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Cidadania e Direitos / Política

MPE manda governo Tarcísio explicar ação contra motorista de Haddad

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Abordagem pode configurar abuso de poder político e de autoridade, segundo MPE - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Abordagem pode configurar abuso de poder político e de autoridade, segundo MPE
Por Broadcast

14/08/2026 | 18h20

São Paulo - O Ministério Público Eleitoral (MPE) deu prazo de cinco dias para que a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) preste esclarecimentos sobre a atuação de policiais militares nas proximidades da residência do candidato de oposição ao governo paulista Fernando Haddad (PT), na noite da última terça-feira, 11. O órgão apura a suspeita de uso do aparato policial para intimidar o petista e seu motorista, Alessandro Caseri.

A apuração foi aberta a partir de uma representação da coligação Desperta São Paulo, de Haddad. Segundo o relato, uma viatura da Polícia Militar (PM) teria utilizado lanternas para identificar os ocupantes do veículo em que estava o candidato e, após o desembarque do petista, acompanhado seu motorista pela Avenida 23 de Maio.

O episódio teria terminado em uma abordagem nas proximidades do Hotel Pullman São Paulo Ibirapuera, local onde Alessandro teria estacionado e pedido informações aos policiais. Segundo o motorista, os oficias da PM teriam dito para o motorista "vazar" após o contato.

Abuso de autoridade

Em despacho assinado pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt, o MPE afirma que os fatos podem, em tese, configurar abuso de poder político e de autoridade, além de conduta vedada pelo uso de bens e servidores públicos em desacordo com as finalidades da administração. A medida tem caráter preliminar e busca reunir elementos para esclarecer o episódio.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, deverá informar se houve ordem, autorização ou anuência da pasta para a realização de patrulhamento ostensivo no bairro Planalto Paulista naquela noite e explicar os motivos da operação, caso ela tenha ocorrido.

O MPE também requisitou à comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Anselmo Cavalli, o plano estratégico e operacional do batalhão responsável pela região, a delimitação dos setores de patrulhamento, os itinerários previstos e as ordens de serviço emitidas entre os dias 1º e 11 de agosto. A corporação ainda deverá identificar a viatura e os policiais envolvidos na ocorrência relatada.

O Hotel Pullman foi intimado a entregar, no mesmo prazo, imagens das câmeras de segurança das áreas públicas registradas depois das 21h40 do dia 11. O procurador determinou ainda o envio de uma cópia do caso ao Ministério Público de São Paulo para a análise de eventuais crimes de constrangimento ilegal e ameaça. A tramitação da notícia de fato foi prorrogada por 90 dias.

Críticas à segurança pública

A coligação de Haddad afirma ainda que o episódio pode ter relação com críticas feitas pelo candidato à política de segurança pública do atual governo paulista durante o debate promovido pela Band dois dias antes. A eventual retaliação institucional, porém, ainda não foi comprovada.

A PM instaurou uma investigação preliminar sobre o caso. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, foram examinadas imagens de cerca de 40 câmeras privadas instaladas ao longo do trajeto informado pelo motorista, além de dados de geolocalização das viaturas. Até o momento, segundo a pasta, não foram encontrados indícios de abordagem irregular ou de interação dos policiais com Haddad e integrantes de sua equipe.

Esclarecimentos

Imagens obtidas nas proximidades da residência do petista mostram uma viatura passando pelo local no momento em que ele desembarca do carro, por volta das 21h45. A gravação, isoladamente, não permite confirmar se o motorista foi posteriormente perseguido ou abordado.

Tarcísio afirmou em coletiva de imprensa na noite de quinta-feira, 13, que o motorista de Haddad será chamado para prestar depoimento formal e que a investigação deverá confrontar seu relato com as imagens e os demais elementos reunidos.

Haddad, por sua vez, disse que o funcionário se sentiu constrangido após ser acompanhado por cerca de cinco quilômetros e defendeu a análise de gravações do hotel e do sistema Smart Sampa. Segundo o petista, o objetivo é esclarecer o episódio e, caso seja constatada conduta inadequada, obter um pedido de desculpas ao motorista.

(Por Geovani Bucci)

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