateias.
Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão voltam a se apresentar neste domingo (21), às 20h, no Nubank Parque, e, depois, seguem em turnê.
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