Curso prepara mulheres para alta liderança em cargos em conselhos consultivos
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São Paulo, 03/03/2026 - Com foco na qualificação estratégica para ocupar espaços de decisão, a Trevisan Escola de Negócios, em parceria com o Movimento Mulher 360, iniciará no dia 27 de março uma nova turma do curso de Formação de Conselheiras Consultivas.
A iniciativa surge em um momento de transformações graduais, mas ainda desafiadoras, no cenário corporativo brasileiro, segundo Glades Chuery, coordenadora do curso. Ela afirma que a presença feminina em conselhos de administração e consultivos é hoje reconhecida como um pilar decisivo para a governança e a sustentabilidade das organizações, embora a participação real ainda esteja aquém do ideal.
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Segundo Chueryu, as mulheres estão chegando aos conselhos, principalmente, pelo crescimento das discussões sobre diversidade na governança, maior pressão da sociedade, dos investidores e até dos próprios colaboradores que desejam conselhos mais plurais.
“Temos avançado, é inegável, mas ainda falta muito para que a presença feminina deixe de ser pauta e se torne algo natural nos conselhos”, destaca.
No entanto, a especialista ressalta que o objetivo é que essa presença deixe de ser uma "pauta" para se tornar algo natural. Para isso, argumenta, a formação técnica e estratégica é fundamental, já que as cadeiras de conselho exigem domínio em áreas complexas como finanças, gestão de riscos, compliance, estratégia e cenário macroeconômico.
Presença feminina em conselhos avança lentamente
Para embasar sua avaliação, ela cita a pesquisa Liderança Empresarial 2025, realizada pela Vila Nova Partners, consultoria de recrutamento de executivos e conselheiros. De acordo com Chuery, o levantamento dá conta que, em 2024, houve um pequeno aumento da representatividade feminina em conselhos de administração de empresas de capital aberto no País.
Em 2024, dos 775 assentos analisados, em 83 companhias do índice Ibovespa, 19,6% eram de mulheres. Em 2025, dos 754 assentos, em 81 organizações, 21% eram ocupados por conselheiras. Quando a comparação é feita em relação a 2015 há um crescimento maior. Naquele ano, apenas 6,3% das cadeiras dos conselhos eram ocupadas por mulheres.
No entanto, a pesquisa também aponta que, em posições de liderança, ainda há resistência à maior participação das mulheres. De 2015 para 2025, o aumento foi de apenas 0,6% e, nos cargos de CEO, não houve progresso. Pelo contrário, foi registrada uma queda na presença feminina, de 4,8% em 2024 para 3,6% em 2025.
Em termos mundiais, o artigo “ Why gender-balanced leadership matters in uncertain times”, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial em janeiro, destaca que, apesar dos avanços na educação e na participação no mercado de trabalho, as mulheres continuam significativamente sub-representadas nos cargos de liderança.
Globalmente, as mulheres representam 41,2% dos trabalhadores, mas apenas 28,1% estão em cargos de liderança. O texto também destaca que a participação feminina em novas nomeações para cargos de liderança sênior atingiu o pico em 2022, com 34,8%, e desde então vem caindo, chegando a 32,8% no primeiro trimestre de 2025. As nomeações para conselhos de administração mostram um declínio semelhante, caindo de 17,2% em 2020 para 14,2% em 2024.
Formação técnica e estratégica
O curso da Trevisan foi estruturado justamente para oferecer essa visão de "tabuleiro completo". Com um corpo docente formado exclusivamente por mulheres com experiência prática em conselhos e diretoria, a formação busca equilibrar fundamentos técnicos com visão humana e estratégica.
A proposta ´preparar executivas capazes de exercer influência real nas decisões, garantindo que a diversidade resulte em melhores resultados financeiros e na longevidade dos negócios, em igualdade de condições técnicas com seus pares.
Mais informações, no site da Trevisan Escola de Negócios.
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