Liquidante da Reag é ex-Banco Central e atuou na liquidação do Bamerindus
Estadão Conteúdo / Leandro Chemalle
15/01/2026 | 17h52 ● Atualizado | 18h18
Brasília, 15/01/2026 - Nomeado liquidante da CBSF DTVM (ex-Reag Trust) nesta quinta-feira, o ex-servidor do Banco Central Antonio Pereira de Souza, trabalhou na mesma função durante parte do processo de liquidação do Banco Bamerindus. Ele vai ser o responsável por dissolver a gestora ao longo dos próximos anos.
O processo do Bamerindus foi iniciado em 1997, mas ele só assumiu as funções em 2008, substituindo o então liquidante, Sérgio Rodrigues Prates. Foi Souza que permaneceu à frente do caso até o fim de 2014, quando a liquidação foi cessada, após o BTG Pactual ter adquirido o espólio do banco e das suas subsidiárias.
Agora, Souza vai seguir uma cartilha detalhada nos próximos dias para garantir a segurança de valores e informações da empresa. Ele vai ter acesso a balanços e documentos que podem contribuir com as investigações em curso.
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A antiga Reag Trust foi liquidada após investigações do BC, Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) apontarem o uso de fundos da empresa em fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão levou em conta a constatação de que a Reag agiu como facilitadora de ilícitos, além de ter descumprido normas e leis de compliance e auditoria interna.
Os liquidantes têm um dever de sigilo em relação a todas as informações do processo, mas há exceções claras em dois casos: devem comunicar o MPF caso encontrem indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN), ou informar ao Ministério Público Estadual (MPE) da jurisdição competente se houver indicativos de crime comum ou capitulado na Lei de Falências.
Segredos de cofres
Ainda nesta quinta-feira, data em que a liquidação foi decretada, Souza deverá tomar uma série de providências para garantir a integridade de valores e informações em posse da antiga Reag Trust. Elas incluem a troca de segredos de cofres e fechaduras de locais que contenham documentos ou valores, a mudança de senhas de acesso a sistemas e o confisco de computadores e mídias removíveis, como pendrives.
O liquidante também vai cassar o acesso de todos que podem movimentar contas das instituições e interromper operações dos sistemas de informações e processamento de dados que possam conceder acesso remoto a clientes (home banking, home broker) para garantir a segurança das informações. Ainda deve solicitar ao contador um balancete provisório até a data da liquidação.
Como mostrou a Broadcast, os liquidantes costumam ser informados apenas na véspera de uma diligência que terão de chegar a um determinado local às 6h da manhã do dia seguinte, para iniciar os trâmites da operação. Eles costumam chegar ao local acompanhados de seguranças e, por vezes, profissionais de Tecnologia da Informação. O protocolo é contratar um chaveiro para abrir a instituição.
(Por Cícero Cotrim)
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