Presidente do PL nega ter R$ 119 milhões e acredita em Michelle Bolsonaro no Senado
Marcello Casal / Agência Brasil
São Paulo - O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou à CNN Brasil, neste sábado, 11, que não possui uma "cota" de emendas parlamentares, ao comentar uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens de Valdemar por suspeitas da Polícia Federal de desvio de 21 emendas parlamentares, mesmo sem que o presidente do PL exerça mandato eletivo.
Durante a entrevista, Valdemar sustentou que apenas fazia sugestões de aplicação das emendas parlamentares. "O grande problema é que o ministro Flávio Dino, nós tivemos um problema um tempo atrás, que eles queriam fazer uma cota para cada presidente. E os presidentes foram contra ter cota", relatou. "Eu não preciso ter cota, nem ficaria bem eu ter cota, porque nós sabemos que nós somos atendidos no que é possível pela bancada e pelo líder. O líder é quem indica, o líder é que faz o pedido para o governo.", afirmou o presidente do PL.
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Valdemar continuou: "Esse problema deve ter sido por causa disso. Porque eu entendo que o ministro Flávio Dino achava que eu tinha uma cota. E isso não existe, em nenhum partido, não existe isso. O que existe é esse pleito que a gente faz", explicou.
O presidente do PL reiterou na ocasião que se trata de uma "prática normal", sem irregularidades. "E os deputados, eles me atendem. Quer dizer, pedi. Uma sugestão", declarou. "E é uma prática normal, é política."
Costa Neto, afirmou que não tem R$ 119 milhões. "O bloqueio que fizeram, de R$ 119 milhões, eu não tenho esse dinheiro. Nem que eu acertasse duas vezes na loteria, eu teria esse dinheiro. R$ 119 milhões é o valor total das emendas que foram doadas", declarou à CNN.
Apoio
Valdemar disse também que recebeu um telefonema do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e que espera providências do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao comentar a decisão do ministro Dino.
"Ele (Hugo Motta) me ligou, ficou muito preocupado com o processo. Eu acho que o Alcolumbre também deve tomar alguma providência no Senado, porque isso é política. A política é feita dessa forma", disse Valdemar. "O que não pode é fazer emenda errada, para órgãos que não são sérios, para alguma associação, isso não pode."
Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, manifestou "inconformismo" com a decisão de Dino e disse ver "intervenção indevida" do Judiciário em atividade típica do Poder Legislativo.
Na entrevista, Valdemar negou irregularidades e disse que é "normal" sugerir aos parlamentares a destinação de emendas. O presidente do PL disse que não fez "pressão" para os membros da bancada do partido atenderem as suas sugestões.
Michelle Bolsonaro no Senado
Valdemar afirmou ainda que acredita na concretização da candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado Federal pela legenda no Distrito Federal. A manifestação ocorre após os desdobramentos dos conflitos com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República.
Segundo o dirigente partidário, Michelle falou para ele que não queria ser mais candidata. "Eu falei: isso é um prejuízo para o partido muito grande", declarou Valdemar. "A senhora se elege senadora, fica oito anos, a senhora vai aprender, vai ter uma base boa para a senhora seguir para frente na política, porque ela é nova", disse. Valdemar acrescentou: "Então, eu acho que ela sai candidata e vai chegar em primeiro lugar em Brasília, não tenho dúvida".
O presidente do PL também disse acreditar que Michelle subirá no palanque ao lado de Flávio Bolsonaro. "Eu acredito. Eu sempre digo o seguinte: nós não podemos brigar entre nós, porque se nós perdermos a eleição, o (Jair) Bolsonaro fica mais dez anos preso. Não podemos perder isso aí, não podemos perder o trabalho dela e de ninguém", declarou.
Valdemar lembrou ainda a discussão entre Michelle e Flávio sobre o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) no governo do Ceará. "O Ciro briga até com o irmão. Ele é desse jeito. Mas acontece que é o único cidadão que pode vencer o PT no Estado do Ceará. E o nosso presidente lá, o André Fernandes, perdeu a eleição por 10 mil votos em Fortaleza", relatou. "Eles têm muita força lá."
(Por Victor Ohana)
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