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Pix de R$ 0,01 não é sinal de conta invadida, mas pode anteceder golpe

Marcello Casal / Agência Brasil

Banco Central orienta vítima a checar o Pix no app e devolver, sem passar dados - Marcello Casal / Agência Brasil
Banco Central orienta vítima a checar o Pix no app e devolver, sem passar dados
Por Redação Viva

01/09/2026 | 15h21

São Paulo - Alertas sobre um suposto “golpe do Pix de R$ 0,01” passaram a circular nas redes sociais nos últimos meses. As mensagens sugerem que receber uma microtransferência seria um indicativo de que criminosos invadiram a conta bancária da vítima. No entanto, segundo o diretor de Segurança da Informação da Danresa, especializada em cibersegurança, Daniel Porta, o recebimento do valor não permite acesso à conta. Mas a estratégia pode ser usada para preparar uma abordagem e ganhar a confiança do usuário.

A microtransferência pode servir para verificar se uma chave está ativa e também para deixar uma movimentação verdadeira no extrato da vítima. Esses dados podem ser cruzados com informações obtidas anteriormente, inclusive em vazamentos e redes sociais, para criar uma abordagem mais convincente.

Quando o criminoso entra em contato citando o banco correto e uma transação que realmente aparece no extrato, a história pode parecer legítima. O Pix, nesse caso, não funciona como uma porta de entrada para a conta, mas como parte de uma estratégia para fazer com que a própria vítima entregue informações ou autorize uma operação.

O cenário ocorre em meio ao crescimento das fraudes de identidade no País. Segundo o Mapa da Fraude 2026, da Serasa Experian, foram registradas quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em validações de identidade no Brasil no primeiro trimestre, um aumento de 36,6% em relação ao mesmo período de 2025. O setor financeiro concentrou seis em cada dez ocorrências.

O que fazer ao receber um Pix desconhecido?

A orientação do Banco Central, neste caso, é conferir a movimentação no aplicativo oficial do banco. Caso a origem não seja reconhecida, a devolução deve ser feita pelo próprio mecanismo de devolução do Pix da instituição financeira. O usuário não deve realizar uma nova transferência para outra chave indicada pelo remetente nem fornecer senhas, códigos de autenticação ou dados bancários.

E se o golpe já aconteceu?

Desde fevereiro de 2026, o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) permite ampliar o rastreamento dos recursos envolvidos em casos de fraude. A contestação pode ser iniciada pelo aplicativo da instituição financeira e o mecanismo pode identificar o caminho percorrido pelo dinheiro por outras contas.

O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação, mas a recomendação é agir o quanto antes, já que a recuperação depende da existência de recursos nas contas envolvidas. Registrar um boletim de ocorrência e consultar o Registrato, do Banco Central, também fazem parte das medidas recomendadas.

(Matheus Konzen, especial para o Viva)

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