CONFIRA

IA no trabalho: empresas precisam preparar funcionários para a mudança

Consultora defende capacitação, revisão de tarefas e suporte emocional para evitar que profissionais sejam desligados sem condições de se recolocar

Claudio Marques

Por Claudio Marques

14/10/2026 | 08h00

Claudio Marques / VIVA

Vicky Bloch diz que a grande diferença da transformação trazida pela IA é a velocidade da mudança - Claudio Marques / VIVA
Vicky Bloch diz que a grande diferença da transformação trazida pela IA é a velocidade da mudança
Ouvir texto 2:27 1x

A transformação no ambiente corporativo, impulsionada pela inteligência artificial, levanta preocupações sobre a obsolescência profissional, semelhante ao que ocorreu no Brasil nos anos 1990, quando 15 milhões de pessoas perderam seus empregos devido a mudanças estruturais e tecnológicas.

A consultora Vicky Bloch destaca a necessidade de suporte emocional e estratégico para os trabalhadores, especialmente os mais graduados, para evitar que fiquem presos ao passado e não se adaptem às novas exigências do mercado.

Ela defende que as empresas garantam a capacitação contínua dos funcionários, evitando demissões de profissionais obsoletos, e que o planejamento de carreira deve se adaptar a um futuro incerto, promovendo autoconhecimento e novas habilidades.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O ambiente corporativo já passa por uma transformação que tende a ser profunda, impulsionada pela disseminação do uso da inteligência artificial. A psicóloga Vicky Bloch, consultora de carreira, coach de altos executivos e membro de conselhos de administração, faz um paralelo entre essa situação e a vivida pelo País nos anos 1990. 

Bloch alerta para a necessidade de se fornecer suporte emocional e estratégico para o profissional, a fim de não repetir o erro daquela época, de colocar na rua um grande número de profissionais com conhecimentos e prática obsoletos.

Publicidade

Bloch conta que, até 1990, a estabilidade nas empresas brasileiras girava em torno de 35 anos. Entre 1990 e 1995, relembra, o País viveu transformações de estrutura, fusões e fechamento de fábricas, em função da abertura da economia e a chegada de novas tecnologias. 

Em consequência, houve 15 milhões de desempregados no período, um quadro que também foi afetado pelas privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso a partir de 1995. É por conta desse quadro que ela faz o alerta sobre a necessidade de não se esquecer o fator humano.

A grande diferença desta transformação é a velocidade muito grande  com que estamos sendo expostos à mudança, e as empresas não estão fazendo nada para dar o apoio devido às pessoas.
Vicky Bloch, consultora de carreira

O que está posto agora pela IA, sublinha, remete ao que o ser humano faz e como ele se livra daquilo que não é humano, aquilo que pode ser feito de outro jeito. Ela aponta que a mudança, quando desprovida de clareza estratégica, faz com que os indivíduos fiquem "agarrados ao passado, que é o que você sabe explicar". 

Publicidade

Em relação aos profissinais mais graduados, a solução, segundo Bloch, é a criação de espaços de apoio e reflexão — como sessões de terapia, coaching, conversas direcionadas e o suporte de colegiados e conselhos consultivos. 

Bloch aponta que a situação torna ainda mais difícil fazer um planejamento de carreira – um conceito, na sua visão, que vem mudando há muito tempo. De acordo com ela, com a transformação, haverá  mais liberdade de escolha e de formatos profissionais menos engessados, o que dá medo, porque não se sabe exatamente como vai ser o futuro. “Mas, por outro lado, se você investir no autoconhecimento, em comportamentos novos, eu acho que só pode ser melhor”, afirma.

No entanto, a perspectiva para o trabalhador comum, com atuação em posições mais baixas na hierarquia corporativa, não é das melhores.

Publicidade
Acho que esse trabalhador está órfão, porque ninguém está cuidando dele do jeito que devia, preparando-o para esse mundo que ele nem sabe que existe, que é um tsunami mesmo.
Vicky Bloch

Para ela, é dever das empresas cuidar responsável e dignamente dessas pessoas, por meio de treinamentos, revisão de processos, de atividades, porque se ele for demitido, ele não sai obsoleto. 

“O que aconteceu na década de 1990 foi isso, nós pusemos na rua obsoletos, que ficaram fazendo a mesma coisa por 20, 30 anos seguidos”, declara. E não foram preparados para o que estava ocorrendo.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.