Incêndio na UFPE causa prejuízo estimado em R$ 100 milhões; PF investiga
Fogo atingiu prédio com laboratórios de pesquisa no Recife; reitor estima que dados de duas décadas podem ter sido perdidos
Por Estadão Conteúdo
09/10/2026 | 09h24Genival Fernandes Vieira/Uai Foto/Estadão Conteúdo
Um incêndio de grandes proporções atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco, causando danos significativos a laboratórios e estimando-se um prejuízo de R$ 100 milhões, embora não tenha havido vítimas.
O reitor da universidade destacou a perda irreparável de dados de 20 anos de pesquisa, com cerca de 80 dissertações e teses afetadas, e a necessidade de avaliar a infraestrutura para possíveis realocações de laboratórios.
As causas do incêndio estão sendo investigadas pela Polícia Federal, após relatos de problemas no sistema de ar-condicionado e ameaças recebidas por estudantes, enquanto a universidade expressou solidariedade à comunidade acadêmica e manteve eventos programados.
Recife — Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite de quarta-feira, 7, um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, na zona oeste do Recife. O fogo consumiu o andar superior do edifício, provocou grandes danos à estrutura e atingiu laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética. Não houve registro de vítimas.
O reitor da universidade, Alfredo Gomes, estimou em aproximadamente R$ 100 milhões o prejuízo com equipamentos, insumos e materiais. Segundo ele, o local abrigava diversos grupos de pesquisa, e parte dos dados científicos armazenados no prédio pode ter sido perdida.
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“Nós estimamos que funcionavam ali vários grupos de pesquisa, algo em torno de 80 dissertações e teses de doutorado. É uma perda irreparável, porque dados de 20 anos de pesquisa eram também guardados nos espaços”, afirmou Gomes em conversa com jornalistas nesta quinta-feira, 8.
O reitor disse que a infraestrutura do edifício ainda será avaliada, mas que o andar superior foi completamente destruído. Segundo ele, pode ser necessário construir ou disponibilizar outro prédio para abrigar os laboratórios e dar continuidade às pesquisas. A reitoria também pretende se reunir com as equipes responsáveis pelos projetos desenvolvidos no local para calcular os prejuízos com maior precisão.
Causas serão investigadas
O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco foi acionado por volta das 20h de quarta-feira para combater as chamas. Ao todo, oito viaturas participaram da operação. O trabalho de rescaldo e os procedimentos de segurança foram concluídos no início da manhã de quinta-feira.
As causas do incêndio serão determinadas por perícia técnica. O reitor afirmou que a universidade acionou a Polícia Federal (PF), por meio da Superintendência Regional em Pernambuco, seguindo o procedimento habitual. A corporação deverá apurar as circunstâncias do caso, inclusive se houve ação criminosa. Até a publicação do relato original, a PF não havia respondido ao contato do Estadão.
“Não temos nenhuma ideia específica da causa, então precisamos ouvir a perícia, os trabalhos da perícia, para chegarmos a uma conclusão”, disse Gomes.
Em publicação nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPE informou que recebeu relatos preliminares segundo os quais o incêndio poderia ter começado após um problema no sistema de ar-condicionado. A hipótese ainda não foi confirmada pelas autoridades.
Estudantes também relataram ter recebido mensagens com ameaças contra departamentos da universidade horas antes do incêndio. O DCE afirmou ter solicitado à reitoria esclarecimentos sobre o ocorrido, suas causas, os danos e as condições de segurança, além de uma apuração dos outros incêndios registrados recentemente na instituição.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, informou que determinou à Procuradoria-Geral Federal (PGF) a designação de uma comissão de procuradores para acompanhar as investigações e adotar, se necessário, as medidas legais cabíveis.
“Expresso minha total solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE, minha alma mater, e espero que o ocorrido seja objeto de uma investigação rigorosa”, escreveu Messias em publicação no X.
Universidade lamenta perdas
Em nota, a UFPE lamentou “profundamente o ocorrido, especialmente em relação às pesquisas afetadas” e manifestou solidariedade aos pesquisadores, docentes e estudantes que trabalhavam no local.
Segundo a universidade, os produtos armazenados no prédio contribuíram para que o fogo se alastrasse rapidamente, provocando grandes danos à estrutura.
O reitor acompanhou os trabalhos dos bombeiros no local. Apesar do incêndio, a Expo UFPE 2026, feira de profissões voltada a estudantes do ensino médio, foi mantida para esta quinta-feira, das 8h às 17h. Gomes afirmou que o edifício atingido fica relativamente isolado da área central onde o evento seria realizado e que o prédio permaneceria isolado, sob os cuidados da Superintendência de Infraestrutura da universidade.
Terceiro incêndio em uma semana
O incêndio de quarta-feira foi o terceiro registrado nas dependências da UFPE em cerca de uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo. A suspeita inicial era de que as chamas tivessem sido provocadas por uma câmara de alta temperatura utilizada para aquecer substâncias.
No domingo, 4 de outubro, outro incêndio foi registrado no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Não houve vítimas em nenhum dos dois episódios anteriores.
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