Brasileiro sente a inflação antes de ela aparecer nos números, diz estudo
Estudo cruzou 22 anos de dados de inflação com volume de buscas na internet por termos como "tá tudo caro", "preço do arroz" e "salário não dá"
Por Fabiana Holtz
01/09/2026 | 12h00Envato
São Paulo - A alta de preços é identificada pelo consumidor brasileiro antes mesmo da divulgação dos números oficiais do IPCA, mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School.
Para o levantamento foram cruzados 22 anos de dados oficiais de inflação (2004-2026) com o volume de buscas na internet por termos como "tá tudo caro", "preço do arroz" e "salário não dá".
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Para se chegar a esse resultado foi aplicado o teste estatístico conhecido como Engle-Granger para verificar se o IPCA e o "termômetro digital" do consumidor caminham juntos (cointegrados) ao longo do tempo.
Na análise conjunta das duas décadas, se compararado o patamar total de preços com o volume acumulado de buscas, as duas séries se descolam continuamente. Isso revela que a memória do consumidor não guarda a conta de quanto a inflação já subiu no total.
Entretanto, se avaliada a variação mês a mês, as linhas que acompanham o IPCA e a das buscas digitais mostram uma relação muito mais próxima. Isso indica que o brasileiro pode não fazer a conta acumulada, mas sente cada freada ou arrancada da inflação em tempo real.
Pânico inflacionário
Segundo o estudo, demora 2,3 meses para metade do exagero emocional do consumidor com relação a alta de preços se dissipar. Já para o alarme se estabilizar por completo e a população voltar a enxergar a inflação com racionalidade são 7,7 meses.
Segundo Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, a dor do consumidor com a inflação não é imaginação, mas tampouco é boa em matemática. Na visão de Felisoni, a estatística oficial e o desespero do bolso estão, definitivamente, 'presos pela mesma coleira'.
Em sua metodologia, a pesquisa coordenada pelo Ibevar em parceria com a FIA Business School utilizou dados do Google Trends (2004-2026) e do IPCA oficial (IBGE), aplicando o teste de cointegração de Engle-Granger em nível e em primeira diferença.
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