Envelhecer com elegância é dar as mãos para a idade, diz Claudia Matarazzo
Divulgação
São Paulo, 25/02/2027 - Moda e elegância são dois temas interligados, mas conforme vai envelhecendo, a pessoa dá menos atenção para o primeiro aspecto. "A maturidade pode tornar as pessoas mais elegantes, porque se tem mais liberdade com o autoconhecimento e o olhar mais apurado", defende a estilista Claudia Matarazzo. Segundo ela, a pessoa mais velha não precisa experimentar tanta novidade.
"A moda é sazonal. A elegância não, ela é perene e eterniza um estilo. É muito diferente. Claro, tem gente que já nasce com isso, com um olhar mais apurado. E tem outras que aprendem”.
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A jornalista, escritora e referência em etiqueta, comportamento e imagem pessoal explica que há diferença entre moda e elegência. A elegância é diferente para cada pessoa, é uma qualidade individual, ao contrário da moda, que deixa todos com a mesma cara, algo imposto da indústria à sociedade.
Eu acho que essa liberdade e essa maturidade trazem essa experiência em aparar arestas da própria personalidade e também de cultivar a elegância. Você tem muitos anos já cultivando uma característica que depois dos 50 anos é acrescida de uma série de liberdades e licenças poéticas.”
Leia a seguir os principais trechos da entrevista ao VIVA:
VIVA: O que muda no conceito de elegância aos 50+?
Claudia Matarazzo - De uma forma geral, a moda é feita para gente muito jovem. E, de repente, homens e mulheres mais velhos tomaram conta desse pedaço. Eles não estão pedindo licença para fazer as coisas, para se colocar, para consumir e para ditar tendências. Está acontecendo um movimento muito interessante. Essas pessoas, justamente por terem mais experiência, por conhecerem os seus limites, por saberem o que funciona e o que não funciona nas suas vidas, no seu estilo, podem, sim, abrir exceções em padrões de elegância.
Então, o que muda é que existe uma liberdade muito maior por parte do indivíduo de, a partir de um certo momento da vida, por conta da sua maturidade, do seu autoconhecimento, de seguir ou não determinadas regras."
Essa libertação estética e comportamental permite ousar mais?
Existe uma libertação estética e comportamental, mas é sempre dentro de um bom senso. Não é que vale qualquer coisa depois de um certo tempo, você tem segurança de que pode ousar um pouco mais, tem liberdade, confia mais no seu critério, no seu discernimento. Claro que existe essa liberdade, e ela faz diferença na forma como uma pessoa mais velha vai se comportar e vai fazer suas escolhas.
Como envelhecer com elegância?
O envelhecer com elegância é você não tentar remar contra a maré. Você não pode querer cristalizar um momento de juventude quando você já tem 60, 70, 80 anos.
Há pouco tempo, eu parei de tingir o cabelo, eu tinha 64 anos, por aí, e as pessoas questionaram muito: 'mas isso te envelhece, você está parecendo uma senhorinha de cabelo grisalho'. Eu falei: 'mas eu sou uma senhorinha'. Agora, estou com 67. Então, eu vou pintar o cabelo porque eu quero parecer ter 18 anos? É claro que cada um tem a liberdade de pintar ou deixar de pintar, mas essa coisa de que você não pode envelhecer incomoda muito.
Essa proibição de envelhecer acaba tornando as pessoas mais velhas caricatas. Você tem que fazer as pazes com a idade que você tem.Precisa ir acompanhando espiritualmente e afetivamente esse momento. Se não acompanha, fica uma coisa meio sem sincronia, com sinais dúbios, e acaba sendo deselegante.
Eu envelheço com elegância dando as mãos para a idade que eu tenho. Não é virando uma velhinha, é não querendo competir com uma coisa que é impossível, que é com o meu eu de 18 anos ou de 20 anos. Eu sou eu."
A sociedade ainda tem dificuldade em enxergar beleza e sofisticação na maturidade?
A sociedade tem, sim, muita dificuldade de enxergar beleza na maturidade, mas é um exercício. Agora já enxergam muito mais, e as pessoas mais velhas, finalmente, estão se libertando para mostrar suas facetas que antes não mostravam. Isso traz uma elegância da segurança. Porque a elegância é também isso, quando você está seguro de si, você fica mais bonito, mais interessante. Então, eu acho que, apesar de a sociedade ainda ter bastante preconceito, existe um etarismo rolando, já evoluímos bastante.
O que é mais deselegante na forma como a sociedade lida com o envelhecimento?
É essa não aceitação. Acho isso grotesco, a não aceitação do envelhecimento, cultivando coisas para rejuvenescer. É deselegante. É tão bonito uma pessoa que envelhece e que aparenta aquilo; uma pessoa que produz, que se envolve com os outros, não se isola; uma pessoa dentro do que ela é, dentro da idade que ela tem. Isso agrega muito mais do que você ficar tentando resgatar uma coisa, uma imagem de uma juventude que não existe, que é falsa, totalmente fake.
Hoje, como definir elegância em uma frase?
Elegância é uma qualidade que emana de forma silenciosa das pessoas que conquistam outras com todo tipo de exemplos virtuosos.
Quais hábitos ajudam a manter a elegância ao longo dos anos?
Tudo na vida é exercício, é hábito. Você não tem que fazer as coisas para os outros, tem que fazer para você mesmo. A gente tem que estar sempre procurando a nossa melhor versão, não para os outros, para nós mesmos. Se eu estou sozinha em casa, não tenho que estar produzida, mas eu também não tenho que estar relaxada, passar o dia de pijama. Mas se for, que seja com o melhor pijama. Essas coisas acabam nos mantendo elegantes. Tem que se manter atualizado com o que está acontecendo no mundo para você conseguir conversar com as pessoas. Tem que sempre ter uma atividade física para você se sentir bem, ter uma mobilidade legal e ficar independente. Há uma série de coisas para ir exercitando.
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