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PF faz operação para desarticular tráfico de mulheres para exploração sexual

Paulo Pinto/Agência Brasil

Envolvidos no caso da operação da PF tiveram bens sequestrados no valor R$ 4,7 milhões - Paulo Pinto/Agência Brasil
Envolvidos no caso da operação da PF tiveram bens sequestrados no valor R$ 4,7 milhões
Por Estadão Conteúdo

10/03/2026 | 18h51

São Paulo - A Polícia Federal deflagrou hoje uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de aliciar e enviar mulheres brasileiras para exploração sexual na Europa. Uma mulher, suspeita de liderar o grupo transnacional, foi presa em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, durante a Operação New Girl. Foram apreendidos R$ 4,7 milhões em bens dos envolvidos.

A suspeita presa não teve a identidade revelada, o que impossibilitou o contato com sua defesa.

Além do mandado de prisão, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. Segundo a PF, as medidas buscam reunir provas, interromper a atuação da rede e desarticular sua estrutura financeira.

Bens sequestrados

Os envolvidos tiveram bens sequestrados, incluindo montantes em contas bancárias, criptomoedas, veículos, imóveis e outros ativos, somando cerca de R$ 4,7 milhões.

Segundo a PF, as apurações tiveram início após o relato de uma vítima que, ao viajar para o exterior por meio do esquema investigado, sofreu violência e passou a receber ameaças de integrantes do grupo.

Com as informações prestadas por ela, os agentes federais identificaram outras mulheres que tinham sido recrutadas e submetidas a práticas semelhantes de exploração.

Redes sociais para aliciamento

O grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para aliciar mulheres com promessas de ganhos elevados, passagens financiadas e hospedagem. Ao chegaram aos países de destino, as vítimas eram obrigadas a se prostituírem e repassar parte dos valores obtidos à quadrilha. Tinham, ainda, que cumprir as regras impostas pela organização e permaneciam sob constante vigilância e ameaças.

O material apreendido durante a ação será analisado para que a investigação sobre a atuação da rede seja ampliada. A Operação New Girl teve apoio da Divisão de Repressão ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes. Os mandados foram cumpridos por equipes da Base de Enfrentamento à Promoção da Migração Ilegal e Crimes Conexos de São Paulo.

Caminho inverso

Na última sexta-feira, 6, a PF desarticulou um esquema de tráfico de pessoas voltados à exploração sexual, que operava no sentido inverso: mulheres estrangeiras eram trazidas para se prostituir no Brasil.

A Operação Conexão Puerto Iguazu teve como base a denúncia de uma mulher de nacionalidade argentina que foi atraída para o Brasil com falsa promessa de emprego em um restaurante em São Miguel do Oeste (SC), mas acabou sendo forçada a se prostituir em uma casa noturna da cidade. Ela também sofreu agressões físicas.

Os agentes realizaram buscas em dois endereços na cidade, um deles ligado a uma aliciadora, que ainda é procurada. Nos locais estavam outras mulheres em situação de vulnerabilidade social sendo expostas. As vítimas eram trazidas de Puerto Iguazu, cidade argentina na fronteira com o Brasil.

Após os procedimentos legais, a Polícia Civil, que apoiou a operação, adotou as medidas para garantir o retorno seguro das vítimas à Argentina.

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