Profissionais 50+ ocupam 5% das vagas em call centers; conheça alguns deles
Divulgação / Paschoalotto
09/02/2026 | 11h20
São Paulo, 09/02/2026 - Em um mercado resistente a dar oportunidades para profissionais 50+, Antonio Carlos Sanches pode ser visto como um ponto fora da curva. Aos 72 anos, ele segue um trajeto de reinvenção: há um ano ele passou a integrar o time de operadores da empresa de outsourcing Paschoalotto Serviços Financeiros, em Bauru (SP), que oferece serviços de call center.
Existe um estereótipo em relação à idade, mas a capacidade não é medida pela idade", afirma.
No seu caso, a vaga não foi apenas uma conquista, mas representou uma virada em sua vida: ele nunca havia atuado no setor. Ao longo do seu percurso profissional, consolidou uma carreira em vendas e gerenciamento. E conta que sua maior dificuldade no novo emprego não foi o contato com o público, mas a adaptação técnica.
"O grande desafio foi aprender a diversidade de funções do equipamento (que usa no atendimento). Exige bastante atenção", revela. Com o apoio da supervisão e persistência, ele superou a curva de aprendizado e hoje opera o instrumento com total autonomia.
Cercado por colegas de trabalho muito mais jovens, Sanches vê essa convivência como via de mão dupla. Para ele, estar entre os mais novos é uma oportunidade constante de aprendizado e troca de vivências. Mesmo reconhecendo as mudanças naturais que o tempo impõe, ele refuta a ideia de que a idade limite o potencial de um profissional.
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Sanches atua na área de cobrança de um banco, e defende que a maturidade traz uma vantagem competitiva nesse serviço: a empatia. "Aqui você conhece dificuldades pessoais. É preciso filtrar para saber responder, ter sensibilidade. Lidar com clientes em situação de inadimplência exige educação e sensibilidade, já que ninguém gosta de dever", declara.
Começos e recomeços
O setor de telesserviços conta com cerca de 5% dos seus 1,4 milhão de trabalhadores com 50 anos ou mais. O diretor executivo da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), Gustavo Faria, afirma que a área oferece oportunidades não pessoas mais velhas e é bastante diversa.
“É um setor de começos e recomeços”, diz Faria. “Temos vagas para pessoas que já saíram do mercado e querem recomeçar”, acrescenta.
Teleatendimento e telemarketing são vistos como porta de entrada do mercado de trabalho para os jovens, que são maioria nas empresas. Mas ele também aponta que há perspectivas para os profissionais mais maduros.
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O executivo destaca que, diferentemente da imagem de que o público 50+ ocupa apenas cargos de alta gestão, o setor oferece oportunidades em todos os níveis hierárquicos, inclusive em posições operacionais.
As possibilidades de emprego estão desde a linha de frente do call center até em áreas administrativas. No setor, a jornadas é de seis horas e há regimes flexíveis de trabalho remoto, o que pode atrair profissionais que buscam complementar a renda ou continuar ativos após a aposentadoria.
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Onde estão as oportunidades
Segundo ele, a maioria das contratações é na área operacional, mas também há muita vaga administrativa. "E o administrativo pode ser de alto, médio ou baixo nível gerencial”, exemplifica. Há ainda a valorização dos profissionais 50+ como mentores e referências para os mais jovens.
Em termos de formação, a base do setor é o ensino médio, que contempla cerca de 85% das oportunidades. Segundo Faria, as vagas que exigem apenas ensino fundamental são minoria e geralmente ligadas a funções de apoio, como almoxarifado e limpeza.
Funções mais especializadas em áreas como engenharia, infraestrutura, psicologia e relações trabalhistas demandam ensino superior e aproveitam a experiência prévia trazida pelos profissionais maduros, de acordo com o executivo.
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Proximidade com as pessoas
Diferentemente de Sanches, que ingressou há pouco nesse setor, Marizia Luciana da Silva, de 52 anos, está há 14 anos nos quadros da empresa Atento. Começou em 2011 como operadora no setor bancário. Foi promovida a supervisora em 2012 e, em 2019, alcançou o cargo de gestora de clientes.
Quando entrou, Marizia tinha apenas o ensino médio. Posteriormente, formou-se em Processos Gerais e este ano inicia uma nova graduação em Gestão de Pessoas. Ela, no entanto, acredita que seu diferencial é a empatia e a aproximação com as pessoas.
“Aqui, ouvimos várias histórias, boas e ruins. Casos de pessoas com dificuldades, que não têm onde ficar, não têm como pagar o aluguel”, conta.
Eu gosto muito de conversar, o diálogo é muito importante. Não gosto de desistir de ninguém, porque lá atrás não desistiram de mim, em meio a todas as dificuldades que eu tinha. Mas se estou aqui até hoje, foi porque consegui superar”, afirma.
Ela avalia que foi justamente o seu perfil de buscar o diálogo e ser empática que a ajudou a vencer as dificuldades.
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Em linha com essas características, ela diz que seu sonho é se tornar coach Silva se considera detalhista e observadora. E acrescenta: “Eu recebo pessoas, eu trato com pessoas. Então, estar conectada com elas é muito importante para mim”.
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