Empresas brasileiras pretendem contratar menos em 2026, diz S&P Global
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São Paulo - A intenção de contratação das empresas do Brasil caiu ao menor nível desde junho de 2020, mesmo diante de expectativas positivas no setor privado sobre a atividade econômica e investimentos futuros, segundo a pesquisa Brazil Business Outlook, conduzida pela S&P Global.
A pesquisa, realizada três vezes por ano, tenta apontar se as empresas estão otimistas ou pessimistas em relação a variáveis específicas. Para isso, deduz o porcentual de empresas que esperam piora ou redução em dado segmento do porcentual de empresas que esperam melhora ou aumento.
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No caso das contratações, este porcentual líquido ficou positivo em 5%. O índice, acima de zero, ainda sugere intenção de aumento no quadro de funcionários nos próximos 12 meses, mas é o menor em quase seis anos.
Segundo a S&P Global, a deterioração na expectativa de contratações reflete pressões de custo elevadas, a escassez de mão de obra qualificada e a incerteza sobre políticas públicas devido à proximidade da eleição presidencial.
As empresas também reduziram a projeção para os custos com mão de obra, em termos líquidos. O índice nesta categoria foi de 14%, ante 24% na edição anterior da pesquisa, em outubro de 2025. É a leitura mais baixa desde meados de 2020, e a segunda menor dentre os 12 países pesquisados. Só a China teve índice menor.
O comedimento em relação a gastos, porém, está restrito a despesas com funcionários. A S&P Global aponta que as companhias estão inclinadas a gastar mais com pesquisa e desenvolvimento (com o índice deste segmento atingindo 7%, o maior nível em um ano) e esperam aumento de despesas não relacionadas a empregados (índice de 38%, ante 39% na leitura anterior).
A perspectiva para a inflação, no entanto, estava no menor nível em dois anos. Vale ressaltar, porém, que os dados foram colhidos entre 4 e 24 de fevereiro - antes, portanto, da Guerra contra o Irã e do aumento significativo nos preços do petróleo e derivados.
"As expectativas de inflação diminuíram para todas as três categorias de preços monitoradas pela pesquisa, mas a guerra no Oriente Médio traz novos desafios para o Banco Central", disse Pollyanna de Lima, diretora associada de economia na S&P Global Market Intelligence, em relatório.
"Mesmo com a capacidade de produção doméstica de energia do Brasil blindando o país de aumentos nos preços relacionados a importadores de petróleo, os riscos de alta da inflação vindos de perturbações na cadeia de fornecimento global provavelmente vão impactar o ritmo e a duração de potenciais cortes de juros", acrescentou.
Confiança em alta
O índice de confiança das empresas brasileiras ficou positivo em 30% em fevereiro, ligeiramente acima dos 29% observados em outubro. Apenas quatro dos 12 países pesquisados tiveram índice de confiança maior que o brasileiro: Índia, Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos.
"As previsões otimistas das empresas brasileiras vinham de parcerias internacionais e novos lançamentos de produtos, juntamente com a Copa do Mundo de futebol e a implementação gradual da reforma tributária", disse a S&P Global.
O relatório, porém, aponta que a melhora da confiança ficou centrada no setor de serviços, onde o porcentual líquido de empresas que esperam índices maiores de atividade nos próximos 12 meses subiu de 26% em outubro para 31% em fevereiro. No segmento de produção de bens, o movimento foi na direção contrária, com o porcentual líquido caindo de 36% para 25%.
(Por Gustavo Nicoletta)
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