Como conflito no Irã pode atingir o Brasil e o impacto na sua vida; entenda
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São Paulo e Nova York, 01/03/2026 - Toda essa turbulência internacional, em meio aos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, acontece exatamente no momento em que no Brasil o Banco Central (BC) vinha sinalizando o início do ciclo de corte de juros. Atualmente, a Selic está em 15%, maior patamar em 20 anos. Reflexo desse noticiário, os preços do petróleo tipo Brent, referência internacional, subiram 10% no mercado de balcão neste domingo, atingindo o patamar de US$ 80 por barril.
E qual o impacto disso para o meu bolso aqui no Brasil?
É só seguir o fio: uma disparada nos preços internacionais do petróleo, como a esperada nesta segunda-feira, tem um reflexo em toda a cadeia de preços por toda a economia - impulsionando a inflação. Para tentar conter essa pressão nos preços os bancos centrais tem como principal ferramenta o juro alto.
Efeito cascata
Analistas ouvidos pela Broadcast temem que o aumento dos preços do petróleo no cenário internacional pese na inflação dos EUA e do mundo, reduza o ritmo de crescimento e adie os cortes das taxas de juro por parte de alguns bancos centrais, inclusive do Brasil.
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Antes dos ataques deste sábado, a previsão era de que o movimento do BC brasileiro tivesse início da reunião de março, marcada para entre os dias 17 e 18. Juros altos, como os atuais, têm impacto direto na inflação e consequentemente no poder de compra da população brasileira.
Nos Estados Unidos, enquanto isso, o mercado já considera maiores as chances do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) voltar a baixar suas taxas a partir de junho.
Juros e inflação
Basicamente, qualquer decisão de mudança na taxa básica de juros de um país tem fortes repercussões no custo do crédito, preço dos alimentos e dos serviços, na taxa de câmbio, decisões de investimentos e nos rendimentos das aplicações financeiras. A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controle da inflação.
As decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) são tomadas visando com que a inflação oficial (medida pelo IPCA) situe-se em linha com a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) - que por sua vez é composto pelo presidente do BC e os ministros da Fazenda e do Planejamento.
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Petróleo na faixa de US$ 100
Segundo especialistas ouvidos pela Broadcast, os preços do petróleo podem subir para uma faixa de US$ 80 a US$ 100 por barril em meio aos desdobramentos desse conflito. Após os ataques deste sábado, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, foi morto. Ao mesmo tempo, o Estreito de Ormuz, por onde escoa mais de 20 % do petróleo do mundo, foi fechado, informou a agência de notícias iraniana Tasnim, ligada ao governo do país.
A reação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) ao conflito será determinante para o patamar dos preços da commodity, observam os analistas.
Em reunião virtual realizada neste domingo, oito países que compõem o grupo Opep+ decidiram retomar a reversão gradual dos cortes voluntários de produção, estabelecendo um ajuste de 206 mil barris por dia (BPD) a ser implementado em abril de 2026. Segundo comunicado oficial do grupo, a medida marca o reinício da devolução dos 1,65 milhão de BPD em ajustes voluntários anunciados originalmente em abril de 2023.
Reflexos para a economia global
O economista-chefe para Mercados Emergentes da Capital Economics, William Jackson, explica que, como regra geral, um aumento anual de 5% nos preços do petróleo geralmente adiciona cerca de 0,1 ponto porcentual à inflação média nas principais economias mundiais.
Outro alerta diz respeito aos bancos centrais que são esperados para flexibilizarem as políticas monetárias em suas geografias, a exemplo do Brasil. Os bancos centrais que eram esperados para cortar as taxas este ano enfrentarão um cálculo "mais complicado" se a energia retroalimentar nos preços ao consumidor e nas expectativas de inflação, segundo Green, do deVere Group.
Isso pode desacelerar o ritmo de flexibilização monetária pelos principais bancos centrais, particularmente nos mercados emergentes, onde os formuladores de políticas tendem a ser mais sensíveis às oscilações nos preços das commodities, acrescenta Jackson, da Capital.
(Com Aline Bronzati)
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