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Primeira universidade federal indígena vai atender 2,8 mil estudantes

Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Instituição vai atender 2,8 mil estudantes nos quatro primeiros anos de implantação, indígenas e não indígenas - Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto
Instituição vai atender 2,8 mil estudantes nos quatro primeiros anos de implantação, indígenas e não indígenas
Por Bianca Bibiano

29/05/2026 | 13h16

São Paulo - O governo federal instituiu ontem a Universidade Federal Indígena (Unind), primeira instituição de educação superior brasileira para os povos originários. A Unind será sediada em Brasília (DF) e deve atender 2,8 mil estudantes nos quatro primeiros anos de implantação, indígenas e não indígenas.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), a criação da instituição é "fruto de anos de debates, consultas e construção coletiva entre lideranças indígenas, instituições de ensino e órgãos do governo federal".

A Lei nº 15.418/2026, que institui a Unind foi sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Educação, Leonardo Barchini.

Na ocasião, Lula disse que a iniciativa representa um reconhecimento dos direitos e conhecimentos historicamente preservados pelos povos indígenas:

“Isso é importante porque, aos poucos, a gente vai ensinando ao mundo a compreender que é possível, de forma civilizada, garantir direitos e participação a todos os que habitam o nosso planeta. A gente não pode prescindir do conhecimento milenar que os povos indígenas acumularam ao longo do tempo no Brasil e no mundo", afirmou o presidente.

Leonardo Barchini destacou que a criação atende "uma demanda histórica dos povos indígenas" e anunciou detalhes sobre o local de implantação:

“Hoje, batemos o martelo e vamos comprar a área onde fica localizada a antiga Universidade dos Correios, em Brasília, para a universidade indígena. Na segunda quinzena de junho, a sede da universidade será entregue”, afirmou. Com a nova instituição, o País passa a ter 70 universidades federais em atividade.

Durante a cerimônia, a representante do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei), Rita Potyguara, disse que a iniciativa é resultado de uma construção coletiva dos povos indígenas.

Estamos diante da ascensão da primeira universidade indígena do Brasil, construída de forma verdadeiramente participativa. Ela nasce da escuta, do diálogo, da construção coletiva e do respeito à diversidade dos nossos povos”, celebrou. 

Próximos passos 

Segundo o MEC, o próximo passo é iniciar as tratativas para a implantação da universidade, com elaboração da estrutura organizacional, definição dos cursos iniciais e planejamento da oferta acadêmica.

Também serão elaboradas as diretrizes pedagógicas e administrativas que orientarão o funcionamento da nova universidade. Além disso, a Unind poderá ter expansão futura para outras regiões e os cargos de reitor e vice-reitor serão ocupados obrigatoriamente por docentes indígenas.

O objetivo será fortalecer identidades, culturas, histórias, memórias, artes, saberes e línguas indígenas, "promovendo uma educação superior pautada na autonomia, na diversidade, na pluralidade e na autodeterminação dos povos indígenas", afirma o MEC. 

A instituição deve iniciar as atividades acadêmicas em 2027 com a oferta de 10 cursos de graduação voltados às áreas consideradas estratégicas para os povos indígenas, como gestão ambiental e territorial, gestão de políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, promoção das línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias e tecnologias, formação de professores, além de áreas estratégicas para autonomia e atuação profissional.

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