Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Fim da escala 6x1 será tão ruim quanto a pandemia, diz presidente da Abrasce

Envatoi

Segundo o estudo, 60% do total de 124 mil lojistas de shoppings é de pequeno porte - Envatoi
Segundo o estudo, 60% do total de 124 mil lojistas de shoppings é de pequeno porte
Por Broadcast

09/04/2026 | 20h41

São Paulo, 09/04/2026 - O fim da escala 6x1, se aprovada, vai causar queda nas vendas e demissões em massa no setor de shoppings, de acordo com estudo feito pela consultoria Tendências a pedido de empresários.

"Vai ser desastroso para o setor, vai ser tão ruim quanto foi a pandemia, com perda de vendas, emprego e aumento da informalidade", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai.

Leia também: Fim da escala 6x1: Lula diz que envia projeto ao Congresso nesta semana

O estudo apontou que, se a jornada for reduzida de 44 para 40 horas semanais, é esperada uma queda de R$ 14,7 bilhões nas vendas (7% do total) e demissões de 130 mil pessoas (12% do total) no primeiro ano.

Já se for aprovada uma redução de 44 para 36 horas, os impactos seriam ainda maiores: perdas de R$ 32 bilhões em vendas (16%) e demissões de 290 mil pessoas (27%) no primeiro ano.

Com o estouro da pandemia, as vendas do setor despencaram R$ 64 bilhões entre 2019 e 2020, um recuo de 33%. Já nos anos seguintes, voltaram ao normal. Por sua vez, a mudança na escala teria efeitos estruturais e duradouros, com tendência até de se agravarem, apontou o estudo. "Vamos continuar com um cenário negativo por muitos anos", disse Humai.

Segundo o presidente da Abrasce, a premissa é que os lojistas não terão condições de contratar mais gente para manter o expediente igual ao de hoje, tendendo a mandar os funcionários embora e contratar outros que aceitem um salário bem menor. Ou então, vão migrar para a informalidade, sem carteira assinada. "A pessoa vai ter que aceitar um salário menor ou trabalhar na informalidade", estimou.

O estudo mostrou que 60% do total de 124 mil lojistas de shoppings é de pequeno porte, com até seis empregados. Para esses comerciantes, contratar mais duas ou três pessoas significaria um aumento na ordem de 30% do custo com folha salarial, algo que as suas margens de lucro não comportariam. "Isso desequilibraria totalmente o negócio", disse.

No caso dos quiosques, seria ainda pior. Há 16 mil quiosques dentro dos shoppings que funcionam com uma ou duas pessoas diariamente. "O negócio fica totalmente inviável se tiver que contratar mais alguém. Os quiosques vão fechar da noite para o dia", alertou Humai. "É uma pena, porque os quiosques servem como testes para muitas marcas e como primeiro emprego para muita gente."

Questionado, o presidente da Abrasce descartou a possibilidade de haver um aumento nas vendas dos shoppings considerando que as pessoas teriam mais tempo livre. 

"Isso é falacioso. No mundo da narrativa, é maravilhoso. Todo mundo quer trabalhar poucas horas e ter mais tempo livre para ficar com filhos, cuidar da casa, ir ao parque, ao shopping. Mas na prática, as pessoas vão ser demitidas, vão ter que lidar com um salário menor. E as pessoas de baixa renda vão buscar uma fonte adicional de renda, porque o salário que ganha hoje não é suficiente."

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias