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Dedé Santana e Marcos Frota celebram o reconhecimento do circo como cultura

Divulgação / Dedé Santana

Dedé Santana fez história ao levar o jeito de fazer rir do circo para a tela da TV - Divulgação / Dedé Santana
Dedé Santana fez história ao levar o jeito de fazer rir do circo para a tela da TV
Por Bárbara Ferreira

27/03/2026 | 11h55 ● Atualizado | 12h10

São Paulo - O picadeiro é palco e casa para muitas famílias que rodam o Brasil com o circo, levando para todos os cantos do País risadas, sonhos e espetáculos gigantescos. O Dia Nacional do Circo é comemorado nesta sexta-feira, 27 de março, agora reconhecido como patrimônio cultural.

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Dedé Santana, o eterno Trapalhão, nasceu dentro da barraca do circo e entrou em cena pela primeira vez aos três meses de idade no colo da mãe. Aos sete anos, era palhaço, e fez história levando o jeito de fazer rir do circo para o teatro, rádio e televisão. Sua família é circense e ele garante que seu lugar no mundo sempre foi o picadeiro.

"Eu já nasci no circo e pretendo morrer no circo”, afirma Dedé em entrevista ao VIVA. Aos 89 anos, continua rodando o Brasil com o espetáculo circense "Abracadabra". Quando perguntado por amigos e familiares sobre os motivos de não parar de trabalhar, ele afirma:

Se eu parar, eu fico velho. Isso me faz um bem tão grande, trazer alegria para as pessoas”. 

Neste mês, o Circo de Tradição Familiar foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Com isso, consta oficialmente no Livro de Registro das Formas de Expressão, uma luta liderada pela família circense Zanchettini, do Paraná.

Dedé Santana
Dedé Santana está no espetáculo circense "Abracadabra" - Divulgação / Dedé Santana

O Iphan reconheceu a arte circense como manifestação cultural itinerante, organizada em torno de núcleos familiares e de transmissão oral de saberes, técnicas, modos de fazer e formas de convivência entre gerações.

"É emocionante para mim. Eu pensei que não ia estar vivo para ver isso acontecer. Eu acho que o circo merece. [...] É uma alegria muito grande para mim, vocês não imaginam, eu saber que hoje o circo está encaixado na cultura do Brasil”, diz Dedé.

Marcos Frota e o presidente do Iphan, Leandro Grass, durante a Cerimônia de Registro do Circo como Patrimônio Cultural do Brasil
Marcos Frota e o presidente do Iphan, Leandro Grass, durante a Cerimônia de Registro do Circo como Patrimônio Cultural do Brasil - Acervo pessoal / Marcos Frota

Dedé considera que as famílias circenses foram as grandes responsáveis por compartilhar cultura e torná-la acessível no interior do País.

Segundo ele, em um momento da história em que era mais difícil e caro acessar teatros e cinema, “o circo estava lá com a sua ‘loninha’ levando peças e dramas de autores famosos”. Ainda hoje,  a maior dificuldade do circo é se instalar nas cidades, por questões econômicas.

Marcos Frota, proprietário e embaixador do Mirage Circus, conhecido como "O Gigante Brasileiro", acredita que, com o reconhecimento, os circos pelo Brasil terão mais força junto às prefeituras e governos, e mais possibilidade de apoio.

“O circo chega agora em qualquer cidade do Brasil reconhecido como cultura. Isso dá muita autoridade para o artista e para o empresário circense”, afirma.

Uma conquista de muitas gerações e que reconhece o circo muito além do entretenimento, reconhece o circo como saber”, destaca Marcos Frota. 

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Nova geração de artistas circenses

Quando a novela acabou, começou a se apresentar em circos pelo Brasil, até criar o Marcos Frota Circo Show, em 1995. No mesmo ano, o ator com uma carreira de 40 anos na televisão, decidiu criar também a Universidade Livre do Circo (Unicirco), um projeto que oferece oficinas de artes gratuitas para crianças e jovens da comunidade, no Rio de Janeiro.

Segundo ele, a Universidade foi criada para garantir a persistência do circo e formar uma nova geração de profissionais que atuem dentro e fora do picadeiro: artistas, técnicos, professores, coreógrafos, luz, som, efeitos especiais, quem monta e desmonta o circo.

“Um novo circo se aproxima através de uma nova geração de artistas, técnicos, professores e também de público, uma nova plateia”, disse.

Universidade Livre do Circo (Unicirco) oferece oficinas de artes gratuitas para jovens no Rio de Janeiro.
Universidade Livre do Circo (Unicirco) oferece oficinas de artes gratuitas para jovens no Rio de Janeiro. - Reprodução Unicirco

“O circo entra como um exercício da minha cidadania, é a maneira que eu encontrei de retribuir tudo que eu recebi e a maneira de me posicionar e estar presente na vida social, política e artística do nosso País”, afirma Frota.

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Aos 70 anos de idade, 50 de carreira artística e 40 no circo, diz estar em estado de prontidão para que essa formação aconteça da melhor forma possível.

As crianças que se apaixonam pelo circo, daqui a pouco são jovens, daqui a pouco são adultos e que vão convidar outras crianças e outros jovens e outros adultos para se encantar com essa beleza que é a arte circense”.

A magia do circo

Marcos Frota no trapézio em 1991
Marcos Frota no trapézio em 1991 - Reprodução Instagam Marcos Frota

Marcos Frota e Dedé Santana já receberam ambos o título de Embaixador do Circo Brasileiro. Ao serem perguntados sobre o número favorito do circo, enquanto espectadores, foram unânimes: o trapézio.

Frota interpretou um trapezista na novela Cambalacho (1986), na Rede Globo.

O ator precisou praticar a arte circense, que nunca mais largou. “Era paixão. Aí virou amor, e o amor é para sempre”.

E completa: “acho lindo aquele balé aéreo que mistura a força com a elegância”. 

O ator diz ver encanto e emoção no circo como um todo e se lembra de, quando jovem, não tinha dinheiro para entrar no circo e acompanhava a apresentação pela música do lado de fora.

“O trapézio, o palhaço, as acrobacias, o equilíbrio, o mágico. Eu sabia identificar apenas pelas músicas”.

Já Dedé se lembra de um tempo em que os artistas, depois da apresentação circense, interpretavam peças famosas. Ele corria para a plateia para ver os pais fazendo dramas e comédias.

Desde a infância até hoje, Dedé gosta de observar as reações da plateia ao espetáculo: 

O que me faz rir, o que me deixa alegre, parece chavão, mas é verdade, é ver o sorriso de uma criança”, diz Dedé. 

Frota destaca que o trabalho de produção cria a atmosfera do espetáculo, com as luzes e os efeitos especiais. “Meu momento preferido são os aplausos. Quando o público inteiro, em pé, aplaude a performance de uma companhia de circo. Esse é o momento que eu fecho o olho e falo: tudo valeu a pena”. 

Ele cita Fernando Pessoa, o verso que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena", e conclui: "A alma do circo realmente não é pequena. Tudo no circo é grandioso. É espetacular. Por isso que o circo vai rompendo a barreira do tempo e permanecendo na memória, no olhar, na sensibilidade desse público que atravessa as gerações".

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