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ABBC: Restrição ao saque-aniversário devem derrubar crédito do FGTS em 96%

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Setor financeiro tem pressionado o governo a rever as medidas - Adobe Stock
Setor financeiro tem pressionado o governo a rever as medidas
Por Broadcast

27/02/2026 | 11h55

São Paulo, 27/02/2026 - As restrições no saque-aniversário do FGTS devem praticamente inviabilizar as operações de crédito vinculadas à modalidade, alertou o diretor de Crédito Consignado da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Alex Gonçalves.

O setor financeiro tem pressionado o governo a rever as medidas, que incluem carência de 90 dias para contratar a antecipação dos recursos, além de limites mínimos e máximos das parcelas anuais a serem antecipadas, em R$ 100 e R$ 500, respectivamente.

Leia também: Brasileiros reprovam restrições ao saque-aniversário do FGTS, diz AtlasIntel

No primeiro mês em que as normas entraram em vigor, em novembro, a concessões mensais nessa linha registraram um tombo de 80%, a cerca de R$ 600 milhões, de acordo com levantamento da ABBC que leva em consideração os dados de 11% instituições financeiras representativas de 70% do mercado.

A expectativa é de que esse volume caia para R$ 210 milhões em dezembro deste ano e R$ 120 milhões no final de 2027. A queda acumulada até o fim do período seria de 96%, conforme as projeções.

"Estamos falando de uma modalidade que emprestava R$ 36 bilhões por ano que, se olharmos até o final do horizonte estimado, cairá para zero com essas medidas implementadas", disse Gonçalves, durante entrevista coletiva. "Ela tende a deixar de existir".

Em novembro, o principal vilão foi o piso de R$ 100 por parcela, que respondeu por 78 pontos-porcentuais de toda a queda. O teto de R$ 500 e o limite de 5 anos para os empréstimos corresponderam a 1 ponto porcentual, cada.

Em dezembro de 2027, a restrição de uma operação por trabalhador terá o maior impacto, responsável por 62 pontos-porcentuais do tombo (de 96%), enquanto o limite mínimo de R$ 100 ficará com 21 pontos-base. "Isso acontece porque essa é uma modalidade usada principalmente pela população de baixa renda", ressaltou Gonçalves.

Conversas com o governo

Representantes do setor tiveram uma série de reuniões com os ministérios da Casa Civil, da Fazenda e do Trabalho. Segundo Gonçalves, o governo alegou que o objetivo era redirecionar o público para o consignado privado.

Entre os 134 milhões de trabalhadores com saldo de FGTS, no máximo 49 milhões são celetistas, de acordo com o executivo. "Há uma diferença de 85 milhões de trabalhadores que não estão empregados e, portanto, não teria condição de fazer o empréstimo consignado", comentou.

Gonçalves cita ainda um estudo feito com cinco instituições financeiras associadas. A pesquisa constatou que, de cada 100 pessoas com crédito FGTS que tentaram contratar o consignado, apenas 25 tiveram a proposta aprovada.

O executivo ressalta ainda que a taxa teto desta modalidade era de 1,79% e o consignado privado hoje ainda está com uma taxa de 3,79%.

Ao mesmo tempo, o crescimento do saque-aniversário não impediu a expansão do saldo total do FGTS, que passou de R$ 424 bilhões em 2020 para cerca de R$ 700 bilhões em 2025.

Por isso, os bancos consideram "urgente" que o governo faça uma revisão das medidas adotadas, para não inviabilizar uma linha usada, primariamente, para pagamento de dívidas mais caras e que atende a um público sem outras opções, argumenta Gonçalves.

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