Aos 73, professora celebra mais de meio século de docência na mesma escola
Marilena Gonçalves reflete sobre sua jornada de 51 anos na educação, as mudanças que presenciou e a importância da conexão humana no ensino
Por Bianca Bibiano
15/10/2026 | 15h22Acervo pessoal
A professora Marilena Pinheiro Gonçalves, aos 73 anos, celebra 51 anos de dedicação à Escola Suíço-Brasileira, onde sua trajetória começou em 1975 como substituta temporária, transformando-se em uma carreira de vida no ensino.
Marilena testemunhou mudanças significativas na educação, desde a transição da ditadura militar até a era digital, enfrentando desafios como a adaptação ao ensino remoto durante a pandemia de covid-19.
Para homenagear sua contribuição, a escola nomeou sua biblioteca em sua honra, enquanto Marilena destaca a importância do aprendizado contínuo e da conexão humana no processo educativo, mesmo em meio às inovações tecnológicas.
São Paulo - Aos 73 anos, a professora Marilena Pinheiro Gonçalves reescreveu a própria trajetória ao fazer da sala de aula o seu local de permanente transformação. Em 2025, ela completou 50 anos de dedicação à Escola Suíço-Brasileira, onde soma hoje 51 anos de atuação contínua.
Sua história na instituição começou quase por acaso, em 1975, quando ingressou aos 22 anos para substituir temporariamente uma colega. O que seria uma breve colaboração transformou-se em uma vida inteira dedicada ao ensino. "Percebo que a pessoa que mais adquiriu conhecimento durante esse tempo fui eu. A escola faz parte da minha vida", afirma.
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Para marcar meio século de dedicação, a instituição batizou ano passado sua biblioteca com o nome de Marilena. A homenagem reuniu alunos, colegas e ex-alunos de diversas gerações, incluindo integrantes de sua primeiríssima turma de 1976.
Percepção sobre mudanças na educação
Ao longo das décadas, ela testemunhou a transição do período da ditadura militar para a redemocratização, a chegada dos primeiros computadores, a expansão da internet e, mais recentemente, a entrada dos tablets e da inteligência artificial na rotina escolar.
Eu comecei com o mimeógrafo e a máquina de escrever. Depois veio a evolução da tecnologia e os computadores, o que para mim foi um desafio e tanto.
Marilena Gonçalves, professora
A transição mais brusca ocorreu durante a pandemia de covid-19, com as aulas remotas: "Pensei que não conseguiria me adaptar, especialmente quando tive que dar aula pelo computador. Mas aprendi e descobri que a tecnologia pode ser uma aliada", recorda.
Longevidade profissional
Para a educadora, o segredo da longevidade profissional está no aprendizado contínuo. "O importante é você estar se reciclando sempre, aprendendo e estudando. Isso é essencial para se manter atualizada."
Posso parar a qualquer momento, mas enquanto estiver me fazendo bem, vou continuar. Ainda sinto o mesmo prazer de abrir a porta da sala de aula.
Marilena Gonçalves, professora
Apesar de todas as inovações digitais, a educadora ressalta que as mudanças mais marcantes da carreira foram humanas, a começar pela proximidade entre educadores e estudantes. "Antigamente a coisa era muito mais distante, o professor era a autoridade. Hoje em dia, os alunos têm uma relação muito mais aberta com os professores e podem expressar livremente suas opiniões", observa.
Para ela, o maior desafio da educação atual é preparar os estudantes para um mundo tecnológico sem perder a formação humana: “Hoje, a gente tem tanta informação disponível, tantos recursos tecnológicos e possibilidades de aprendizagem, mas ensinar continua exigindo o que nenhuma ferramenta consegue substituir integralmente: a capacidade de estabelecer vínculos, despertar a curiosidade, desenvolver o pensamento crítico e ajudar cada estudante a reconhecer o seu potencial”.
Podemos usar todas as inovações tecnológicas, mas é a presença humana, o olhar que acolhe, a palavra que encoraja e o gesto que reconhece que realmente marcam a vida de um estudante. Nenhuma máquina pode substituir isso.
Marilena Gonçalves, professora
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