Equilíbrio entre vida profissional e pessoal é exigência de 93%, diz WeWork
Yan Krukau / Pexels
São Paulo - O bem-estar mental se tornou um fator decisivo para retenção de profissionais no Brasil. É o que aponta o estudo “A Experiência de Trabalho 2026 no Brasil: Ganhar bem, viver melhor e crescer sem abrir mão”, realizado pela WeWork em parceria com a Offerwise, com 2,5 mil trabalhadores em todo o País. Segundo o levantamento, 93% dos entrevistados consideram o equilíbrio entre vida pessoal e profissional essencial para escolher ou permanecer em uma empresa.
Além disso, 64% afirmam que aceitariam trocar de emprego em busca de melhor qualidade de vida, mesmo com redução salarial.
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O estudo também mostra que sete em cada dez trabalhadores classificam seu nível de bem-estar apenas como mediano.
Entre os principais fatores que afetam a saúde mental no ambiente corporativo estão:
- sobrecarga de trabalho, citada por 31% dos participantes;
- clima organizacional negativo (19%);
- falta de reconhecimento profissional (17%);
- e jornadas excessivas, que ultrapassam o horário de expediente, apontadas por 14%.
Confiança com monitoramento
A pesquisa também aborda os modelos de trabalho remoto e híbrido. Embora 49% das lideranças afirmem confiar no desempenho das equipes fora do escritório, o levantamento indica que essa confiança costuma vir acompanhada de cobranças frequentes por relatórios e monitoramento constante, prática associada ao aumento do estresse e da ansiedade.
O debate ganha força com a entrada em vigor, nesta terça-feira (26), das novas diretrizes da Norma Regulamentadora 1 (NR1), que passam a exigir das empresas o gerenciamento de riscos psicossociais e de saúde mental no ambiente de trabalho.
Segundo a pesquisa, os dados refletem principalmente as dinâmicas de escritório, interação-cliente serviço e ambientes digitais ou híbridos.
Perfil mais jovem em coworking
Do total dos pesquisados pela empresa de coworking, millennials (37%) e Gen Z (32%) dominam a amostra. A Gen X mantém uma presença relevante (26%), enquanto os baby boomers aparecem de forma marginal (5%).
Ao mesmo tempo, 55% da amostra vem do setor terciário (comércio e serviços), seguido por áreas do quartenário (pesquisa científica, robótica, alta tecnologia e inovação), com 17% e indústria (13%).
Outra dado relevante, mostra que 38% têm o ensino médio completo e 37% possuem graduação, 11% têm cursos de especialização equivalente a pós-graduação, 4% completaram um mestrado, 2% têm mestrado completo e 4% pós-doutorado. Apenas 3% do total cursaram apenas o ensino fundamental.
O papel do bem-estar mental
Para o presidente regional Latam da WeWork, Claudio Hidalgo, o bem-estar mental deixou de ser um benefício adicional e passou a integrar os fatores centrais para atração e permanência de profissionais.
Ao mesmo tempo, as novas diretrizes da Norma Regulamentadora (NR1) exigem que as empresas realizem o gerenciamento de riscos para a saúde mental no ambiente de trabalho
Hidalgo afirma ainda que modelos flexíveis de trabalho precisam ser baseados em autonomia e não em mecanismos de controle excessivo. Segundo ele, empresas que priorizarem eficiência, clareza de objetivos e respeito ao tempo pessoal dos colaboradores terão mais condições de engajar e reter talentos. "O trabalhador de 2026 rejeita a sobrecarga da hiperconectividade", afirma.
O relatório conclui que, em um cenário de hiperconectividade, o principal desafio das organizações não é a distância física entre equipes, mas a desconexão emocional dos profissionais com o ambiente de trabalho.
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