CONFIRA

Sobre a coluna

Fundador e CEO da Maturi, plataforma para profissionais 50+.  É  empreendedor social com pós-graduação em Gestão da Inovação Social pelo Amani Institute.


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Sua experiência não aparece no Google? Saiba consertar sua marca pessoal

Marca pessoal não é se exibir. É só a história que os outros conseguem encontrar sobre você. Saiba contar a sua com a ajuda do consultor em carreira

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Quem tem hoje 50, 55, 60 anos construiu a carreira num tempo em que reputação se fazia no corredor - Envato
Quem tem hoje 50, 55, 60 anos construiu a carreira num tempo em que reputação se fazia no corredor
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Profissionais com mais de 50 anos enfrentam dificuldades em se destacar online, resultando em uma invisibilidade de suas trajetórias e conquistas, o que pode impactar suas oportunidades de trabalho e reconhecimento no mercado.

Estudos mostram que, embora um terço dos brasileiros com 60 anos ou mais utilize inteligência artificial, a diferença de uso em comparação com profissionais mais jovens é mais sobre acesso e oportunidade do que capacidade.

A Maturi está promovendo workshops em São Paulo e Belo Horizonte para ajudar profissionais maduros a fortalecerem suas marcas pessoais e aprenderem a utilizar a tecnologia a seu favor, visando reduzir a invisibilidade no mercado de trabalho.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Faça um teste rápido. Abra o Google e digite seu nome completo. O que aparece Para muita gente que eu conheço, com 30, 35 anos de carreira, a resposta é quase nada. Às vezes, um perfil no LinkedIn parado desde 2016, com um cargo que nem existe mais. Às vezes um homônimo. Às vezes, silêncio...

E aí está um descompasso que pouca gente percebe. A pessoa liderou equipes, atravessou três crises econômicas, implantou sistema, abriu filial, formou gente que hoje ocupa cargo de diretoria. Mas, para quem procura um profissional pela internet, essa trajetória simplesmente não existe.

Quero falar sobre isso hoje, porque tenho visto esse cenário se repetir muito na Maturi, e porque ele tem solução.

Ninguém avisou que as regras tinham mudado

Quem tem hoje 50, 55, 60 anos construiu a carreira num tempo em que reputação se fazia no corredor. Era o chefe que indicava, o colega que lembrava do seu nome numa reunião, o cliente que ligava pedindo "aquele seu funcionário que resolveu o problema da outra vez".

O bom trabalho falava por si, e isso bastava. Esse mundo não acabou, mas encolheu. Hoje, antes de qualquer conversa, alguém vai pesquisar o seu nome.

O recrutador, o possível sócio, o cliente, o organizador do evento que está pensando em te convidar para uma palestra. E o que ele encontrar ali vai formar a primeira impressão. Não é que essa geração tenha ficado para trás por descuido. É que a regra mudou no meio do jogo, e ninguém parou para explicar.

O valor da marca pessoal

A gente aprendeu que falar de si mesmo era falta de modéstia. Que currículo bom era currículo curto. Que trabalho se mostra trabalhando. Faz todo sentido que, depois de décadas ouvindo isso, a ideia de "marca pessoal" soe estranha, quase como coisa de influenciador.

Mas marca pessoal não é se exibir. É só a história que os outros conseguem encontrar sobre você. E se você não contar a sua, o vazio conta por você.

A inteligência artificial entra nessa história

É aqui que muita gente torce o nariz. Já não basta atualizar o LinkedIn, agora também precisa aprender inteligência artificial? Entendo o cansaço.

Mas os números contam uma história diferente da que costuma aparecer nas manchetes. A pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, mostrou que um terço dos brasileiros que usam internet já recorre à IA generativa. Entre as pessoas com 60 anos ou mais que usam essas ferramentas, mais de um terço faz isso para fins de trabalho.

Outro levantamento, da Fundação Itaú com o Datafolha, indicou que cerca de 19% dos brasileiros 60+ já usam IA com regularidade, contra 41% na faixa dos 25 aos 34 anos.

Ou seja, existe uma diferença, sim. Mas ela não é de capacidade. É de acesso, de oportunidade e de espaço para aprender sem ser julgado.

Na base da Maturi, com mais de 270 mil profissionais maduros cadastrados, tecnologia e inteligência artificial aparecem como a segunda área de maior interesse. O interesse está lá. O que muitas vezes falta é alguém que mostre o caminho sem tratar a pessoa como se ela estivesse atrasada.

Como a IA pode trabalhar a seu favor

Eu gosto de pensar na IA como um bom interlocutor. Aquele colega paciente que faz perguntas, ajuda a organizar as ideias e não se cansa de reescrever o mesmo parágrafo dez vezes.

Na prática, ela pode ajudar a traduzir a sua trajetória para a linguagem de hoje. Muitos cargos e funções mudaram de nome nas últimas décadas.

  • O que antes era "chefe de seção" hoje pode ser "coordenação de operações".
  • O que você chamava de "organizar a casa" depois de uma fusão hoje o mercado chama de "gestão da mudança".

Você pode descrever o que fez com as suas palavras e pedir para a IA ajudar a encontrar os termos que os recrutadores estão buscando. Ela também ajuda a destravar o famoso campo "Sobre" do LinkedIn, aquele que quase todo mundo deixa em branco porque não sabe o que escrever.

Como começar?

Um bom começo é contar para a ferramenta, como se estivesse conversando com um amigo, três momentos da sua carreira dos quais você tem orgulho. Depois, pedir que ela transforme isso num texto curto, em primeira pessoa, sem exageros.

O resultado não sai pronto, mas sai um rascunho, e rascunho é muito mais fácil de melhorar do que página em branco.

E dá para ir além. Simular uma entrevista de emprego, preparar uma apresentação, revisar o currículo para uma vaga específica, pensar em temas para escrever e compartilhar o que você sabe.

Só vale lembrar de três cuidados. A IA não conhece a sua história, quem conhece é você, então tudo o que ela escrever precisa passar pelo seu filtro.

A IA às vezes inventa informações com toda a confiança do mundo, por isso revise sempre. E evite colocar ali dados pessoais sensíveis, como documentos e informações financeiras. O objetivo não é deixar a máquina falar por você. É usar a máquina para que a sua voz, finalmente, chegue mais longe.

A experiência invisível é um prejuízo coletivo

Gosto de lembrar que esse problema não é só de quem tem 50 anos ou mais.

Quando a experiência de milhões de profissionais fica invisível, quem perde é também o mercado, que deixa de enxergar gente pronta, e as empresas, que continuam dizendo que 'não encontram talentos', enquanto eles estão ali, a uma busca de distância.

Por isso eu acredito que essa conversa precisa ser coletiva. Não se trata de pedir que cada pessoa corra atrás sozinha, mas de criar espaços onde ela possa aprender com calma, trocar com outras pessoas na mesma fase e sair com ferramentas concretas na mão.

Foi pensando nisso que a Maturi preparou dois encontros em novembro, um em São Paulo e outro em Belo Horizonte. Em São Paulo, eu mesmo vou conduzir um workshop prático, sem tecnicês, para a gente sair de lá com o perfil mais forte e menos receio da tecnologia. Em BH, o MaturiDay reúne uma tarde inteira de conteúdo, conexões e trocas sobre carreira e longevidade.

Se você chegou até aqui, este convite é para você. Sua experiência é real. Ela só precisa ser encontrada.

Inscreva-se

- Workshop Inteligência Artificial e Marca Pessoal para profissionais 50+

Quando: 11 de novembro, quarta-feira, às 19h30

Onde: Unibes Cultural, Rua Oscar Freire, 2.500, ao lado do metrô Sumaré, São Paulo

Inscrição: gratuita, com vagas limitadas pelo site unibescultural.org.br

- MaturiDay Belo Horizonte
Quando: 16 de novembro, segunda-feira, das 14h às 20h

Onde: Espaço Vista, bairro Estoril, Belo Horizonte

Inscrição: R$ 29, pelo site maturiday.com.br

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