Profissional experiente em IA relata mais sobrecarga e burnout, revela estudo
A pesquisa da Wellhub também mostra que 82% dos experientes em inteligência artificial orientam colegas, adicionando um informal de apoio aos colegas
Por Claudio Marques
19/10/2026 | 09h19Adobe Stock
Uma pesquisa em dez países revela que a transformação tecnológica nas empresas demanda preparação e suporte aos colaboradores, com destaque para o aumento da carga de trabalho e do burnout entre trabalhadores que utilizam inteligência artificial no Brasil.
No Brasil, 31% dos colaboradores afirmam que a tecnologia aumentou sua carga de trabalho, e a pesquisa identificou três grupos de usuários de IA: Pioneiros, Adeptos e Iniciantes, com ênfase no impacto negativo sobre o bem-estar dos trabalhadores.
A pesquisa sugere que políticas corporativas claras e acesso a recursos de bem-estar são cruciais para a adaptação às mudanças, com 77% dos colaboradores em empresas com boas práticas se sentindo resilientes, contrastando com apenas 37% em organizações sem essas políticas.
São Paulo - Afinal, usar inteligência artificial (IA) alivia as tarefas ou aumenta a quantidade de trabalho? Segundo a quinta edição do Panorama do Bem-Estar Corporativo do Wellhub, que ouviu mais de 5 mil profissionais, sendo de 500 a 505 por país, os trabalhadores que mais incorporaram IA à rotina de trabalho estão entre os que relatam o maior aumento da carga de trabalho e do burnout no Brasil.
A pesquisa, realizada em dez países - Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Argentina, Chile, Espanha, Itália, Alemanha, México e Romênia - indica que a transformação tecnológica exige das empresas preparação, suporte e bem-estar dos colaboradores, além de investimento em tecnologia.
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O levantamento dividiu os entrevistados em três grupos com base no nível de domínio, conforto e integração da IA à rotina: os Pioneiros (41% do total), que usam a tecnologia como parte essencial do trabalho e ajudam colegas; os Adeptos (32%), que utilizam as ferramentas com frequência, mas ainda não possuem total confiança na integração; e os Iniciantes (26%), que nunca usaram ou apenas experimentaram poucas vezes a IA, muitas vezes associando o uso à ansiedade.
No Brasil, 31% de todos os colaboradores afirmam que o uso da tecnologia na empresa aumentou sua carga de trabalho em vez de reduzi-la. A pesquisa também apurou a percepção Pioneiros (Experientes) em IA e Iniciantes.
O levantamento também apurou o nível de burnout entre esses dois grupos, em que 82% dos mais experientes orientam colegas sobre o uso das ferramentas, assumindo um papel informal de apoio além de suas próprias responsabilidades.
Os dados apontam que a expectativa de que a tecnologia torne o trabalho mais eficiente contrasta com a experiência dos profissionais que mais a dominam, indicando que os trabalhadores na linha de frente da transformação assumem novas responsabilidades e pressões.
Capacidade e adaptação a mudanças
O estudo mostra que a preparação para o uso da tecnologia, a clareza das políticas corporativas e o acesso a recursos de bem-estar estão associados a uma maior capacidade de adaptação às mudanças no ambiente corporativo.
Estamos vivendo um paradoxo. Nunca tivemos tanta tecnologia para aumentar nossa produtividade, mas isso não significa que as pessoas estejam trabalhando menos ou vivendo melhor. A inteligência artificial tem um potencial extraordinário, mas não podemos medir o sucesso dessa transformação apenas pela eficiência que ela gera. Precisamos olhar também para o impacto sobre as pessoas.
Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil
O executivo acrescenta: "Acredito que as empresas mais competitivas serão aquelas que
conseguirem combinar inteligência artificial com bem-estar humano."
No Brasil, 77% dos colaboradores em empresas com política clara e bem comunicada sobre o uso de IA afirmam se sentir resilientes e capazes de se adaptar às mudanças, contra 37% daqueles que não sabem se existe uma política em sua organização.
Da mesma forma, 87% dos profissionais que se sentem preparados para trabalhar com a tecnologia declaram ser resilientes e adaptáveis ao ritmo das mudanças, frente a 45% entre os que não se sentem preparados.
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