Carla Marins, de volta à TV em "Três Graças", fala sobre envelhecimento
Divulgação/Globo/Estevam Avellar
São Paulo - Desde os 17 anos de idade, Carla Marins entra na casa dos telespectadores brasileiros. Aos 57, ela volta de uma pausa de 12 anos à TV como Xênica, em "Três Graças". Mãe de um adolescente, ela compartilha sua rotina de atividades físicas e bem-estar em seu perfil no Instagram.
Estou me preparando para um terceiro momento da minha vida, a velhice, que vai chegar daqui a pouquinho. E acho que vai ser feliz", conta, em entrevista exclusiva ao VIVA.
A atriz começou a chamar a atenção já em sua primeira novela, como Carola, em "Hipertensão", que foi ao ar na Globo entre 1986 e 1987. A partir de então, seu rosto e seu sorriso largo emolduraram mocinhas e vilãs, como Sininho, de "Bambolê" (1987-1988), e Eliane, de "Pedra Sobre Pedra" (1992), entre outras.
Mas foi vivendo Joyce, mãe adolescente e filha de uma das Helenas do autor Manoel Carlos (interpretada por Regina Duarte), em "História de Amor"(1995-1996), que Carla, de fato, ganhou projeção nacional, por sua postura combativa. "Foi realmente um marco", admite a atriz.
A mais recente reexibição de "História de Amor" foi ao ar nas tardes da Globo até setembro do ano passado e, já em outubro, Carla aparecia como Xênica na novela das 9 da casa, "Três Graças", de Aguinaldo Silva, marcando sua volta à emissora.
A maternidade, aliás, se torna um fator de comparação entre sua Joyce e outra personagem, Joélly (vivida por Alana Cabral), de "Três Graças", que repete a sina da gravidez na adolescência, mas agora com uma abordagem atualizada pelo dramaturgo.
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Casada na vida real com o personal trainer Hugo Baltazar e mãe de Leon, de 17 anos, a atriz fala sobre sua personagem na reta final de "Três Graças", suas escolhas pessoais e profissionais e sobre como está preparando para o envelhecimento. Leia a seguir:
VIVA: Como surgiu o convite para voltar a fazer novela na Globo?
Carla Marins - Foi uma coincidência maravilhosa. Vi a notícia que o Aguinaldo Silva, que eu amo, ia voltar com uma novela. Fiz três sucessos dele. Gosto do jeito que ele escreve. Mandei mensagem para o Luiz Henrique Rios, que é o diretor artístico, e falei que adoraria trabalhar com o Aguinaldo de novo, que faria teste. E ele, muito gentil, disse que eles já estavam pensando em mim. O meu desejo se alinhou a um desejo do Aguinaldo e da equipe.
Que coincidência...
Acho que a reprise da novela “História de Amor” teve uma repercussão muito grande. A Joyce foi uma personagem muito emblemática na minha carreira. Estive no programa da Patrícia Poeta, “Encontro”, e o Guilherme Gobbi, que é da direção de departamento de elenco, me viu e também achou que a personagem Xênica poderia ser feita por mim. Foi um misto de coincidências boas.
Falando em Joyce, nessa última vez que a novela reprisou, você teve um olhar diferente para ela?
Tive, sim. Isso graças ao movimento da própria sociedade, aos questionamentos, às reflexões que vêm acontecendo. Hoje, vejo a Joyce como uma menina que estava em um relacionamento tóxico, abusivo. Ela, muito jovem, ainda com 17 anos. O rapaz já tinha alguma coisa de um alpinismo social.
Não sei se a sociedade a viu assim, mas eu a vi de uma maneira mais empática, entendendo todas as nuances: ela vindo de uma família disfuncional, pais separados que não se davam bem, que disputavam o amor dela.
Muita gente era reativa à forma como a Joyce lidava com suas questões. Vê isso também como misoginia?
Não tinha pensado sobre isso, mas perfeita a sua colocação. Até pelo fato de ela ser uma menina combativa, ela lutava pelo que acreditava. Ela queria ser amada, queria uma relação bacana, um pai presente para a filha dela. Isso não foi bem aceito. E talvez hoje ainda não tenha sido.
As mulheres com voz, que não performam uma feminilidade, uma docilidade, são vistas como uma ameaça ainda."
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Em "Três Graças", sua personagem é uma peça importante para a queda do Santiago Ferette (Murilo Benício). Você sabia que ela ganharia esse peso na trama?
Essa virada toda, não. Essa novela foi assim para todo mundo: a gente tinha algumas informações, e foi construindo e descobrindo durante o fazer. Os autores guardaram praticamente tudo, todas as informações.
Como vê sua trajetória profissional?
Acho que dediquei os primeiros 20 anos, dos meus 17 aos 37, para um crescimento profissional. Eu realmente coloquei isso como prioridade. Inclusive, acho que dos 20 aos 30 anos é uma década de ouro. É uma década de descoberta, de autoconhecimento. Se você conseguir passar por essa década sem ter filhos, sem se casar, vivendo para você, aproveitando para se autoconhecer, eu acho incrível.
Ainda tive a possibilidade de ter a próxima década também voltada para o meu crescimento profissional, amealhando um patrimônio que me deu, nos 40 anos, a possibilidade de tirar um pouquinho o pé (do acelerador), para poder viver um outro lado que também é muito importante, o meu lado pessoal.
E a que você se dedicou nessa fase pessoal?
Aí me casei, fui mãe, estou há 20 anos com o meu parceiro, criando o nosso filho, que tem 17 agora. Estou feliz com as minhas escolhas, feliz com a minha trajetória, me sentindo cada vez mais completa e me preparando, sim, para um terceiro momento da minha vida, que é a velhice, que vai chegar daqui a pouquinho.
Estou me preparando para vivê-lo com potência. E me preparando mesmo: minha mente, meu cognitivo, meu corpo, minha saúde para esse novo momento, que acho que vai ser feliz. Como todos os outros já foram.
Você sempre investiu em atividade física?
Sempre tive uma ligação com o corpo. Fiz Escola Nacional de Circo, escola de mímica em Paris, fiz dança, balé. O corpo, o movimento sempre voltados para o trabalho. Mas aí, com a chegada do Hugo Baltazar na minha vida, que é um profissional seríssimo da área, passei a fazer exercícios físicos com mais frequência, com uma série feita para mim, cuidando das minhas disfunções. Percebi que eu consegui evoluir nessa questão do exercício e entender a importância dele não só para o físico, mas para a mente.
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Nesse momento da menopausa, os exercícios físicos foram fundamentais para que eu dormisse melhor, para que eu tivesse um cognitivo melhor, inclusive para decorar texto."
Procuro dar uma corridinha antes de estudar, porque isso ativa tudo, é impressionante. Então, acho que o exercício físico é um grande aliado, não só na minha vida profissional, mas hoje em dia na minha vida pessoal, para que eu mantenha a minha cabeça em ordem.
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