Aprenda a organizar os estudos desde já para entrar na faculdade em 2027
Envato
São Paulo - Retomar os estudos para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou algum vestibular pode ser um desafio, especialmente para quem está afastado dos bancos da escola há algum tempo. Ainda assim, com organização e disciplina, é possível iniciar a preparação desde já e ganhar consistência até a data das provas no final do ano, pensando em entrar na faculdade em 2027.
Segundo especialista no tema, estudar com antecedência permite ao candidato identificar lacunas de conhecimento, se familiarizar com os diferentes modelos de prova e, principalmente, evitar o acúmulo de conteúdo que costuma gerar ansiedade na reta final.
Em um cenário de concorrência crescente, um planejamento que equilibre domínio do conteúdo, estratégia de prova e estabilidade emocional pode fazer diferença na busca pela aprovação.
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Qual prova escolher?
Embora o Enem seja o processo seletivo mais conhecido, algumas universidades, sobretudo as mais prestigiadas, mantêm vestibulares próprios, como Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), dentre outras. Esses exames têm formatos e características específicas, o que exige uma preparação direcionada.
“Para quem busca uma vaga nessas instituições, o conteúdo já aprendido e a expectativa pelo Enem podem ajudar, mas é preciso uma preparação e foco especial sobre como cada banca avalia as competências”, afirma o coordenador pedagógico do Brazilian International School (BIS), de São Paulo, Henrique Barreto Andrade Dias.
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Para se preparar para esses processos seletivos, é fundamental montar um cronograma de estudos, investir em simulados e analisar com atenção os editais. “O edital detalha os pesos de cada disciplina para o curso escolhido. Se o seu curso dá maior peso para Biologia, por exemplo, sua estratégia de estudos deve refletir essa prioridade”, explica o coordenador.
Além das primeiras fases objetivas, vestibulares mais concorridos costumam incluir etapas dissertativas. “Os conteúdos cobrados nos vestibulares costumam ser mais densos, testando o aprofundamento que o candidato tem nas diversas disciplinas", explica Dias e acresenta:
O vestibular não é apenas um teste de memória, mas de raciocínio, resistência e estratégia. Entender o perfil da banca permite que o aluno estude de forma inteligente, priorizando o que realmente pontua para a aprovação."
Como se preparar para o Enem
Principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil, o Enem também é requisito para programas como Sisu, ProUni e Fies, além de ser aceito por instituições públicas e privadas, no país e no exterior.
A prova avalia conhecimentos em linguagens, ciências humanas, cências da natureza, memática e redação, exigindo não apenas domínio de conteúdo, mas capacidade de interpretação e aplicação prática.
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Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP), diz que o Enem é uma verdadeira maratona de resistência intelectual e física e, por isso, orienta algumas estratégias de organização e de estudos.
Estratégias para o Enem
- Cronograma realista: crie um ciclo de estudos, dividido por disciplinas, com datas que possam ser cumpridas, pensando em revisitar os conteúdos que tradicionalmente caem no Enem, com revisões curtas e intervalos regulares, evitando maratonas exaustivas que prejudicam a memorização.
- Simulados: resolver exercícios baseados no formato do Enem e provas oficiais anteriores é a melhor forma de se habituar com o que será exigido do estudante.
- Foco na contextualização: não tente apenas memorizar fórmulas, mas entender o contexto do conteúdo; pois o Enem valoriza a capacidade de aplicar a teoria a situações-problema reais e cotidianas.
- Leitura diversificada: além de literatura, consuma notícias, infográficos e artigos de opinião para fortalecer a interpretação de textos e o repertório para a redação. O Enem tem por tradição trazer para a prova assuntos atuais do cotidiano e da vida em sociedade como, por exemplo, mudanças climáticas, conflitos geopolíticos ou avanços da inteligência artificial.
- Mapas mentais e resumos: utilize ferramentas visuais para conectar os temas e facilitar a revisão ativa dos tópicos de maior incidência.
- Pratique a escrita: para a redação, que tem um grande peso na nota final, a dica é praticar a escrita. O estudante pode escrever redações regularmente, pedindo ajuda de um professor para a revisão do texto. Só a prática constante permite aprimorar a capacidade de articulação de ideias que a prova exige.
“Conseguir uma boa nota no Enem é como chegar ao pódio de uma competição esportiva. É preciso treino, constância, prática e disciplina”, afirma Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP).
Segundo ele, iniciar os estudos com antecedência permite uma cobertura completa dos temas mais recorrentes da prova, evitando a sobrecarga e o estresse comuns na reta final.
“Também é fundamental que a rotina inclua tempo para hobbies, atividades físicas e convívio social. [...] Estudar três horas por dia com foco e qualidade é muito mais eficiente do que passar dez horas em frente aos livros sem conseguir processar a informação por cansaço mental”, acrescenta Rifaat.
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Plano de estudos
Até setembro, a recomendação é dedicar cerca de três horas diárias aos estudos, de segunda a sexta-feira, com divisão equilibrada entre teoria, exercícios, revisão e pausas.
- Segunda-feira: Linguagens e suas Tecnologias;
- Terça-feira: Ciências Humanas;
- Quarta-feira: Ciências da Natureza;
- Quinta-feira: Matemática;
- Sexta-feira: Redação.
Já em outubro, o foco deve ser a revisão estratégica e a realização de simulados completos, com atenção à gestão do tempo e à resistência física para os dois dias de prova.
Vestibulares mais concorridos do Brasil
Unesp
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) é pública, gratuita e foi criada em 1976. Atualmente, reúne cerca de 50 mil estudantes entre graduação e pós-graduação. O vestibular, organizado pela Fundação Vunesp, está entre os mais concorridos do País e exige preparo técnico, leitura crítica e equilíbrio emocional.
A prova tem duas fases e é conhecida pelo caráter interdisciplinar, com ênfase na interpretação de textos, gráficos e imagens, mais do que na simples memorização. A primeira etapa é composta apenas por questões objetivas, sem redação, e não há lista de obras obrigatórias.
De acordo com Peter Rifaat, a preparação ideal começa com antecedência, especialmente para quem pretende ingressar em 2027. “Criar uma rotina de estudos consistente, ler com frequência, acompanhar temas da atualidade e resolver provas anteriores ajuda o candidato a ganhar segurança e a se familiarizar com o perfil da prova, que acontece no fim do ano”, orienta.
Unicamp
Reconhecido pela excelência acadêmica e pela tradição em inovação, o vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é um dos mais disputados do Brasil. Na edição 2026, realizada no fim de 2025, foram 61,6 mil inscritos para 2.530 vagas em 69 cursos de graduação.
O processo seletivo costuma ter três fases. A primeira é composta por uma prova objetiva com questões de múltipla escolha, abrangendo diferentes áreas do conhecimento e com forte caráter interdisciplinar. “A primeira etapa é decisiva, porque já elimina muitos candidatos e define a classificação inicial”, alerta Fernanda.
Um dos diferenciais da Unicamp está na redação da segunda fase, em que o candidato escolhe entre diferentes propostas, como artigo de opinião, carta, manifesto ou resenha. A universidade também adota uma lista de obras obrigatórias, com nove títulos, além de canções e contos. “O ideal é adotar uma leitura ativa e contínua dos livros obrigatórios, distribuída ao longo do ano”, orienta a educadora.
Fuvest
A Universidade de São Paulo (USP) é a maior do Brasil e uma das mais bem avaliadas da América Latina. Seu vestibular, organizado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), é considerado um dos mais exigentes do País.
Para quem pretende disputar uma vaga em 2027, a recomendação é iniciar a preparação o quanto antes. “A Fuvest não é uma prova que se vence com estratégias de curto prazo. Ela exige aprofundamento conceitual, constância nos estudos e desenvolvimento do raciocínio crítico", afirma Henrique Barreto Andrade Dias, e completa:
Quanto antes o aluno entende o perfil da banca e organiza sua rotina, maiores são as chances de chegar competitivo no dia da prova."
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O exame é dividido em duas fases, com redação na etapa final, e se destaca pelo alto nível de exigência, cobrando profundidade e precisão técnica. A Fuvest também possui lista de obras obrigatórias.
Para o vestibular de 2027, a seleção inclui apenas autoras mulheres de língua portuguesa, com o objetivo de ampliar a representatividade e fomentar reflexões sobre o papel feminino na literatura e na sociedade.
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