Quer aprender inglês? Conheça as vantagens de estudar após os 50 anos
Envato
10/01/2026 | 09h11
São Paulo, 08/01/2026 - Para muitas pessoas 50+, a meta de aprender um novo idioma figura na lista de realizações há anos, seja por falta de tempo, de dinheiro ou até mesmo por acreditar que a fase para estudar já passou, deixando esquecido esse objetivo ao longo dos anos.
Porém, diferentemente do que o senso comum mostra, aprender um novo idioma na vida adulta é uma ferramenta importante para a saúde cognitiva, social e até profissional.
Segundo o professor de inglês Daniel Spencer, fundador da plataforma de idioma SpeakJourney e conhecido nas redes por seus vídeos sobre um 'gringo' morando no Brasil, o repertório acumulado durante a vida é um diferencial e uma vantagem para quem busca aprender um novo idioma na maturidade.
“O cérebro infantil tem mais neuroplasticidade, enquanto adultos e idosos acumulam estratégias, repertório e contexto de vida que podem acelerar a aprendizagem quando bem orientados.”
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Spencer observa que na maturidade as motivações para aprender inglês são muito variadas, geralmente ligadas a um propósito pessoal ou experiências de vida, enquanto muitos buscam aprender um novo idioma para se sentirem mais seguros para viver o sonho de conhecer outros países ou visitar amigos e familiares que moram no exterior.
“Temos alunos mais velhos e eles simplesmente adoram a experiência de aprender um novo idioma. O feedback deles é sempre sobre se sentirem capazes, acolhidos e ajudados no processo, e o que mais motiva é o propósito - viagens, família no exterior, novos desafios ou apenas provar para si mesmos que conseguem”, comenta o professor.
Estratégias e técnicas de aprendizado
Buscar o formato que melhor se adeque a sua necessidade é importante para aprender um novo idioma e não se frustrar durante o processo. A tecnologia, por exemplo, pode ser desafiadora em alguns casos.
“Os maiores desafios para quem aprende inglês sendo idoso envolvem o uso da tecnologia moderna, como lidar com plataformas digitais, aplicativos e ferramentas online, além de entender como integrá-las ao processo do estudo, algo que exige adaptação e confiança, especialmente hoje em dia”, comenta Spencer.
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Participar de grupos de estudo, momentos trocas entre outros alunos da mesma idade e assistir a séries e filmes no idioma desejado são algumas das estratégias de aprendizado indicadas para trazer mais conforto e segurança.
“Os melhores meios para aprendizagem variam, cada pessoa é diferente. Mas aprender por áudio, vídeos, conversação guiada e prática ativa traz excelentes resultados em todas as idades, mesmo quando a leitura não é o ponto forte”, comenta Spencer, que completa:
“Jovens também têm dificuldades, então não é sobre idade, é sobre suporte certo e constância no contato com o idioma”.
Para motivar quem deseja aprender um novo idioma este ano, o professor destaca a importância de começar. “Dê o primeiro passo sem medo, porque a idade não é barreira quando existe suporte, prática ativa e uma comunidade que caminha junto. Não deixe a idade te segurar”, finaliza.
Turmas exclusivas para 50+
Atenta às necessidades e aos interesses do público 50+, a professora de inglês Renata Gardiano criou, em 2010, a Tea Time, uma escola de inglês voltada para pessoas acima dessa faixa etária com aulas presenciais em Curitiba (PR) e também online.
A iniciativa surgiu a partir de uma experiência familiar, com uma tia de 60 anos que precisou aprender inglês para se comunicar com o genro estrangeiro, mas não se adaptou ao formato das escolas tradicionais. “Ela tentou estudar em turmas com adolescentes e executivos, mas não se encaixava nos temas nem nas propostas. Foi então que surgiu a ideia de adequar o ensino aos interesses desse público”, conta.
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Gardiano explica que há, sim, especificidades no aprendizado após os 50 anos, como questões relacionadas à retenção de memória. Em contrapartida, ela destaca um fator determinante: a motivação. “É uma escola em que todos estão ali porque querem. Não tem pai nem chefe mandando estudar. Essa motivação leva o aluno para outro lugar de aprendizado, um aprendizado com afeto e interesse”, afirma.
Para ela, as estratégias fundamentais para aprender um novo idioma não diferem das de outras idades. “O que faz qualquer pessoa aprender é dedicação, constância, cadência e vontade. Não tem nada diferente”, diz. A professora ressalta ainda a importância de conectar o conteúdo à vida prática. “Ajudar o aluno a usar o que aprende em contextos reais, como em viagens ou com parentes estrangeiros, faz toda a diferença. O aprendizado precisa dialogar com a vida.”
Evitando frustrações
Assim como em qualquer processo de aprendizagem, o estudo de um novo idioma pode gerar momentos de frustração — e isso também acontece entre os alunos 50+. Segundo Gardiano, essas sensações não devem ser encaradas como um obstáculo definitivo.
“Muitos chegam com expectativas de aprender em um ou dois anos, ou em um ritmo muito acelerado. Quando isso não acontece, surgem pensamentos como ‘parece que não estou aprendendo’ ou ‘acho que não vou sair disso’”, relata.
Nesses momentos, a estratégia adotada pela escola é reforçar o progresso contínuo. “A gente mostra que, sim, o aluno está caminhando rumo a um aprendizado efetivo, um pouco por dia. Para haver retenção, é preciso tempo: 'dormir' sobre o conteúdo, fazer uma aula por vez, se concentrar e seguir uma trilha”, explica.
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A professora também faz questão de desmistificar promessas irreais de aprendizado rápido. “Existe muita coisa vendida na internet, como ‘aprenda dormindo’ ou ‘fique fluente em seis meses’. Isso não corresponde à realidade”, afirma. Segundo ela, o foco deve estar no que já foi conquistado.
“A frustração faz parte, como para qualquer ser humano, mas o mais importante é continuar e valorizar o caminho percorrido.”
Além dos livros e materiais tradicionais, Gardiano também destaca que o uso de recursos digitais, que mesmo nas aulas presenciais contribuem tanto para o aprendizado do idioma quanto para a familiarização com a tecnologia. “Eles aprendem a usar chats, lousa digital e aplicativos. A turma adora o Duolingo, por exemplo, além de jogos como CodyCross e Wordle, que ajudam a ampliar o vocabulário”, conta.
Apesar do sucesso das ferramentas digitais, a professora ressalta que o contato humano segue como essencial:
“A gamificação é divertida e complementa o aprendizado das aulas, mas nada substitui a convivência: a conversa presencial, o café no intervalo, o abraço, sentar ao lado de um colega e fazer exercícios juntos. Isso não tem preço”, finaliza.
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