Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Sobre a coluna

De “filha da Lixeira” a referência em educação financeira. É economista, LinkedIn Top Voice e palestrante. Ajuda pessoas a reescreverem sua história com o dinheiro.


Minhas redes

Setembro Amarelo e estresse financeiro: quando o dinheiro adoece

Envato

Falar de estresse financeiro é também falar de saúde - Envato
Falar de estresse financeiro é também falar de saúde

Porto Alegre - Setembro nos convida a falar sobre saúde mental, valorização da vida e a importância de pedir ajuda. Mas existe uma conversa que ainda fazemos pouco, independente da idade: o quanto a nossa relação com o dinheiro pode afetar a nossa saúde emocional.

Dinheiro não é apenas dinheiro. Representa segurança, liberdade, medo, vergonha, realização, preocupação e, muitas vezes, silêncio. É por isso que falar de estresse financeiro é também falar de saúde."

Dívidas, sensação de impotência, renda insuficiente, perda de emprego, desorganização financeira, pressão para manter determinado padrão de vida e até a ansiedade relacionada aos investimentos podem se transformar em uma fonte permanente de sofrimento.

Quando a preocupação financeira vira estresse

Ter uma preocupação financeira pontual faz parte da vida. O problema começa quando ela deixa de ser pontual e passa a ocupar a maior parte do tempo.

E isso acontece quando uma pessoa acorda pensando em dinheiro, trabalha pensando em dinheiro, evita olhar a conta bancária, perde o sono por causa das dívidas ou sente que não consegue conversar sobre sua situação com ninguém.

Esse é o chamado estresse financeiro: uma situação em que as dificuldades ou preocupações relacionadas ao dinheiro provocam sofrimento e começam a afetar outras dimensões da vida.

O peso do silêncio e da vergonha

Falar de dinheiro no Brasil ainda é um tabu. E um tabu fortíssimo! Aprendemos desde cedo que não se pergunta quanto alguém ganha, quanto deve ou como está sua vida financeira. Então, quando surge um problema financeiro, ele é vivido em silêncio.

A pessoa não conta para a família que está endividada. Não pede ajuda aos amigos. Evita abrir a fatura do cartão. Continua tentando resolver sozinha aquilo que já ultrapassou sua capacidade de administrar.

Meu propósito é “Desmistificar a economia”. Meu trabalho é ensinar, fazer as pessoas refletirem sobre dinheiro sem fazê-las sentir vergonha. Logo, preciso dizer: dificuldade financeira não é sinônimo de fracasso pessoal.

Uma dívida, um erro financeiro não pode definir uma pessoa."

Educação financeira é fundamental, mas ela não pode ser transformada em julgamento.

Um agravante: as apostas

O crescimento das apostas online trouxe uma nova camada para essa conversa. O problema não está apenas no dinheiro que pode ser perdido. Precisamos olhar também para comportamento, expectativa, impulsividade, endividamento e sofrimento emocional.

Casos envolvendo, principalmente, jovens e consequências graves relacionadas às apostas despertaram uma discussão necessária em nossa sociedade. A tragédia recente de Rafael Borges Amaral, de 26 anos, que desenvolveu dependência em apostas e jogos online e tirou a própria vida, representa um exemplo da dimensão e gravidade da discussão.

O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Não existe uma única causa que explique uma situação tão grave. Também não se deve transformar histórias individuais em explicações simplistas. Contudo, esses acontecimentos podem nos ensinar que é preciso estar mais atentos aos sinais de sofrimento e criar ambientes em que pedir ajuda seja possível.

Antes de perguntar “quanto você perdeu?”, talvez seja necessário perguntar: “Como você está?”

O que fazer quando o dinheiro começa a pesar

Não existe uma solução única para o estresse financeiro. Mas existem pequenos movimentos que podem ajudar a recuperar algum senso de controle.

  • Pare de fugir dos números

Quando estamos com medo, é tentador não olhar. Mas se não conseguimos enxergar também não conseguimos organizar, tampouco mudar.

Então, comece pelo básico: quanto entra, quanto sai, quais são as despesas essenciais e quais compromissos estão pesando mais.

Não precisa resolver tudo em um dia. Primeiro, conheça a realidade. Depois, decida o próximo passo. Chamo isso de domínio financeiro.

  • Fale sobre dinheiro

Escolha alguém de confiança e converse. O silêncio pode aumentar a sensação de estar sozinho diante do problema. Falar não resolve automaticamente uma dívida, mas pode diminuir o peso de carregá-la sozinho e abrir espaço para encontrar caminhos.

  • Não transforme culpa em plano financeiro

Culpa paralisa. Responsabilidade movimenta. Em vez de passar horas pensando “como eu pude fazer isso?”, pergunte: “O que posso fazer a partir de agora?”

Não se muda o passado, mas podemos aprender com ele. Entretanto, é o presente que permite construir uma nova escolha."
  • Peça ajuda quando perceber que perdeu o controle

Nem todo problema financeiro se resolve apenas com organização. Em algumas situações, será necessário buscar orientação financeira. Em outras, apoio psicológico ou outro tipo de atendimento especializado.

Pedir ajuda não é fracasso. É uma decisão de autocuidado.

  • Observe as pessoas ao seu redor

Talvez alguém próximo esteja passando por uma dificuldade financeira e você nem saiba. Mudanças de comportamento, isolamento, ansiedade intensa ou sofrimento persistente merecem atenção.

Não precisamos ter todas as respostas para oferecer escuta. Às vezes, a pergunta “quer conversar?” já é um começo.

Dinheiro deve servir à vida

Falar sobre estresse financeiro neste Setembro Amarelo é também ampliar a compreensão sobre saúde. É preciso parar de olhar para dinheiro apenas como números em uma planilha.

Por trás de cada salário existe uma história. Por trás de cada dívida existe uma pessoa. Por trás de cada decisão financeira existem emoções, necessidades, sonhos e, muitas vezes, medos que ninguém vê.

Para este Setembro, deixo duas perguntas:

  • Como está a sua vida financeira?
  • E, como você está se sentindo por causa dela?

Não espere o problema crescer para conversar. Fale. Procure apoio. Dê nome ao que está acontecendo. Desmistificar a economia, para mim é sobretudo, reconhecer que, antes dos números, existem pessoas.

O dinheiro deve ser meio, não fim. Ele serve para nos servir, e não o contrário. Por isso, eu defendo: Economia é, sobretudo, pessoas."

Até o próximo artigo!

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias