Professora supera 'carimbo de inutilidade' com a criação da Escola de Nós
Reprodução Instagram / @osanamacrame
São Paulo, 23/02/2026 - A barreira do idadismo se colocou na frente da professora de arte aposentada Osana Barreto, de 63 anos, quando ela buscou voltar ao mercado de trabalho. Mas a descoberta da técnica milenar do macramê se tornou sua paixão. E a levou a um novo rumo na sua carreira: ela partiu para o empreendedorismo digital, deixando para trás o etarismo.
A professora criou no Instagram o perfil Osana Macramê e o canal Escola de Nós no YouTube para dar aulas sobre o macramê, depois de criar um método de ensino a partir de seus erros e acertos.
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O que é o macramê?
O macramê é uma técnica de tecelagem manual muito antiga, que não faz uso de nenhuma ferramenta além das suas próprias mãos. Diferentemente do tricô ou do crochê, que usam agulhas, no macramê a confecção é feita apenas atando nós em fios para criar padrões geométricos, franjas e objetos decorativos.
Tudo é feito a partir do entrelaçamento de fios que ficam presos em uma base (como um bastão de madeira ou um aro) e pendem verticalmente, sendo feita uma combinação de diferentes tipos de nós.
Versáil, pode ser usado em:
Decoração: Na criação de painéis de parede, suportes para plantas (hanguers), toalhas de mesa e cortinas.
Moda: Na fabricação de bolsas, cintos, coletes e até vestidos.
Acessórios: Na produção de pulseiras da amizade, colares com pedras naturais e chaveiros.
Como tudo começou
Depois de 30 anos lecionando na rede pública do Rio de Janeiro, Osana Barreto decidiu antecipar sua aposentadoria para cuidar do marido doente.
Com o falecimento dele, tentou retornar ao mercado de trabalho em escolas particulares, mas com mais de 50 anos não conseguiu vencer o idadismo.
"O currículo era maravilhoso, mas a idade não permitia a contratação", relembra.
Eu me senti meio inútil, porque a mulher quando completa 50 anos, e depois dos 60 mais ainda, parece que recebe um carimbo de inutilidade. Bom, agora acabou para você. Não há mais espaço na sociedade para você como empreendedora, como empresária ou como CLT."
Tudo mudou quando ela participou de uma oficina de férias para crianças, onde teve seu primeiro contato com o macramê. "Parece que o nó desatou a minha vida", afirma.
Método próprio
Ela então começou a aprender essa arte, sem o apoio de livros ou tutoriais, porque não existiam. Enquanto ia errando e acertando, começou a estruturar seu próprio método de ensino.
E o que até então era uma paixão, tornou-se também um negócio. Primeiro, com um perfil no Instagram de dicas e divulgação de seu trabalho. Em 2019, com o suporte do filho especialista em marketing digital, ela lançava no YouTube a Escola de Nós, onde ministra seu curso fechado e completo de macramê.
Segundo ela, essa arte milenar pode ser endereçada às pessoas idosas, uma vez que não usa agulhas e trabalha com nós visíveis. Ou seja, é ideal para quem possui limitações de visão ou coordenação motora fina.
O curso também ensina como precificar, fotografar e vender as peças, tornando-se também um instrumento para quem prentende ter uma renda com essa técnica.
Hoje, com 63 anos, eu me vejo empresária de um negócio feito artesanalmente e virtualmente e que pode ajudar milhares de pessoas, e isso para mim é muito maravilhoso.”
Cerca de 17 mil alunas de 41 países já passaram pelo curso. A escola é reconhecida pelo MEC e possui parceria com a Faculdade Brasília (FBr). "As alunas que se formam pela escola podem fazer uma extensão universitária (docência em Macramê Terapêutico, com equivalência a uma pós-graduação), e ganham diploma registrado pelo MEC”, afirma.
Ela conta que coloca diariamente vídeos no YouTube e que trabalha com os filhos, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Foram eles que a ajudaram a vencer os problemas iniciais com a tecnologia.
“Deus me deu esse presente de conhecer o macramê e de poder, por meio dele, modificar a minha vida”, diz ela. “Juntando essa arte com a didática que eu tinha, de 30 anos de experiência na rede pública, para poder ajudar outras pessoas.”
Digitalização do público idoso
O empreendimento tem o suporte da Hotmart -- uma plataforma voltada para quem deseja criar e vender produtos digitais como e-books, cursos online, vídeos, assinaturas, dentre outros.
O diretor de Desenvolvimento de Mercado da plataforma, Alexandre Abramo, avalia que as demandas do público 60+ divide-se em dois grandes blocos:
Digitalização: O idoso busca autonomia para mexer em smartphones e redes sociais sem depender da paciência de familiares.
Hobbies e Profissionalização: Cursos de trabalhos manuais e artesanais, como o caso de sucesso da professora Osana.
Abramo acredita que o público 60+ deve dobrar sua representatividade nas compras da plataforma nos próximos três anos, chegando a cerca de 20% do total.
Fundada em Belo Horizonte, em 2011, atua globalmente e ultrapassou US$ 10 bilhões em vendas desde sua implantação. Com sede em Amsterdã, possui 1.600 colaboradores em seis países e o número de empreendedores ativos na plataforma era de 250 mil em 2025.
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