Brasil de Ancelotti preocupa: empate com Marrocos expõe falhas e força mudanças
CBF
New Jersey - Carlo Ancelotti terá de mexer no Brasil. A conclusão parece clara depois de um péssimo empate da seleção com Marrocos na estreia das duas equipes. Jogadores de confiança do treinador estiveram muito abaixo do rendimento normal, como Casemiro e Bruno Guimarães, Raphinha e Igor Thiago, e podem perder lugar no time diante do Haiti. Será um jogo muito mais fácil, quase um treino de luxo para o treinador italiano "arrumar" a equipe.
O empate por 1 a 1 com Marrocos foi muito mais do que uma composição de estatísticas e números frios do Brasil, embora eles ajudem a explicar o futebol ruim. Mas o torcedor nem precisa se valer desses dados para chegar à conclusão óbvia: está uma bagunça.
Leia também
O problema foi o rendimento dos jogadores, mas também o esquema tático e o posicionamento. O que deixa o torcedor mais bravo é o discurso de passividade dos atletas. Faltou sangue nas veias para encarar uma Copa do Mundo.
Leia também
A defesa está mal com Gabriel Magalhães. As laterais foram entregues a zagueiros. Casemiro e Bruno Guimarães abusaram do direito de errar passes e se posicionar mal. Paquetá deve uma boa apresentação na vida e, portanto, na seleção. Ancelotti convocou o Raphinha do Barcelona, mas não foi esse que se apresentou na Granja Comary. Igor Thiago teve todas as chances de mundo dentro de uma preparação para uma Copa. E não convenceu.
Ancelotti pede um voto de confiança
Ancelotti, aos 67 anos e cinco Champions League nas costas, tem razão quando diz que não se ganha uma Copa do Mundo no primeiro jogo. Sabe quantos foram campeões do mundo ganhando as três primeiras partidas da fase de grupos? Três. O Brasil de 1970 e 2002. E a França de 1998. Apenas quatro seleções festejaram o título da Fifa ganhando todas as partidas do Mundial: Uruguai (1930), Itália (1938), Brasil (1970 e 2002).
Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo. Vamos melhorar, é só o início do caminho. Eu não estou satisfeito (com o resultado). Devemos trabalhar para melhorar, mas é normal. Marrocos jogou bem, teve muita organização no jogo."
Desde 2006, a seleção brasileira não ganha todas as partidas da fase de grupos. É fato. Ancelotti sabe disso, mas não pode se valer do passado para tentar se defender no presente do Brasil em Copas.
O brasileiro espera mais dele e dos seus 25 convocados (Neymar está machucado e o técnico não conta com ele). Um técnico com a sua história deveria ter chegado mais bem preparado para um Mundial, mesmo sendo o seu primeiro no comando. Em 1994, ele era auxiliar de Arrigo Sacchi na Itália.
A vez de Endrick e Ryan
Há muitas coisas para Ancelotti arrumar no Brasil. O torcedor terá, no entanto, de se acostumar com um time sem laterais. Portanto, sem profundidade. É um problemão para uma escola que sempre atuou pelas prontas. Sem laterais, a seleção precisa ter pontas abertos.
A lista tem, além de Vini Jr, Luiz Henrique e Ryan. Martinelli também joga aberto no Arsenal. Ancelotti tem os ovos, precisa fazer deles um omelete. No primeiro teste, o prestígio do treinador caiu, mas não é justo jogar na lata do lixo o trabalho de Ancelotti pelo jogo contra Marrocos. Embora ele saiba que precisa melhorar.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.