Wagner Moura e Kleber Mendonça falam de história ao vencer Globo de Ouro
Reprodução Instagram
Por Luana Pavani
12/01/2026 | 08h37 ● Atualizado | 08h38
São Paulo, 12/01/2026 - É sobre história. Uma noite que entrou para a história do cinema nacional. Os discursos de agradecimento do ator Wagner Moura e do diretor Kleber Mendonça na cerimônia de premiação do Golden Globe versaram sobre a História do Brasil. O ator, que levou a estatueta como Melhor Ator na categoria Drama, por O Agente Secreto, que se passa na época da ditadura militar no Brasil, referiu-se a traumas do passado.
O trauma passa entre gerações, mas também é possível passar valores", disse Moura, em inglês.
O anúncio de sua nomeação foi fortemente aplaudido, de pé, pelos indicados presentes.
Antes disso, O Agente Secreto havia levado já o prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, 27 anos depois de outro filme brasileiro, o Central do Brasil, na mesma categoria. “Esse é um momento importante para se fazer filmes”, disse Mendonça Filho ao receber o prêmio no palco. “Eu dedico esse prêmio aos jovens cineastas. Façam filmes”, afirmou.
Na sala de imprensa, depois, Mendonça ressaltou que era um momento de mostrar a história do Brasil, conclamando jovens a registrarem momentos e memórias em qualquer meio, "pode ser pelo celular", completou.
Concorriam também na mesma categoria o norueguês Valor Sentimental, o francês Foi Apenas um Acidente; Sirat, espanhol; A Quem Eu Pertenço, da Tunísia, e A Única Saída (No Other Choice), sul-coreano.
Antes do início da cerimônia, o diretor brasileiro falou, no tapete vermelho, sobre como entende a produção. “Nosso País tem um problema com memória. Muita gente fala que é um filme sobre memória, mas acho que é um filme sobre amnésia - o brasileiro, o francês, os alemães, os australianos, os americanos, todos estão entendendo muito bem o filme. Tem se tornado um filme muito universal por falar de poder, o poder querendo esmagar alguém, e também sobre como a memória é abandonada, é esquecida.”
Wagner Moura também destacou o que considera uma das qualidades do longa: “Muitos filmes políticos se perdem porque o discurso vem antes da humanidade. Quando é ao contrário, não tem jeito: as pessoas vão olhar aquela pessoa e reconhecê-la. Quando você vê uma obra, e ela te transforma, isso é política. Eu gosto de cinema político, e esse filme é”.
(Com Estadão Conteúdo)
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