Conheça 5 passos para conferir um vídeo e não compartilhar fake news
Ante a onda de informações falsas durante o período eleitoral, especialista em IA orienta como verificar a origem e o contexto do vídeo na internet
Adobe Stock
O aumento da produção de vídeos falsos, impulsionado por tecnologias de Inteligência Artificial, levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a implementar a resolução nº 23.760, que estabelece regras para a identificação desses conteúdos durante as eleições.
A resolução determina que plataformas devem rotular vídeos gerados por IA, uma medida necessária para combater a desinformação, especialmente em um período eleitoral onde a manipulação de informações é comum.
Além das novas regras do TSE, especialistas recomendam que o público verifique a origem dos vídeos, cruze informações com fontes independentes e utilize ferramentas de verificação antes de compartilhar conteúdos, enfatizando a importância da responsabilidade na disseminação de informações.
São Paulo - A expansão dos modelos de inteligência artificial capazes de gerar vídeos cada vez mais realistas, alimenta a produção de conteúdos falsos. E o uso desse tipo de material acaba sendo usado durante a campanha eleitoral com o objetivo de influenciar o resultado das urnas.
O estudo Panorama da Desinformação no Brasil, realizado pela Agência Lupa, mostra que, em 2024 a IA era usada majoritariamente para criação de golpes digitais, em 2025 a tecnologia passou a ser empregada de forma estratégica como arma política: quase 45% dos conteúdos com IA analisados possuía viés político-ideológico, ante 33% no ano anterior. A agência analisou 617 conteúdos em 2025 e 839 do ano anterior.
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O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pensando nos efeitos da ferramenta, publicou a Resolução nº 23.760, criando uma série de regras para o uso da IA durante as eleições.
Como muitos criminosos utilizam de edição para esconder as marcas d’água presentes nos conteúdos sintéticos, uma das determinações do TSE foi justamente que estes vídeos sejam identificados e rotulados pelas próprias plataformas.
5 dicas de especialista para seguir antes de compartilhar um vídeo
Para auxiliar na verificação da autenticidade dos vídeos antes de acreditar ou compartilhar informações falsas, o fundador da empresa de inteligência artificial brasileira Hal.AI, Marcos Alves, dá cinco orientações práticas:
1. Identifique a origem do vídeo
Busque a publicação original e quem é o autor responsável pelo material. Receber de uma pessoa conhecida, encontrar muitas visualizações ou ver o mesmo vídeo em vários perfis não comprova sua autenticidade. Se a origem não estiver clara, trate o conteúdo como não verificado.
2. Confira a data e o contexto completo
Vídeos editados, conhecidos como "cortes", podem ser alterados com facilidade. Por isso, busque encontrar a gravação inteira, conferindo quando e onde aconteceu.
Um corte pode omitir a pergunta, uma explicação ou o que veio antes e depois da fala. Uma cena antiga também pode ser apresentada como se tivesse acabado de acontecer. Isso pode enganar mesmo sem uso de IA.
3. Cruze a informação com evidências independentes
Confira se há outras gravações, documentos ou reportagens que apuraram o fato. Vários sites reproduzindo a mesma postagem continuam tendo uma única origem. Uma busca reversa de imagens, usando um quadro do vídeo, pode ajudar a localizar versões anteriores e outro contexto.
Buscar notícias sobre o vídeo, desde que sejam de veículos de comunicação de credibilidade, também é uma forma de apuração. A ausência de resultados, porém, não comprova que o vídeo seja verdadeiro.
4. Use ferramentas de verificação como apoio
Falhas na imagem ou no áudio podem justificar uma checagem, mas não permitem concluir, sozinhas, que houve manipulação. Da mesma forma, um vídeo visualmente perfeito pode ser gerado por I.A. Detectores de IA também podem errar: o resultado precisa ser combinado com a análise da origem, do contexto e de outras evidências.
Por isso, busque por agências de checagem, que seguem critérios rigorosos de avaliação e consulte também conferências que apresentem suas fontes e expliquem o método utilizado.
5. Faça uma pausa antes de acreditar ou compartilhar
Pergunte a si mesmo: estou convencido pelas evidências ou porque a mensagem confirma o que já penso? Aplique o mesmo cuidado a conteúdos favoráveis e contrários à sua opinião. Se não conseguir confirmar, evite encaminhar como fato. Dúvida sobre a autenticidade também não autoriza afirmar que o vídeo é falso.
A IA amplia as possibilidades de criação e também pode apoiar a verificação de conteúdo. Seu uso exige responsabilidade, transparência e cuidado com as evidências. Para o público, uma regra prática é: quanto mais forte for a reação provocada por um vídeo, maior deve ser o cuidado antes de compartilhá-lo.
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