OMS debate adaptação de cidades à pessoa idosa em Congresso; acompanhe
Linkedin/3rd World Congress of Age Friendly Cities and Communities
São Paulo - Um encontro internacional para discutir os direitos, o acolhimento e a inclusão das pessoas idosas nas cidades ao redor do globo teve início nesta terça-feira, 16, em San Sebastián, na Espanha. O 3º Congresso Mundial de Cidades e Comunidades Amigas da Pessoa Idosa (3rd World Congress of Age-Friendly Cities and Communities), que se estende até o dia 18, reúne autoridades, gestores e especialistas sob o tema "Transformando Juntos! Um Mundo Conectado, Equitativo e Sustentável".
O evento é o principal fórum da rede global da Organização Mundial da Saúde (OMS), criada em 2010 para conectar localidades empenhadas em adaptar serviços e estruturas urbanas que visam ao envelhecimento saudável.
A região das Américas lidera essa aliança mundial, concentrando mais de mil dos 1,7 mil membros. No entanto, a realidade latino-americana exige urgência.
A consultora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Cristina Hoffmann, ressalta a velocidade da transição demográfica brasileira frente à dos países desenvolvidos. "Enquanto alguns países levaram mais de 100 anos, como a França, para dobrar o seu percentual de pessoas idosas, o Brasil está fazendo isso em 25 anos."
A especialista alerta que esse salto ocorre muitas vezes sem o suporte financeiro e as condições estruturais ideais. Para contornar esses gargalos, a programação da atividade promove o debate de temas práticos, como:
- Habitação intergeracional e espaços ao ar livre;
- Adequação de transportes e combate ao idadismo (preconceito etário);
- Avanços tecnológicos nos cuidados locais;
- Construção de comunidades resilientes às mudanças climáticas.
O que nós, enquanto Opas, esperamos é poder articular os nossos membros afiliados, ampliar o número de municípios brasileiros que façam parte da rede e, desta forma, fortalecer as políticas públicas de um modo geral, para que elas também acolham, deem voz e incluam as pessoas idosas e as suas necessidades."
O Brasil chegou ao fórum com uma delegação composta de representantes do governo federal, Estados (Paraná e Rio de Janeiro), municípios e academia. A Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, que oficializou a adesão do governo federal à rede no início deste ano, busca usar a vitrine mundial para fortalecer sua agenda.
"Nós estamos aqui principalmente para mostrar o comprometimento do governo federal em assegurar a possibilidade de que todos os municípios possam construir soluções e garantir direitos para todas as pessoas idosas", afirmou ao VIVA o secretário nacional, Alexandre da Silva.
As políticas públicas do País terão destaque internacional: a equipe brasileira conduz a Plenária 4, voltada ao "Fortalecimento do Apoio e da Colaboração entre Pares", debatendo o tema diretamente com lideranças da Austrália, Irlanda, México e Quênia. O Brasil é, inclusive, coanfitrião do evento global.
O gerontólogo brasileiro Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil (ILC-BR) e um dos pioneiros da rede, também ganhou grande destaque na Cerimônia de Abertura de Alto Nível do evento, onde participou como um dos Embaixadores do Congresso.
Reforçando a urgência da cooperação global, Kalache fez um apelo direto aos países desenvolvidos para olharem para a realidade latino-americana e de outras nações em desenvolvimento.
"80% do aumento de pessoas idosas acontecerá no sul global neste século, então peço aos representantes de cidades e países mais ricos que se unam e apoiem as cidades e os países do sul global para que tenhamos essa sustentabilidade em nossos projetos."
São Paulo em destaque
Um ponto crucial reforçado durante o evento é que integrar a comunidade global não significa receber um certificado definitivo, mas sim firmar um pacto contínuo de trabalho.
A cidade de São Paulo, que passou a fazer parte da aliança em 2025, é o grande exemplo desse desafio. Como metrópole, a capital lida com uma profunda desigualdade no envelhecer, na qual a expectativa de vida pode variar em até 10 anos a depender do bairro em que se reside, expõe a consultora.
Para Cristina Hoffmann, a entrada da capital paulista é um marco fundamental que exige rigorosos passos organizacionais monitorados pela Opas:
- Diagnóstico profundo: realização de uma escuta ativa das pessoas idosas do território;
- Plano de ação: cumprimento de metas e prazos estabelecidos para adaptar a cidade.
"Se um município da dimensão de São Paulo consegue se organizar e pensar em melhorar as suas ruas, a sua segurança e a sua inclusão, outros municípios também se sentem incentivados", avalia a consultora.
O acompanhamento desse compromisso é contínuo, envolvendo planos de ação rigorosos e um monitoramento sistemático, realizados pelos escritórios da Opas e por comitês gestores locais.
O que ajudou a fortalecer essa fiscalização e o suporte, no entanto, foi uma mudança estrutural recente. Desde 2022, o Brasil conta com uma consultoria específica de envelhecimento dentro do escritório local da Opas para acompanhar de perto os esforços dos municípios que aderiram à rede.
A adesão significa um compromisso assumido pelos gestores de desenvolver um programa a partir de um diagnóstico, de uma escuta das pessoas idosas, e eles têm um prazo para executá-lo e se organizar."
Mais do que um espaço de intercâmbio, o congresso já trabalha na definição de metas práticas. Reuniões paralelas buscam mapear vulnerabilidades e alinhar estratégias sólidas, pontua Hoffmann.
"Uma questão sobre a qual temos conversado muito aqui, que o Brasil já vem pensando, é como nós fortalecemos parcerias e uma rede, por exemplo, de universidades que possam apoiar os municípios no desenvolvimento das suas ações, na elaboração de um diagnóstico sobre as necessidades, na formação e atualização de profissionais."
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