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Crise de memória encarece celulares: veja como fazer seu aparelho durar mais

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Encarecimento deve permanecer até pelo menos 2027, na previsão de especialistas - Adobe Stock
Encarecimento deve permanecer até pelo menos 2027, na previsão de especialistas
Por Emanuele Almeida

04/03/2026 | 13h12

São Paulo, 04/03/2026 - Um relatório recente da consultoria International Data Corporation Smartphone (IDC) aponta um cenário pessimista para quem planeja trocar de celular em 2026. Impulsionada por uma crise global de componentes, a previsão é que o mercado mundial de smartphones encolha 12,9% neste ano. 

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Para o consumidor final, a conta já chegou em formato de preços mais altos ou aparelhos com configurações inferiores: segundo a consultoria, para não repassar todo o custo, fabricantes já estão reduzindo a memória de seus novos lançamentos, oferecendo, por exemplo, 8 GB de RAM em modelos que no ano anterior traziam 12 GB pelo mesmo preço. 

Diante dessa retração, que deve ditar as regras do mercado até pelo menos 2027, a melhor estratégia financeira para os próximos anos pode ser uma só: focar em fazer o smartphone atual durar mais.

IA: a origem da crise

Por que, de repente, passou a faltar memória para a produção de eletrônicos do dia a dia? O professor de Tecnologia da Informação da FGV e diretor executivo da IT Insights, Álvaro Martins, explica que essa é uma crise estrutural impulsionada pelo "boom" da inteligência artificial.

Diferente dos gargalos logísticos vistos na pandemia, o problema agora é a prioridade das fábricas. "A indústria que faz o chip de memória RAM para celulares prefere ajustar a linha de produção para produzir High Bandwidth Memory (HBM), que é usado pelos servidores para as big techs", detalha o professor. 

Como a margem de lucro dessas memórias gigantescas para data centers de IA é superior à da memória RAM tradicional (LPDDR) usada em celulares, as fabricantes — como Samsung, Micron e SK Hynix — direcionam seu foco aos servidores, gerando escassez na base do mercado de consumo.

O que é memória RAM?

A Memória de Acesso Aleatório (RAM) atua como um espaço temporário para o sistema operacional e aplicativos em execução. Assim que uma tarefa é finalizada ou um arquivo precisa ser salvo permanentemente, os dados são transferidos da RAM para o SSD para armazenamento de longo prazo.

O professor da FGV explica que, sem ela, o aparelho simplesmente não funciona. Ele também detalha que o chip específico usado em smartphones é chamado de LPDDR (Low Power DDR), que é uma variação tecnológica da RAM feita para consumir menos energia. 

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Aparelhos básicos sofrerão mais

O impacto dessa escassez será sentido de forma desigual. A IDC alerta que os smartphones básicos (abaixo de US$ 150, cerca de R$ 780) e PCs de entrada operam com margens de lucro muito estreitas, tornando quase impossível para as marcas absorverem os custos das memórias, que estão subindo drasticamente. Como resultado, o mercado enfrentará uma "reinicialização estrutural", com muitas marcas cortando especificações e forçando o fim da era em que os consumidores recebiam aparelhos cada vez melhores por preços mais baixos.

Por outro lado, marcas premium como Apple e Samsung, que vendem aparelhos na faixa dos R$ 15.000, devem sentir menos o impacto nas vendas. O professor aponta que o consumidor de linhas mais sofisticadas não é tão sensível a preço, o que confere a essas marcas uma resiliência maior.

3 dicas para estender a vida útil do seu celular

Com previsões de que os preços e a oferta só voltem a um cenário de acomodação em 2028, trocar de aparelho anualmente deixou de ser um bom negócio. Para atravessar esse período de alta, o professor da FGV listou recomendações fundamentais para os consumidores:

  1. Cuide melhor do seu equipamento: o conselho número um é zelo. As inovações entre uma geração e outra de aparelhos têm sido muito tímidas e, muitas vezes, focadas apenas em "roupagens" novas geradas pelo marketing das empresas. "Cuide bem do seu equipamento, porque ele pode durar mais do que os 2 anos que você está acostumado", recomenda.
  2. Deixe o preconceito de lado: historicamente, fabricantes chinesas dominaram a estratégia de entregar bons produtos a preços menores, e elas tendem a se adaptar rapidamente à crise. "Não tenha preconceito. Vale a pena ficar um pouco mais atento para essas marcas não tão de grife, que talvez entreguem a mesma coisa", afirma o especialista, ressaltando que companhias como Xiaomi e Huawei possuem muita qualidade hoje e podem trazer soluções robustas num momento em que marcas tradicionais encarecem muito.
  3. Compre com critério e avalie seu uso: antes de ser seduzido por modelos caríssimos, o consumidor deve fazer uma autoanálise. "Porque eu quero um telefone com potência premium? Eu sou fotógrafo? O que eu estou usando de aplicativo?", questiona Alvaro. Adequar a compra à real necessidade de processamento evita gastos exorbitantes desnecessários. 

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