Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Público reencontra sua adolescência em festival de rock dos anos 1980

Divulgação/C6 no Rock

Dado Villa-Lobos, André Frateschi e Marcelo Bonfá (na bateria) interpretaram as canções do disco "Dois", da Legião Urbana - Divulgação/C6 no Rock
Dado Villa-Lobos, André Frateschi e Marcelo Bonfá (na bateria) interpretaram as canções do disco "Dois", da Legião Urbana
Por Adriana Del Ré

24/08/2026 | 13h33 ● Atualizado | 13h34

São Paulo – O público 50+ e 60+ teve um reencontro marcado com sua adolescência no último final de semana, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A primeira edição do festival C6 no Rock, realizada no sábado (22) e domingo (23), convidou artistas e bandas nacionais que fizeram história nos anos 1980 – como Titãs, Ira!, Plebe Rude, Blitz e Marina Lima – para tocar, ao vivo e na íntegra, seus álbuns clássicos.

A experiência foi catártica para quem estava na plateia, que reuniu 20 mil pessoas em dois dias de evento.

Por mais que esses artistas ainda incluam canções desses repertórios emblemáticos em suas turnês, a vivência de rever ou assistir pela primeira vez a apresentações focadas integralmente nessas obras, executadas com os arranjos originais e a mesma paixão de quatro décadas atrás, definitivamente é outra.

É um resgate com memória auditiva e visual, gosto e até cheiro. Afinal, quem nessa época não corria para ligar o toca-fitas e gravar essas canções que eram campeãs de execução nas rádios? Ou aguardava ansiosamente o LP chegar a uma loja de discos mais próxima de casa? Aliás, boa parte dos discos clássicos revisitados no palco completa 40 anos em 2026. São aqueles fenômenos sazonais da música sem muita explicação, a exemplo do que ocorreu com o rock mundial em 1975.

Os integrantes da Plebe Rude estão no palco se apresentando
A banda Plebe Rude, com Clemente, mostrou a força do punk rock nacional - Divulgação/C6 no Rock

Responsável por abrir a programação do festival, a Plebe Rude mostrou, ao tocar seu disco de estreia “O Concreto Já Rachou” (1986), por que se tornou uma das mais bandas mais importantes da cena punk rock brasileira. Da formação que gravou o disco, permanecem Philippe Seabra (guitarra e voz) e André X (baixo). Ao lado deles, Clemente (dos Inocentes) integra o grupo desde 2004.

Desse repertório, que teve produção de Herbert Vianna, saíram sucessos como "Até Quando Esperar" e "Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)". Herbert também estava na programação de sábado, com Os Paralamas do Sucesso, mas não se juntou à Plebe para uma participação especial. Uma pena.

Diferentes gerações cantaram Rita Lee

Ativando sua persona rocker, Paulo Ricardo se apresentou na sequência, com “Rádio Pirata ao Vivo” (1986), fenômeno de vendas, com mais de 3 milhões de cópias. Desse trabalho, saíram sucessos que seguem em seu repertório, como “Revoluções Por Minuto”, “Alvorada Alvoraz”, “Olhar 43” e “London London” (música de Caetano Veloso que ganhou versão marcante em sua voz).

Sérgio Britto e Tony Bellotto estão no palco
Titãs tocou na íntegra o álbum "Cabeça Dinossauro" - Divulgação/C6 no Rock

Já na estrada comemorando os 40 anos de “Cabeça Dinossauro” (1986), seu terceiro álbum, os Titãs levaram esse show comemorativo para o festival. Únicos membros da formação original, Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto reproduziram as interpretações viscerais de canções como “Polícia” e “Estado Violência”; cantaram “Família”, o “respiro” em meio a um som pesado; e relembraram (e mostraram às novas gerações na plateia) a versão original de “Bichos Escrotos”, que viralizou recentemente na releitura feita por Anitta para o filme “Corrida dos Bichos”.

Com o cair da noite, após um dia de sol forte, Os Paralamas do Sucesso subiram ao palco para tocar o álbum “Selvagem?” (1986). Única da programação a manter a mesma formação desde sua fundação, com Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, a banda fez a alegria da plateia ao resgatar sucessos como "A Novidade", “Alagados” e “Melô do Marinheiro”, além de hits de outras fases – tática que todas as atrações adotaram, já que tinham uma hora de show e um disco inteiro dura menos tempo.

O primeiro dia de festival encerrou-se com um tributo a Rita Lee, criadora de grandes hits nos anos 1980, já na carreira solo ao lado do marido Roberto de Carvalho – que não participou da homenagem. Comandado por seu filho mais velho, o guitarrista Beto Lee, o show “Meu Sonho é Ser Imortal” contou com cantoras de diferentes estilos e gerações, incluindo Baby do Brasil, Sandra Sá, Fernanda Abreu, Miranda Kassin e Marina Sena. O projeto foi uma grata surpresa que merecia ganhar vida própria, para além do festival.

Reencontros históricos

Marina Lima e Liminha se apresentando
Marina Lima convidou Liminha para show que relembrou o disco "Fullgás" - Divulgação/C6 no Rock

A programação BRock continuou no domingo, com a banda Ira! iniciando a maratona do segundo e último dia com a íntegra do disco “Vivendo e Não Aprendendo” (1986), que alcançou sucesso de público e crítica. Com Nasi e Edgard Scandurra da formação original, o show conectou a plateia a esse exemplar histórico do rock paulistano por meio de clássicos como “Envelheço na Cidade” e “Flores em Você”.

Um dos pilares do rock irreverente, a Blitz veio logo depois com "As Aventuras da Blitz" (1982) – disco marcante pela capa colorida e por trazer duas faixas censuradas e riscadas manualmente pela gravadora. 

A banda já teve várias formações, mas Evandro Mesquita permanece como o líder e a alma da trupe desde o início. Fernanda Abreu, que fazia parte da banda na época e contribuiu com os marcantes backing vocals femininos desse disco, se juntou à antiga banda, em um reencontro nostálgico.

Por mais que ainda cante hits desse álbum em seus shows, como "Você Não Soube Me Amar”, Evandro não o tocava na íntegra havia muito tempo. Foi a oportunidade perfeita para o cantor reviver antigas lembranças – com direito a interpretar ao vivo as faixas censuradas "Cruel Cruel Esquizofrenético Blues" e "Ela Quer Morar Comigo na Lua".

A Legião Urbana veio com Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos da formação original e André Frateschi nos vocais, posto que ele assumiu em shows da banda há mais de dez anos. Juntos, eles celebraram o disco “Dois” (1986) e o legado de Renato Russo (1960-1996), com os clássicos “Eduardo e Mônica”, “Daniel na Cova dos Leões” e “Tempo Perdido”, faixas do álbum, além de outros sucessos da banda.

Um fato curioso chamou a atenção durante o show: Frateschi anunciou a presença de outro membro da Legião ali: o filho de Renato, Giuliano Manfredini, sinalizando bandeira branca entre ele e os integrantes remanescentes da banda, Bonfá e Villa-Lobos, que travaram uma longa briga judicial pelo direito do uso da marca Legião Urbana.

Lobão está na bateria

Marina Lima levou ao palco um dos maiores sucessos de sua obra, o álbum “Fullgás” (1984), de onde saíram importantes parcerias dela com o irmão, o poeta Antonio Cicero (1945-2024), como a faixa-título, além de suas famosas versões para “Mesmo que Seja Eu”, de Roberto e Erasmo Carlos, e “Me Chama”, de Lobão. O show, aliás, marcou um encontro histórico da cantora e compositora com seus convidados especiais: Lobão, que assumiu a bateria, seu instrumento de origem, e Liminha, responsável pela icônica linha de baixo de “Fullgás”.

O grand finale ficou por conta de outro belo tributo, "Todo Amor que Houver Nessa Vida", desta vez dedicado a Cazuza, com participação de Leo Jaime, Lobão, Leoni, Frejat, Arnaldo Antunes, entre outros convidados. 

Com curadoria de Monique Gardenberg (criadora do C6 Fest), Hermano Vianna, Marcus Preto e Leonardo Lichote, o C6 no Rock ativou o modo nostalgia no público, que acessou sua mais profunda relação afetiva com cada disco executado ao vivo. Mas provou, ainda, que esses mesmos álbuns continuam a demonstrar relevância e atemporalidade não só para o rock nacional, como também para a história da nossa música. Sonhos não envelhecem – e essa discografia, com certeza, também não.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias