Como candidatos a governador viraram eleições no 2º turno? Entenda
Histórico mostra que reverter o resultado das urnas é possível, mas depende de fatores como mudanças de votos e alianças políticas
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O segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, decidirá os governadores de cinco estados e do Distrito Federal, além do próximo presidente do Brasil, gerando expectativa sobre possíveis reviravoltas nas disputas.
Historicamente, ocorreram pelo menos 30 viradas em eleições para governador entre 1990 e 2022, embora reverter resultados do primeiro turno não seja a norma, com fatores como alianças políticas e transferência de votos desempenhando papéis cruciais.
A abstenção de mais de 33 milhões de eleitores no primeiro turno pode impactar os resultados, e especialistas alertam que a mobilização desses eleitores não garante vantagem a nenhum candidato, tornando o cenário do segundo turno incerto.
São Paulo - O segundo turno marcado para domingo, 25 de outubro, definirá os governadores de cinco Estados e do Distrito Federal que ainda não tiveram o resultado da disputa decidido no primeiro turno, além do próximo presidente do Brasil.
Nos seis locais onde haverá disputa para governador, o eleitor deverá votar primeiro para o governo estadual e depois para presidente da República. Mas surge a dúvida: é possível um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno virar o resultado e vencer a eleição?
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Historicamente, viradas eleitorais para governador ocorreram pelo menos 30 vezes nas disputas estaduais que tiveram segundo turno entre 1990 e 2022.
O histórico mostra que reverter o resultado do primeiro turno é possível, mas não é o cenário mais frequente. Em algumas disputas, candidatos conseguiram superar diferenças expressivas de votos, enquanto outros venceram após campanhas marcadas por alianças políticas e pela transferência de votos de candidatos eliminados.
A abstenção de mais de 33 milhões de eleitores no primeiro turno também pode influenciar as disputas pelos governos estaduais.
Para o cientista político Magno Karl, porém, esses eleitores não formam um grupo com preferências políticas necessariamente semelhantes. “Nenhum candidato pode presumir que o aumento da presença será vantagem ou desvantagem”, afirma.
O especialista lembra que a mobilização pode ampliar o comparecimento no segundo turno, como ocorreu nas eleições presidenciais de 2022, quando houve menos ausentes do que na primeira etapa. Ainda assim, o impacto depende de quem retorna às urnas e de suas escolhas.
Viradas que aconteceram nas eleições para governador
Alguns casos ajudam a entender como candidatos que começaram o segundo turno em desvantagem conseguiram conquistar o governo estadual.
São Paulo, em 1990
Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) superou Paulo Maluf (PDS). Maluf havia terminado o primeiro turno com 43,5% dos votos, contra 28,17% de Fleury.
No segundo turno, o candidato do PMDB venceu por 51,77% a 48,23%, beneficiado por articulações políticas e pelo apoio de eleitores contrários a Maluf.
Minas Gerais, em 1994
Eduardo Azeredo (PSDB) virou a disputa contra Hélio Costa (PP). No primeiro turno, Costa havia obtido 48,3% dos votos, enquanto Azeredo tinha 27,2%.
Com o apoio do então governador Hélio Garcia (PTB) e de outras lideranças, o tucano venceu a segunda rodada com 58,65%, contra 41,35% do adversário.
Piauí, em 1998
O então governador Mão Santa (PMDB) conseguiu a reeleição após terminar o primeiro turno atrás do adversário Hugo Napoleão (PFL). A diferença inicial era de 3,16 pontos percentuais, mas o governador virou o resultado e venceu por uma margem de 1,92 ponto.
São Paulo, em 1998
Mário Covas (PSDB) superou Paulo Maluf (PPB). O tucano chegou ao segundo turno 9,3 pontos percentuais atrás do adversário. Mesmo com índices baixos de aprovação e pesquisas inicialmente desfavoráveis, Covas mudou a estratégia de campanha e venceu com 55,37% dos votos, contra 44,63% de Maluf.
Quantas viradas ocorreram nas eleições recentes?
As eleições estaduais de 2018 e 2022 também registraram mudanças no resultado entre os dois turnos. Por exemplo, 14 Estados tiveram segundo turno para governador em 2018. Em duas disputas, Rondônia e Santa Catarina, o candidato que havia terminado a primeira rodada atrás conseguiu vencer a eleição.
Em 2022, foram quatro viradas estaduais: Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Sergipe.
O que explica uma virada no segundo turno?
A mudança de resultado pode ocorrer por diferentes motivos. Um dos principais é a capacidade de atrair os votos dos candidatos eliminados na primeira rodada.
Além disso, alianças partidárias também podem alterar o equilíbrio da disputa. Quando lideranças políticas e partidos passam a apoiar o candidato que estava atrás, a campanha pode ganhar estrutura, ampliar seu alcance e conquistar novos eleitores.
Outro fator é a rejeição, já que um candidato que termina o primeiro turno na liderança pode enfrentar dificuldades para ampliar sua votação se parte do eleitorado se mobilizar em torno do adversário.
"Quem escolheu um candidato eliminado pode ter votado por afinidade ideológica ou rejeição aos dois finalistas. São motivações que podem produzir destinos diferentes no segundo turno, inclusive voto branco, nulo ou abstenção. Por isso, somar a votação de um candidato à de quem recebeu seu apoio produz uma conta enganosa", afirma o cientista político.
Onde haverá segundo turno para governador em 2026?
- Acre: Mailza Assis (Progressistas) e Alan Rick (Republicanos)
- Amazonas: Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL)
- Distrito Federal: Celina Leão (Progressistas) e Leandro Grass (PT)
- Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB)
- Rio Grande do Norte: Allyson (União Brasil) e Cadu de Lula (PT)
- Tocantins: Professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB)
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