Com shows no Brasil, Jon Secada celebra carinho de fãs no País: 'Sortudo'
Divulgação/Thiago Siqueira
São Paulo - Há 35 anos, Jon Secada via sua vida mudar completamente após seu disco de estreia, que levava seu nome, estourar nas paradas dos Estados Unidos e ganhar o mundo. Foram mais de seis milhões de cópias vendidas, além de o álbum alcançar o 15º lugar na cobiçada parada Billboard 200. Esse fenômeno foi puxado, principalmente, por hits como "Just Another Day" e "Angel".
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Quem viveu no Brasil no início dos anos 1990 lembra como "Just Another Day" dominava a programação das rádios – e até hoje é executada em emissoras brasileiras, sobretudo as especializadas em repertórios nostálgicos.
Essa conexão fez com que o músico cubano criado em Miami (EUA) se tornasse queridinho do público brasileiro e colocasse o País na sua rota de shows, como ele faz agora, com o espetáculo "Canções Eternas".
Em companhia da cantora brasileira Marina Elali, que ele conhece desde 2009 – e com quem gravou um DVD –, Secada se apresenta nesta sexta (28), no Qualistage, no Rio de Janeiro, e no domingo (30), no Espaço Unimed, em São Paulo.
Essa conexão com meus fãs brasileiros é um lindo mistério. Simplesmente aconteceu e me sinto muito sortudo", diz o cantor e compositor, de 64 anos, em entrevista exclusiva ao VIVA.
O repertório reúne músicas que marcaram a carreira dos dois artistas. Enquanto Secada interpreta seus clássicos, como "Just Another Day", "Angel" e "Mental Picture", Marina relembra canções como "Eu Vou Seguir" e "One Last Cry", que fizeram sucesso em novelas.
Juntos, eles fazem dueto em baladas como "Endless Love" e versões bilíngues, em português e inglês, de "Você" e "Eu Sei que Vou Te Amar".
No caso de Jon Secada, ele é conhecido como “Rei do Crossover Latino”, por transitar entre o inglês e espanhol em suas composições. Isso acontece desde seu primeiro disco, que trazia também as versões em espanhol "Otro Día Más Sin Verte" e "Angel", compostas em parceria com Miguel A. Morejon e Gloria Estefan.
Também de origem cubana, Gloria fez fama à frente do grupo Miami Sound Machine, entre os anos 1970 e 80, para depois seguir uma bem-sucedida carreira solo. E ela não aparece por acaso na história de Secada. O cantor trabalhou com Gloria e seu marido, Emilio Estefan, um dos produtores mais requisitados dos artistas latinos, no início da carreira. Leia, a seguir, a entrevista:
VIVA: O público brasileiro acolheu sua música desde os anos 1990. O que torna essa conexão com os fãs no Brasil tão especial e duradoura?
Jon Secada: Minha conexão com meus fãs brasileiros ao longo dos últimos 35 anos é um lindo mistério. Não sei como aconteceu. Simplesmente aconteceu e eu me sinto muito sortudo, muito abençoado. Às vezes, você nunca sabe – especialmente eu sendo um artista internacional – como sua música vai ser recebida no Brasil. Meus fãs ainda amam minha música e eu ainda tenho uma base de fãs muito forte 35 anos depois. É uma bênção de Deus que as coisas tenham acontecido no Brasil da maneira que aconteceram.
Como você e Marina Elali se conheceram e o que na voz dela o encantou?
Fomos apresentados especificamente para trabalharmos juntos. No Brasil, fizemos uma música ("Lost Inside Your Heart") para uma novela e, depois, fizemos um DVD juntos. O que me impressionou na Marina foi a qualidade da sua voz e a sua versatilidade, a sua capacidade de transitar do português para o inglês com perfeição, de interpretar diferentes estilos musicais. Ela estudou música, então tem muita consciência de como mudar o estilo vocal dependendo do que está fazendo, seja cantando em português ou em inglês. E isso é algo que também fiz.
Então, nós dois viemos do mesmo lugar. Nós dois fomos para a faculdade, tivemos um tipo de educação e de experiência que nos permitiram mudar, nos adaptar e fazer coisas diferentes no palco. Trabalhamos muito bem juntos por causa disso.
Como surgiu a ideia de transformar essa amizade no concerto "Canções Eternas"?
Acho que a ideia surgiu da forma como nossos dois shows foram concebidos. Meu show tinha muitas músicas que influenciaram bastante na minha carreira, de diferentes artistas. E o show da Marina também. Conversamos sobre isso e pensamos: "Considerando nossa história, o tempo em que estamos no ramo da música, a minha carreira no Brasil, e o fato de a Marina cantar em inglês, por que não juntarmos algumas dessas músicas românticas e belas que fazem parte da nossa história musical, das nossas influências de outros artistas misturadas com a nossa própria música, e fazermos algo juntos?".
Sucessos como "Just Another Day", "Angel" e "Mental Picture" atravessaram gerações. Qual o segredo para uma música se manter viva e atemporal décadas após seu lançamento?
Isso não depende de mim. Depende do público, dos fãs. Depende das pessoas que ouvem a música. E isso é algo que só Deus e o destino sabem: o que vai acontecer depois que a música é escrita e começa a ser tocada. É uma bênção quando você escreve uma música assim, porque você não sabe, no minuto em que a escreve, se ela vai ser desse jeito. Só o tempo dirá. E acho que o tempo foi que me mostrou o quanto essas músicas significam para as pessoas.
Olhando para as plateias hoje, o que você sente ao ver diferentes gerações cantando suas músicas?
Quando diferentes gerações cantam junto com as minhas músicas, para mim, essa é a maior satisfação. Porque eu escrevi a maioria das músicas que as pessoas conhecem, principalmente os sucessos, e isso significa muito para mim como compositor, até mais do que como artista. E ver, depois de 10, 20, 30 anos, não só os fãs que cresceram com a minha música, mas também novos fãs de uma geração mais jovem curtindo essas músicas é um mérito da composição em si. Me orgulho com o fato de que essa música teve esse poder de permanência.
Emilio e Gloria Estefan foram importantes para a sua carreira. Como é a sua relação com eles hoje em dia?
Sim, Emilio e Gloria foram pessoas muito importantes na minha carreira, especialmente no início. Trabalhamos juntos por muito tempo, quase 20 anos. Por isso que aprendi tanto com os dois: com a Gloria como artista e com o Emilio como empresário musical. Ainda mantemos contato, talvez não tanto quanto antes, mas ainda estamos conectados. Sou muito grato pelos momentos e pelo tempo que passamos juntos – e pelo fato de terem sido tão importantes para que eu tivesse o sucesso que tive.
Serviço
"Canções Eternas" - Jon Secada e Marina Elali
- Rio de Janeiro
- Data: 28 de agosto (sexta-feira)
- Horário: 21h30
- Local: Qualistage
- Endereço: Av. Ayrton Senna, 3.000, Via Parque Shopping, Rio de Janeiro
- Ingressos: a partir de R$ 110
- Vendas: Site da Qualistage; ou na bilheteria da casa (de segunda a sábado, das 11h às 20h; domingo e feriado, das 13h às 20h)
- São Paulo
- Data: 30 de agosto (domingo)
- Horário: 20h
- Local: Espaço Unimed
- Endereço: Rua Tagipuru, 795, Barra Funda, São Paulo
- Ingressos: entre R$ 140 a R$ 520
- Vendas: site da Ticket 360; ou na bilheteria da casa (segunda a sábado, das 10h às 17h - exceto feriados)
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