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Desconectar do trabalho vira desafio na era do "sempre online"

Pesquisa indica que a cultura de disponibilidade e o home office dificultam desconectar, levando a e-mails nas férias e trabalho mesmo doente

Redação Viva

Por Redação Viva

25/09/2026 | 10h50

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63% dizem verificar assuntos de trabalho de alguma forma durante as férias - Envato
63% dizem verificar assuntos de trabalho de alguma forma durante as férias
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Uma pesquisa da plataforma Meu Currículo Perfeito revela que 85% dos profissionais já trabalharam doentes e 78% têm dificuldade em desconectar-se do trabalho durante o descanso, refletindo uma cultura organizacional que normaliza a disponibilidade constante.

Os dados indicam que 63% dos entrevistados verificam assuntos de trabalho durante as férias e 88% realizam tarefas fora do horário, evidenciando a dificuldade de separar vida profissional e pessoal, especialmente em modelos de trabalho remoto e híbrido.

Especialistas apontam que essa situação é comum também no Brasil, onde a pressão por prazos e responsabilidades leva muitos a trabalhar mesmo em períodos de descanso.

Resumo gerado por IA

São Paulo – Desconectar-se do trabalho tem sido uma tarefa cada vez mais difícil. É o que aponta uma pesquisa realizada pela plataforma Meu Currículo Perfeito. Prolongar as atividades fora do expediente, trabalhar doente ou com atestado médico e acompanhar o trabalho mesmo durante as férias são os casos mais comuns. 

O comportamento que leva o trabalhador a ficar conectado ao trabalho muitas vezes ocorre “no automático”, como responder mensagens fora do horário de trabalho, conferir o e-mail profissional nas férias ou trabalhar mesmo com atestado médico, além da cultura da empresa de estar sempre disponível.

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O que a pesquisa revelou: 

  • 88% realizam tarefas profissionais fora do horário de trabalho ocasionalmente
  • 85% dos profissionais relatam que já trabalharam enquanto estavam doentes
  • 78% dizem ter dificuldade para parar de pensar no trabalho durante o tempo de descanso.
  • 63% afirmam que verificam assuntos de trabalho de alguma forma durante as férias.

A pesquisa foi realizada em junho de 2026 com profissionais empregados na Espanha, Itália, França e Alemanha.

Por que se desligar do trabalho é tão difícil?

O hábito de permanecer conectado não possui um único fator; muitas vezes está ligado a uma construção organizacional que normaliza a disponibilidade integral, mas também ao próprio profissional, que não consegue se desconectar totalmente do trabalho.

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Estar sempre disponível não é resultado de um único comportamento, mas do acúmulo de pequenas decisões de permanecer conectado ao trabalho.
Jasmine Escalera, especialista em carreira

A popularização dos modelos remoto e híbrido também tornou menos evidente a separação entre o ambiente profissional e o período de descanso, mesmo quando não existe uma cobrança direta da empresa, conforme a analista de Recursos Humanos, Júlia Bidu.

Ela explica que, no home office, a pessoa não consegue fazer essa separação entre casa e trabalho, entre trabalho e descanso.

Se eu estiver com um computador em casa e com tempo livre, vou usar até o final de semana para trabalhar. A gente esquece que o final de semana é para descansar.
Júlia Bidu

Essa lógica também pode chegar aos períodos de férias. Segundo a especialista em RH, muitos profissionais enxergam as férias como uma oportunidade para realizar projetos de trabalho sem interrupções, o que pode levar o profissional à sobrecarga.

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“Há profissionais que passam a enxergar as férias coletivas como uma oportunidade para adiantar projetos sem interrupções. Em vez de descansar, você vai ter mais paz e mais tempo para poder fazer o que quiser, sem ninguém te atrapalhar", afirma Bidu.

Cenário brasileiro

Embora a pesquisa tenha sido realizada com profissionais de outros países, situações semelhantes fazem parte da rotina de muitos brasileiros. A dificuldade de se afastar das tarefas, mesmo em períodos destinados ao descanso ou à recuperação, pode aparecer por diferentes razões, como a responsabilidade pelas demandas e a necessidade de cumprir prazos.

Foi o que aconteceu com a estudante de psicologia, Laísa Ribeiro, que disse ter trabalhado até mesmo doente.

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Muitas das demandas dependiam exclusivamente de mim e precisavam ser entregues dentro do prazo. Então, há uma questão de senso de responsabilidade. Muitas vezes eu procurava cumprir as atividades mesmo não estando bem.
Laísa Ribeiro, estudante de psicologia

Com isso, muitos profissionais buscam uma saída para esse ambiente estressante trocando de emprego — e, em alguns casos, até aceitando dar alguns passos atrás na carreira.

Júlia Bidu conta que já ouviu, em pelo menos duas ocasiões, durante processos seletivos, candidatos dispostos a assumir cargos de menor hierarquia porque, na empresa anterior, enfrentavam jornadas extensas, chegando a trabalhar até 21h ou 22h e também aos fins de semana, em um ritmo que se assemelhava a um plantão.

(Por Labelle Fernanda, especial para o VIVA)

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