CONFIRA

Mulheres 50+ usam podcasts para reposicionarem atuação profissional

Longetalks, Pod Pratear e Fala pra Amiga abordam temas de envelhecimento e desenvolvimento profissional para a geração com mais de 50 anos

Claudio Marques

Por Claudio Marques

27/09/2026 | 15h00 ● Atualizado | 15h03

Marcos Hiroshi/VIVA

O 8º Fórum e Festival Longevidade foi realizado do Pavilhão da Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera - Marcos Hiroshi/VIVA
O 8º Fórum e Festival Longevidade foi realizado do Pavilhão da Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera
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Três mulheres com mais de 50 anos estão transformando suas vidas profissionais por meio de podcasts. Os programas Longetalks, Pod Pratear e Fala pra Amiga abordam temas como envelhecimento e desenvolvimento profissional, impactando positivamente a percepção sobre a maturidade no mercado de trabalho.

Eliane Kreisler, Grace Stelman Rubinstein e Gabriela Sinval encontraram nas mídias sociais uma plataforma para compartilhar suas experiências e conhecimentos, respondendo a desafios pessoais e profissionais. A crescente população 50+ e a busca por autoconhecimento foram fatores que impulsionaram essas iniciativas.

As criadoras dos podcasts enfrentam desafios de monetização, mas continuam a produzir conteúdo com paixão e propósito. Elas buscam engajar o público e criar conexões significativas, priorizando o valor das interações e aprendizados sobre a simples remuneração financeira.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Três mulheres com mais de 50 anos enxergaram nas mídias sociais uma maneira de dar novo impulso às suas vidas profissionais. Os podcasts Longetalks, de Eliane Kreisler, Pod Pratear, de Grace Stelman Rubinstein, e o Fala pra Amiga, de Gabriela Sinval, ilustram casos de profissionais que mudaram o foco da ideia de carreira, tornando-se exemplos de empreendedorismo sênior na produção de conteúdo.

Kreisler, Rubinstein e Sinval participaram do painel "Influência Sênior: Construindo Vozes Digitais", no sábado, no 8º Fórum e Festival Longevidade e que foi mediado pelo jornalista Paulo Marinho, do bstory. Os três programas não nasceram prontos, foram resultados de descobertas, da ampliação do autoconhecimento e de novos aprendizados.

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Pedagoga com pós-graduação em gestão de pessoas, Kreisler desenvolveu sua carreira na na área de recursos humanos e gestão de pessoas. Ela contou que a reinvenção ocorreu aos 57 anos, quando percebeu que não iria mais fazer parte do mercado de trabalho formal.

Do contato com a gerontóloga, doutora em psiquiatria e especialista em reabilitação cognitiva Jessyka Bram, nasceu, em 2021, o Longetalks, que é resultado de suas experiências e conhecimentos e aborda questões como envelhecimento, carreiras 50+, desenvolvimento profissional e intergeracionalidade nas empresas. Está no Youtube.

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Programa ao vivo

A jornalista Rubinstein conta que o Pod Pratear foi a resposta à pergunta que se fez aos 51 anos, após perder o emprego: “E agora?” Sua proposta surgiu após participar de um evento sobre autoconhecimento e empreendedorismo, que abordou, entre outros temas,  o crescimento da população 50+. Foi aí, diz ela, que “caiu a ficha" de que era 50+ e o que isso representava. 

Começou, então, a analisar seu repertório, as coisas que sabia fazer, como entrevistar, escrever e fazer network. A partir desse processo, surgiu a ideia de usar suas habilidades e criar um podcast presencial, ao vivo. São dois episódios por mês com entrevistas de personalidades conceituadas das mais diferentes áreas, para proporcionar um olhar diversificado sobre o envelhecimento. Falam de suas carreiras e como estão vivendo a maturidade. O canal está no Youtube e Telegram.

Sinval, por sua vez, lembra que antes do Fala pra Amiga ela havia sido convidada por Suely Tonarque para vender vestidos de sua marca, Duda by Duda, na internet.  “Vende-se o que está por trás do produto”, diz, referindo-se ao fato de ter adotada uma estratégia de vendas de roupas baseadas no envelhecimento.

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De acordo com ela, quando se faz conteúdo para redes sociais, é preciso sensibilizar e cativar a outra pessoa. “Suely Tonarque fala sua verdade”, afirma. Isso repercute positivamente. O conteúdo deu certo, viralizou. A partir daí, surgiu a ideia de fazer o podcast, que é apresentado por Tonarque e dirigido especialmente ao público 60+. 

Monetização difícil

Sinval também chamou a atenção para a importância de mudar a forma de se comunicar com o público, que se tornou mais direta e específica. Para isso, contribuem a análise de dados e o conhecimento do perfil da audiência.

Ela ainda destacou a necessidade de chamar o público a participar por meio de likes, comentários e compartilhando o conteúdo. De acordo com ela, são ações que contribuem para monetizar, o que começou a acontecer com o Fala pra Amiga, que está no Youtube, Telegram e Tik Tok.

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Rubinstein admite que é muito difícil a monetização. Hoje, já consegue pagar o estúdio onde grava. E conta que ela é quem faz a curadoria dos programas e que os sobe, bem como os cortes, para as redes sociais. E destaca o amor pelo que faz como a força motora que impulsiona o projeto de ser um canal que dá voz à maturidade e que se sustente com credibilidade.

Kreisler reconhece a dificuldade de monetização. Para ela, o podcast é ideologia, um local de fala sobre temas correlatos ao envelhecimento. “O que se faz com muito prazer é muito importante”, destaca. Hoje, o canal conta com a curadoria da palestrante e ativista da longevidade Eliane Honel.

A afirmação guarda sintonia com a influenciadora 70+ e palestrante Rosângela Marcondes.”Sempre me perguntam se eu ganho dinheiro, porque trabalho precisa ser remunerado. Eu digo que eu ganho uma coisa preciosa: acesso, quantas palestras eu posso ir, que eu não poderia pagar, isso também é dinheiro, retorno, felicidade”, disse ela em entrevista ao VIVA.

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“Eu, como velha de 71 anos, quero mais é ter conexões inteligentes, importantes, pessoas com as quais eu gosto de estar junto. Isso, para mim, é mais valioso do que uma conta bancária com números extraordinários. Isso é muito mais valioso para mim”, acrescenta. 

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