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Claudio Torres, filho de Fernandona: "Velhos Bandidos não é seu último filme"

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Cena de "Velhos Bandidos", com Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta e Bruna Marquezine - Divulgação
Cena de "Velhos Bandidos", com Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta e Bruna Marquezine
Por Adriana Del Ré

26/04/2026 | 12h30

São Paulo - Nas primeiras cenas do filme "Velhos Bandidos", em cartaz nos cinemas, um casal de idosos sai de casa e parte rumo a um cruzeiro. Certa de que aquela residência está vazia, um outro casal, mais jovem, invade o local em busca de dinheiro. Eles querem reforçar o pé de meia, para se aposentar com um valor milionário na conta bancária. 

Claramente, a dupla de trambiqueiros foi enganada pelo estereótipo de que pessoas idosas são frágeis, fáceis de serem enganadas. Isso é dito, inclusive, textualmente: "Jamais subestime os velhos".

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E eles aprendem a lição da forma mais inusitada possível. Durante o assalto, Nancy e Sid (interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta) são surpreendidos pelo retorno dos donos da casa, Marta e Rodolfo (papéis de Fernanda Montenegro e Ary Fontoura), que tiveram de voltar para pegar os passaportes esquecidos. 

Astuto, o casal nonagenário mostra que também tem suas armas, imobiliza os dois jovens e os obriga a participar de um plano mirabolante: um roubo a banco. A motivação é um acerto de contas com o ex-patrão de Rodolfo, uma vigança maturada por anos que finalmente encontra os cúmplices ideais. 

Claudio Torres aparece sorrindo, sendo abraçado por Lázaro Ramos
Claudio Torres, diretor do filme, com Lázaro Ramos, na sessão especial do filme - Divulgação/Roberto Filho

Esse é o ponto de partida da comédia dirigida por Claudio Torres, que também assina o roteiro, em parceria com Fabio Mendes e Renan Flumian, e colaboração do filho Davi Torres. Filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres (1927-2008), o cineasta brinca com a alternância constante entre protagonistas e antagonistas ao longo do filme: se em um momento o público se vê torcendo pelos carismáticos Marta e Rodolfo, logo a simpatia se volta para os não tão vilões assim Nancy e Sid.

Mas a principal sacada de "Velhos Bandidos" é a reunião de um elenco 70+, formado por um dream team da dramaturgia brasileira: além de Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, os atores Reginaldo Faria, Vera Fischer, Teca Pereira, Hamilton Vaz Pereira, Tony Tornado e Nathalia Timbergfazem participação especial no longa.

Essa turma é encabeçada por Fernandona e Nathalia, ambas com 96 anos; Tony, 95 anos; e Ary, 93 anos. No final das contas, eles são as grandes estrelas do filme, todos vivendo personagens que refutam qualquer estereótipo etarista. A produção conta também com Lázaro Ramos e Laila Garin.  

Seguindo a cartilha do gênero 'roubo a banco' — mas também tirando sarro dele —, "Velhos Bandidos" traz tensão, traição, fuga e perseguição, mas adaptadas à realidade das estrelas do filme: aqui, a ação se dá com ajuda de cadeiras de rodas e ambulâncias.

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Em entrevista ao VIVA, Claudio Torres fala sobre a escolha do tema do filme, a relação com a mãe no set e palpita sobre o futuro dela no cinema:

VIVA - Você disse que esse trabalho foi um presente para sua mãe, é isso?

Claudio Torres - Para mim, também foi. Nunca tinha acontecido de eu dirigi-la como protagonista de um filme. Ela fez o meu primeiro filme, "Redentor", uma participação super importante. Depois, eu a dirigi em "Traição". Mas como protagonismo mesmo, a gente nunca tinha se dado esse prazer.

E eu quis fazer comédia. Quis fazer algo com que a gente se divertisse fazendo e que, ao mesmo tempo, desse para ela uma imagem de poder, de beleza que ela tem. Foi uma coisa que faltava entre mãe e filho, e a gente foi muito feliz fazendo assim. 

E você queria comédia. Não queria drama ou algum outro gênero?

Quando você faz um filme ou uma série, você mergulha naquele universo, e convive com aquilo o tempo que a produção dura para ser feita: desde a escrita até ser lançada. Quando o assunto é duro, você fica muito tempo com aquilo. Na realidade, o mundo está precisando de alegria, de leveza, a gente está precisando rir. 

Tony Tornado, Vera Fischer, Teca Pereira, Hamilton Vaz Pereira e Reginaldo Faria estão enfileirados, um ao lado do outro
Grande elenco 70+: Tony Tornado, Vera Fischer, Teca Pereira, Hamilton Vaz Pereira e Reginaldo Faria - Divulgação

Gosto de comédia. E com minha mãe, nesse filme, eu queria fazer humor, com reflexão. Acho que essa é a diferença. Hoje, no Brasil, quando você fala em comédia, pensa em Paulo Gustavo, (Leandro) Hassum, Ingrid (Guimarães), Tatá (Werneck), você vai para uma coisa mais física, de um humor mais explícito.

A minha mãe mesmo diz que o que a gente fez foi alta comédia, que é uma comédia mais fina. Você vai com um sorriso, às vezes dá uma gargalhada. Mas você chega na emoção, na reflexão. 

Como é trabalhar dirigindo sua mãe?

Não deixa de ser mãe e filho nunca. Ao mesmo tempo, estou numa função, ela está na outra. A função do diretor é explicar como vai fazer aquela cena. Os atores dão a alma aos personagens. Acho que todo mundo tem um cuidado como se ela fosse quebrar, tem uma reverência. E conheço o que ela aguenta. É igual a minha relação com todos os outros atores, mas o que eu tenho com ela é uma intimidade, um conhecimento dela e uma não reverência, talvez, maior do que o resto das pessoas.

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Como vocês chegaram a essa ideia de roteiro?

Durante a pandemia, eu escrevi um filme para minha mãe protagonizar que se chamava "Anja". Uma história de uma anja que arrancava as asas, revoltada com o patriarcado do céu, e vinha para a Terra punir os homens maus. E minha mãe demorou um ano para dizer não para mim. Depois que acabou a pandemia, ela foi me cozinhando. Falou: vamos fazer uma coisa mais terrena. Eu estava trabalhando com o Fabio em um outro projeto. 

Perguntei se não tinha um roteiro na gaveta e ele falou que tinha escrito um filme sobre dois casais de velhos brasileiros que roubavam, em Lisboa, o tesouro português, que é composto pelo ouro brasileiro. Falei que, se a gente pegasse um casal velho e um casal novo, esquecesse Lisboa e fazesse um roubo a banco no Rio, eu teria o casal protagonista para fazer os velhos. Eles toparam.

Acho que foi bonito por parte da Bruna, do Lázaro e do Vladimir cederem o protagonismo, ajudarem a manter a energia, a empurrar cadeira de rodas, a correr.

Claudio Torres está rodeado por parte de seu elenco, com a tela de cinema ao fundo com o cartaz do filme
Claudio Torres, rodeado por parte do elenco do filme: Laila, Hamilton, Reginaldo, Lázaro, Fernandona, Ary e Bruna - Divulgação/Roberto Filho

Fernanda anunciou que vai se aposentar do cinema. Esse filme será o último dela mesmo?

Acho que não. Quem for bolar um filme para ela protagonizar tem que pensar em como poupá-la, é um pouco isso, porque fisicamente é exigente. Quando ela desistiu de "Anja", acho que ela mesmo entendeu ali que tinha um esforço maior.  Não que eles não corressem. O Ary está inteiraço, ela está inteiraça.

Acho que ela está escolhendo mais do que já escolheu, e tem as leituras que ela está fazendo, do Nelson Rodrigues, da Simone de Beauvoir, e agora do Cícero (filósofo romano), que vai ser uma terceira leitura. Ela não vai parar de trabalhar, vai viver muito ainda. Ela passa dos 100 anos de braçada. Se alguém chegar com um papel bom, ela vai fazer na hora. 

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