Número de professores com 60 anos ou mais sobe 104% no Brasil em uma década
No mesmo período, total de professores com até 24 anos diminuiu 31%; dado mostra que a capacidade de renovação do quadro docente vem se deteriorando
Por Bianca Bibiano
16/09/2026 | 15h01Adobe Stock
São Paulo - Em dez anos, o Brasil viu aumentar em 104% o número de professores com 60 anos ou mais de idade. Ao mesmo tempo, a entrada de educadores mais jovens diminuiu, demonstrando um processo de envelhecimento do quadro docente no País. É o que apontam dados da pesquisa 'Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil', do Instituto Semesp, divulgada nesta quarta-feira, 16.
De acordo com o relatório, o número de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1% nesse período, passando de 17,3 mil para 11,9 mil. No extremo oposto, o contingente de docentes 60+ aumentou 104,5%, de 18,2 mil para 37,3 mil. A faixa que registro a maior proporção de docentes em 2025 no País foi de 40 a 49 anos, com 186 mil docentes.
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Os dados mostram ainda que o grupo de docentes com 55 a 59 anos no ensino médio passou de 5,9% para 8,3% do total, enquanto a faixa de 60 anos ou mais praticamente dobrou sua participação, passando de 3,5% para 6,7% no período.
Em nota, a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, disse que "a capacidade de renovação do quadro docente vem se deteriorando". Ela credita o cenário a um conjunto que envolve menos jovens ingressando na profissão, aumento expressivo do número de professores em faixas etárias próximas à aposentadoria e crescente dependência de contratos temporários nas redes públicas.
Renovação do quadro de professores despenca em 10 anos
Para medir a capacidade de reposição desses profissionais, o Instituto Semesp criou a Taxa de Renovação Docente, que relaciona o número de professores com até 24 anos ao contingente com 60 anos ou mais. Quanto menor a taxa, maior o sinal de dificuldade para renovar o quadro.
Em 2015, havia praticamente um professor com até 24 anos para cada professor com 60 anos ou mais. Em 2025, essa relação caiu para cerca de um jovem para cada três docentes 60 anos ou mais, com a taxa passando de 0,95 para 0,32.
11,9 milprofessores com
até 24 anos em 2025 68,3 milprofessores com idade
entre 50 a 54 anos37,3 milprofessores com mais
de 60 anos em 2025
A projeção da pesquisa indica que, em 2040, a Taxa de Renovação Docente poderá cair para 0,17, o equivalente a aproximadamente um professor com até 24 anos para cada seis docentes com 60 anos ou mais. Em números absolutos, a projeção aponta para cerca de 10,7 mil professores jovens diante de 61,9 mil docentes com 60 anos ou mais, faixa etária considerada mais próxima da aposentadoria.

Os dados mostram que o risco de apagão não depende mais apenas da quantidade de professores existentes hoje. O principal desafio está na capacidade de formar, atrair e incorporar novos profissionais em ritmo suficiente para substituir aqueles que deverão deixar a carreira nos próximos anos”, resume Lúcia Teixeira.
Salário e contratos temporários não atraem novos docentes
Segundo a pesquisa, a dificuldade para renovar o quadro também está relacionada à baixa atratividade da carreira. Em 2025, a remuneração média de um professor do ensino médio no Brasil era de aproximadamente R$ 6,5 mil mensais, equivalente a cerca de 80% da renda média dos trabalhadores com ensino superior completo, de R$ 8,1 mil.
O piso salarial nacional do magistério público da educação básica no Brasil é de R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais. Os valores médios, porém, variam de acordo com a disciplina, conforme mostra a tabela abaixo:
Paralelamente, a composição do quadro docente da rede pública do Ensino Médio também passou por mudanças. Entre 2015 e 2025, o número de professores com contrato temporário cresceu 40,4%, passando de aproximadamente 146 mil para 205 mil. A participação desses profissionais com contratos temporários no quadro público saltou de 32,2% para 43,4%.
Já o número de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de aproximadamente 305 mil para 255 mil, reduzindo sua participação de 67,2% para 54,1%. Em números absolutos, foram cerca de 50 mil professores efetivos ou estáveis a menos e 59 mil temporários a mais no período.
Para a presidente do Semesp, “os contratos temporários permitem às redes preencher vagas e responder rapidamente a demandas de curto prazo, mas possuem duração determinada e não asseguram a mesma estabilidade dos cargos efetivos". Ela conclui que:
A própria pesquisa destaca que o crescimento desse tipo de vínculo deve ser analisado sob a perspectiva da estabilidade, continuidade, retenção e atratividade da força de trabalho docente”, finaliza.
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