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Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos

José Cruz/Agência Brasil

Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA, teve visto revogado - José Cruz/Agência Brasil
Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA, teve visto revogado
Por Broadcast

04/08/2026 | 19h47

Washington - O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em retaliação à recusa do Brasil, no mês passado, em conceder vistos a dois diplomatas americanos que pretendiam visitar o País antes das próximas eleições, bem como à demora do Brasil em aprovar o indicado pelo presidente Donald Trump para o cargo de embaixador em Brasília.

O Departamento de Estado afirmou que a decisão foi uma resposta recíproca às ações do Brasil, e autoridades disseram que a medida havia sido adiada várias vezes para dar ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) margem para recuar, o que ele não fez.

Autoridades afirmaram, no entanto, que a decisão poderia ser rapidamente revertida se o Brasil tomasse as medidas adequadas e aceitasse a escolha de Trump para o cargo de embaixador. "Reciprocidade é a regra do jogo", disse uma autoridade do Departamento de Estado.

Apesar da revogação de seu visto, a embaixadora do Brasil não está sendo expulsa dos Estados Unidos, disse a autoridade, que, assim como as outras, falou sob condição de anonimato para discutir o delicado assunto diplomático.

Ela poderá ser autorizada a retomar suas funções oficiais caso o governo brasileiro aceite a escolha de Trump do ex-presidente da Câmara dos Deputados da Flórida, Danny Perez, para o cargo de embaixador dos EUA no Brasil. O funcionário disse que tudo indica que o Brasil não fará isso até depois das eleições de outubro.

Interferência eleitoral

Além de protelar a decisão sobre Perez, o Brasil negou vistos no mês passado a Riley Barnes, secretário de Estado adjunto para a democracia, direitos humanos e trabalho, e a um de seus principais assessores, após surgirem relatos de que os dois iriam criticar Lula ou o processo eleitoral no País.

O Departamento de Estado negou as alegações e afirmou que os dois planejavam ir a Brasília entre 27 e 30 de julho para se reunir com autoridades governamentais, líderes religiosos e outras pessoas a fim de discutir a "integridade eleitoral", a liberdade religiosa e a liberdade de expressão.

O governo afirmou que a visita foi de rotina e que "qualquer insinuação de que se trataria de uma 'manobra' para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada".

Flávio e Eduardo Bolsonaro

Lula enfrentará nas eleições o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente se encontra em prisão domiciliar por tentar dar um golpe de Estado. A família Bolsonaro mantém muitos laços com o governo Trump, que tem inúmeras divergências com Lula, de esquerda, e suas políticas.

Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, visitaram autoridades americanas em Washington, incluindo Trump, no final de maio. Pouco depois, o governo Trump classificou as duas maiores facções criminosas do Brasil - Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) - como organizações terroristas estrangeiras, uma medida à qual Lula se opõe.

O governo Trump também impôs um aumento tarifário de até 37,5% sobre milhares de exportações brasileiras, que entrou em vigor em 24 de julho. O governo dos EUA alega que o Brasil pratica concorrência desleal e não coíbe práticas de trabalho forçado - ambas as acusações rejeitadas pelo governo Lula como uma tentativa de influenciar a eleição a favor de Flávio Bolsonaro.

Urnas eletrônicas

Jair Bolsonaro vem, há anos, alimentando preocupações sobre o sistema de votação eletrônica do país, sem apresentar qualquer evidência para suas alegações. Ele cumpre atualmente uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Há muito tempo, ele insiste que as urnas eletrônicas, utilizadas há um quarto de século, são propensas a fraudes.

Seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, repetiu recentemente algumas dessas afirmações, embora tenha evitado mencioná-las no último sábado, 1º, quando o Partido Liberal o confirmou como candidato à presidência em São Paulo.

(Fonte: Associated Press)

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