Pix de R$ 0,01 não é sinal de conta invadida, mas pode anteceder golpe
Marcello Casal / Agência Brasil
São Paulo - Alertas sobre um suposto “golpe do Pix de R$ 0,01” passaram a circular nas redes sociais nos últimos meses. As mensagens sugerem que receber uma microtransferência seria um indicativo de que criminosos invadiram a conta bancária da vítima. No entanto, segundo o diretor de Segurança da Informação da Danresa, especializada em cibersegurança, Daniel Porta, o recebimento do valor não permite acesso à conta. Mas a estratégia pode ser usada para preparar uma abordagem e ganhar a confiança do usuário.
Leia também
A microtransferência pode servir para verificar se uma chave está ativa e também para deixar uma movimentação verdadeira no extrato da vítima. Esses dados podem ser cruzados com informações obtidas anteriormente, inclusive em vazamentos e redes sociais, para criar uma abordagem mais convincente.
Quando o criminoso entra em contato citando o banco correto e uma transação que realmente aparece no extrato, a história pode parecer legítima. O Pix, nesse caso, não funciona como uma porta de entrada para a conta, mas como parte de uma estratégia para fazer com que a própria vítima entregue informações ou autorize uma operação.
O cenário ocorre em meio ao crescimento das fraudes de identidade no País. Segundo o Mapa da Fraude 2026, da Serasa Experian, foram registradas quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em validações de identidade no Brasil no primeiro trimestre, um aumento de 36,6% em relação ao mesmo período de 2025. O setor financeiro concentrou seis em cada dez ocorrências.
O que fazer ao receber um Pix desconhecido?
A orientação do Banco Central, neste caso, é conferir a movimentação no aplicativo oficial do banco. Caso a origem não seja reconhecida, a devolução deve ser feita pelo próprio mecanismo de devolução do Pix da instituição financeira. O usuário não deve realizar uma nova transferência para outra chave indicada pelo remetente nem fornecer senhas, códigos de autenticação ou dados bancários.
E se o golpe já aconteceu?
Desde fevereiro de 2026, o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) permite ampliar o rastreamento dos recursos envolvidos em casos de fraude. A contestação pode ser iniciada pelo aplicativo da instituição financeira e o mecanismo pode identificar o caminho percorrido pelo dinheiro por outras contas.
O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação, mas a recomendação é agir o quanto antes, já que a recuperação depende da existência de recursos nas contas envolvidas. Registrar um boletim de ocorrência e consultar o Registrato, do Banco Central, também fazem parte das medidas recomendadas.
(Matheus Konzen, especial para o Viva)
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.