Enem 2026: veja técnicas para dominar matemática, o temor de 52% dos candidatos
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São Paulo - A abertura das inscrições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 está prevista para o final deste mês e já movimenta a expectativa de milhares de estudantes. Dentre as áreas mais desafiadoras, aparece matemática, disciplina que, segundo pesquisa da Terra Insights, assusta 52% dos candidatos, considerando as edições anteriores do exame.
Contudo, segundo Guilherme Andrade, docente do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP), o foco da prova de matemática do Enem não são fórmulas e cálculos decorado, mas sim interpretar as questões, que são baseadas na aplicação prática dos conteúdos.
O Enem cobra muito mais que a matemática pura. É essencial interpretar a situação, entender o problema e só depois aplicar o conhecimento matemático. Muitas vezes, a dificuldade não está no cálculo, mas em saber por onde começar a resolver".
Além disso, as perguntas exigem raciocínio lógico, interpretação de gráficos e domínio de conceitos aplicados ao cotidiano, explica. A prova busca aferir competências como resolução de problemas, leitura de gráficos e tabelas, análise de grandezas e proporcionalidades, entre outras.
Criado pelo Ministério da Educação em 1998, o Enem avalia o desempenho dos estudantes ao final da educação básica e também serve como requisito obrigatório para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), dentre outros.
10 conteúdos mais comum
Ainda que o Enem varie os temas a cada edição, alguns conteúdos são recorrentes, explica Renato Shiotuqui docente do Brazilian International School - BIS, de São Paulo, capital. Dentre eles, o professor aponta os seguintes:
- Porcentagem: usada para calcular descontos, aumentos de preços, variações em gráficos e juros simples.
- Regra de três: essencial para resolver problemas de proporcionalidade presentes em contextos do dia a dia.
- Razão e proporção: aplicadas na leitura de mapas, escalas, receitas e comparações entre grandezas.
- Funções (afim e quadrática): frequentes em gráficos de crescimento, queda e variações ao longo do tempo.
- Geometria plana: envolve cálculo de áreas e perímetros, geralmente aplicado em situações práticas como construções e plantas.
- Geometria espacial: aborda volume e área de sólidos, com aplicações em embalagens, reservatórios e objetos tridimensionais.
- Estatística: explora média, mediana e moda, além de análise crítica de gráficos e dados numéricos.
- Probabilidade: presente em contextos de sorteios, previsões e análise de riscos.
- Gráficos e tabelas: exigem interpretação de informações visuais e numéricas em diferentes formatos.
- Unidades de medida: cobradas em problemas que envolvem conversão entre tempo, massa, volume e distância.
Ter domínio desses conteúdos é fundamental porque eles formam a espinha dorsal da prova. Além de aparecerem com frequência, muitos desses temas ajudam a resolver questões de outras áreas. É comum, por exemplo, a matemática ser usada em questões de geografia que envolvem interpretação de gráficos ou análise de dados socioeconômicos", afirma o docente.
Regra de três é o segredo
O professor Alexandre Mattos, da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), reforça explicando que, embora o foco do Enem não seja decorar fórmulas, saber fazer regra de três pode fazer a diferença no resultado final, já que ela é versátil e pode ser usada para além de cálculos de proporção.
A regra de três aparece de forma direta e, também, implícita em problemas de porcentagem, escalas, conversão de unidades e até questões de outras disciplinas, como a química e física".
Ele ensina que regra de três é uma técnica matemática usada para resolver problemas que envolvem a comparação entre duas proporções e permite descobrir um valor desconhecido com base na relação entre outras grandezas.
"A grande vantagem é que ela pode ser usada mesmo quando o estudante não lembra fórmulas específicas, desde que identifique uma relação de proporcionalidade entre os dados do problema", acrescenta Mattos.
Para quem não recorda bem, o professor oferece uma explicação resumida: quando duas variáveis crescem ou diminuem na mesma proporção (por exemplo: se uma máquina produz 120 peças em 4 horas, quantas peças ela produzirá em 10 horas, mantendo o mesmo ritmo?), usamos a regra de três direta.
Quando uma variável cresce enquanto a outra diminui, usamos a regra de três inversa. Por exemplo: se 4 trabalhadores constroem um muro em 6 dias, em quanto tempo o muro ficaria pronto com 8 trabalhadores trabalhando na construção?.
"Para os resultados, organizamos os dados conhecidos em forma de tabela, identificamos o tipo de relação (direta ou inversa), e montamos uma equação multiplicando os valores em cruz (quando direta) ou em linha (quando indireta). Depois, é só resolver a equação para encontrar o valor que falta", finaliza.
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Estratégias de estudo
A professora Cristine Tolizano, da Escola Bilíngue Aubrick, também de São Paulo, diz que o ideal é adotar uma rotina de revisão focada nos conteúdos mais cobrados e em exercícios práticos. "Resolver questões de provas anteriores é uma das estratégias mais eficazes. Isso ajuda o aluno a entender como o Enem formula os enunciados, além de fixar os conteúdos na prática", orienta.
Para além da regra de três, ela também orienta estudar fórmulas básicas ligadas a áreas, volumes e juros simples, além de organizar resumos e mapas mentais para facilitar a memorização.
Para reduzir a ansiedade, orienta o aluno a treinar simulando o tempo do exame, que pode parecer curto sob tensão. "O importante é estar seguro com o que já se sabe e treinar a aplicação desses conhecimentos em diferentes contextos", finaliza a professora.
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