Indignação com despejo de idosa em Madri pressiona governo na Espanha
Crise de moradia na Espanha leva milhares às ruas e pressiona governo de Sanchéz, que decidiu antecipar eleições
Por Broadcast
05/10/2026 | 10h46Reprodução inquilinato.org
A indignação gerada pelo despejo de uma idosa de 87 anos levou a grandes protestos em várias cidades da Espanha, pressionando o governo a agir diante da crise de moradia no país.
A rejeição de um pacote de medidas emergenciais pelos legisladores destaca a fragilidade do governo de Pedro Sánchez, que não possui maioria no Parlamento e enfrenta a crescente popularidade da oposição conservadora.
Em resposta à crise, Sánchez convocou eleições antecipadas para 29 de novembro, enquanto manifestantes continuam acampados em Madrid e Barcelona, exigindo ações concretas para proteger os inquilinos.
Madrid - A indignação com o despejo de uma idosa de 87 anos colocou o governo progressista da Espanha sob pressão para enfrentar a crise crônica dos custos de moradia no país.
No sábado, 3, dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas de várias cidades da Espanha para exigir ajuda aos inquilinos, um dia depois de legisladores rejeitarem um pacote de medidas emergenciais para enfrentar a crise de acesso à moradia no país.
Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou eleições parlamentares antecipadas para o próximo mês, uma decisão que pode encerrar seus oito anos à frente do governo. O líder socialista disse nesta segunda-feira que vai dissolver o Congresso, com eleição para a Câmara dos Deputados marcada para 29 de novembro.
A rejeição ao projeto na sexta-feira evidencia a fragilidade da base de Sánchez. Ele iniciou um novo mandato em 2023 no comando da quarta maior economia da zona do euro, mas governa sem maioria no Parlamento. Pesquisas indicam que o partido conservador de oposição deve obter a maior votação e pode alcançar maioria parlamentar em aliança com o partido de extrema direita Vox.
Protestos por moradia na Espanha
O movimento começou depois que María del Carmen (Maricarmen) Abascal foi despejada, em 23 de setembro, da casa onde viveu por sete décadas no centro de Madri. Grandes multidões marcharam em Madrid pedindo greve geral e moradia acessível neste final de semana.
Em Valência, no leste do país, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar manifestantes que romperam o perímetro de segurança do lado de fora da Cidade das Artes e das Ciências - complexo futurista projetado pelo renomado arquiteto Santiago Calatrava -, onde ocorria uma conferência do setor imobiliário.
Cerca de mil manifestantes passaram a última semana acampados na Puerta del Sol, em Madrid. Os manifestantes dizem que não deixarão o local até que o governo tome medidas concretas para proteger os inquilinos. Um acampamento semelhante surgiu na Plaza Catalunya, em Barcelona.
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