Vai assistir ao jogo? Saiba como evitar riscos de hipertensão e infarto
Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo
São Paulo - A possibilidade de ver o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo 2026 com a família ou os amigos abre uma porta para mudanças na rotina, excessos e concessões na alimentação que podem impactar a saúde cardiovascular.
"O excesso de sódio eleva a pressão arterial, enquanto o álcool contribui para a desidratação e para alterações no ritmo cardíaco. Quando associados ao estresse intenso de um jogo, esses fatores sobrecarregam o organismo e podem precipitar crises hipertensivas e arritmias graves, especialmente em pacientes que já possuem histórico de doenças cardiovasculares", explica Rafael Battilani, cardiologista e professor do curso de Medicina da UniCesumar de Maringá (PR).
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Ela destaca que durante os jogos, o organismo entra em um estado de alerta comparável a situações de estresse agudo. "Há a ativação do sistema nervoso simpático, que provoca o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial". Em pessoas sem condições pré-existentes, essas alterações são temporárias. No entanto, para grupos de risco, o impacto pode ser deletério, complementa o docente.
Em pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico de infarto, isso pode precipitar descompensações. Sintomas como aperto no peito, falta de ar súbita, palpitações duradouras e sensação de desmaio nunca devem ser ignorados e exigem atendimento imediato."
Cuidados com a alimentação
Para desfrutar os jogos com saúde é fundamental adotar uma boa alimentação e manter a hidratação em dia, diz a nutricionista especialista em hipertensão e professora da Uninter, Karyne Marvila.
Em artigo enviado ao VIVA, ela pontua que em dias de partidas decisivas os serviços de emergência costumam registrar aumento nos atendimentos relacionados à saúde cardiovascular.
Isso não acontece apenas pela tensão do futebol. Os excessos que normalmente acompanham esses momentos também entram em campo: maior consumo de álcool, alimentos ultraprocessados, excesso de sal, sedentarismo e descuido com a própria saúde."
Marvila ressalta que é comum que as confraternizações sejam marcadas por embutidos, frituras, salgadinhos e fast-food. "Esses alimentos favorecem a retenção de líquidos, o aumento da pressão arterial e a sobrecarga cardiovascular. Quando associados ao consumo elevado de bebidas alcoólicas e à baixa ingestão de água, os riscos se tornam ainda maiores."
Isso não significa deixar de aproveitar a Copa do Mundo, pondera. "O esporte também possui um papel positivo, despertando interesse pela prática de atividade física e incentivando hábitos mais saudáveis. Pequenas escolhas fazem diferença", complementa.
A emoção do futebol faz parte da cultura brasileira, mas nenhuma comemoração vale mais do que a saúde. A Copa também pode ser um momento importante de conscientização sobre hipertensão e prevenção cardiovascular."
Gerenciamento de estresse
Além dos impactos físicos, o evento esportivo atua diretamente na saúde mental, afirma a coordenadora do curso de Psicologia da UniCesumar de Curitiba, Andrea Rua.
Nesse sentido, ela diz que o futebol promove uma experiência coletiva que gera picos de euforia e frustração em curtos períodos de tempo, o que é normal até certo ponto, mas passa a ser problema de saúde quando afeta o sono, a concentração no trabalho e as relações interpessoais.
“O comportamento em grupo intensifica as reações emocionais, tornando as emoções contagiosas. É fundamental que o torcedor observe seus próprios sinais físicos de tensão e aplique estratégias de autocuidado para regular o estresse", explica, e completa:
A resiliência emocional se fortalece quando compreendemos que o esporte deve ser uma fonte de lazer e integração social, e não um gatilho para o sofrimento constante.”
Medidas práticas de prevenção
Para que o período do campeonato seja aproveitado de forma segura, os especialistas destacam algumas diretrizes práticas de prevenção:
- Adesão aos tratamentos: Pacientes com doenças crônicas não devem, sob nenhuma circunstância, interromper o uso das medicações prescritas.
- Moderação no consumo: Reduzir a ingestão de alimentos com excesso de gordura e sódio. O consumo de álcool deve ser intercalado com a hidratação contínua com água.
- Higiene do sono: Manter a rotina de descanso estruturada, adaptando-se com cautela aos horários alternativos das partidas.
- Regulação emocional: Praticar exercícios de respiração nos momentos de maior tensão e focar na convivência social positiva.
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