Dedé Santana e Marcos Frota celebram o reconhecimento do circo como cultura
Divulgação / Dedé Santana
São Paulo - O picadeiro é palco e casa para muitas famílias que rodam o Brasil com o circo, levando para todos os cantos do País risadas, sonhos e espetáculos gigantescos. O Dia Nacional do Circo é comemorado nesta sexta-feira, 27 de março, agora reconhecido como patrimônio cultural.
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Dedé Santana, o eterno Trapalhão, nasceu dentro da barraca do circo e entrou em cena pela primeira vez aos três meses de idade no colo da mãe. Aos sete anos, era palhaço, e fez história levando o jeito de fazer rir do circo para o teatro, rádio e televisão. Sua família é circense e ele garante que seu lugar no mundo sempre foi o picadeiro.
"Eu já nasci no circo e pretendo morrer no circo”, afirma Dedé em entrevista ao VIVA. Aos 89 anos, continua rodando o Brasil com o espetáculo circense "Abracadabra". Quando perguntado por amigos e familiares sobre os motivos de não parar de trabalhar, ele afirma:
Se eu parar, eu fico velho. Isso me faz um bem tão grande, trazer alegria para as pessoas”.
Neste mês, o Circo de Tradição Familiar foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Com isso, consta oficialmente no Livro de Registro das Formas de Expressão, uma luta liderada pela família circense Zanchettini, do Paraná.
O Iphan reconheceu a arte circense como manifestação cultural itinerante, organizada em torno de núcleos familiares e de transmissão oral de saberes, técnicas, modos de fazer e formas de convivência entre gerações.
"É emocionante para mim. Eu pensei que não ia estar vivo para ver isso acontecer. Eu acho que o circo merece. [...] É uma alegria muito grande para mim, vocês não imaginam, eu saber que hoje o circo está encaixado na cultura do Brasil”, diz Dedé.
Dedé considera que as famílias circenses foram as grandes responsáveis por compartilhar cultura e torná-la acessível no interior do País.
Segundo ele, em um momento da história em que era mais difícil e caro acessar teatros e cinema, “o circo estava lá com a sua ‘loninha’ levando peças e dramas de autores famosos”. Ainda hoje, a maior dificuldade do circo é se instalar nas cidades, por questões econômicas.
Marcos Frota, proprietário e embaixador do Mirage Circus, conhecido como "O Gigante Brasileiro", acredita que, com o reconhecimento, os circos pelo Brasil terão mais força junto às prefeituras e governos, e mais possibilidade de apoio.
“O circo chega agora em qualquer cidade do Brasil reconhecido como cultura. Isso dá muita autoridade para o artista e para o empresário circense”, afirma.
Uma conquista de muitas gerações e que reconhece o circo muito além do entretenimento, reconhece o circo como saber”, destaca Marcos Frota.
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Nova geração de artistas circenses
Quando a novela acabou, começou a se apresentar em circos pelo Brasil, até criar o Marcos Frota Circo Show, em 1995. No mesmo ano, o ator com uma carreira de 40 anos na televisão, decidiu criar também a Universidade Livre do Circo (Unicirco), um projeto que oferece oficinas de artes gratuitas para crianças e jovens da comunidade, no Rio de Janeiro.
Segundo ele, a Universidade foi criada para garantir a persistência do circo e formar uma nova geração de profissionais que atuem dentro e fora do picadeiro: artistas, técnicos, professores, coreógrafos, luz, som, efeitos especiais, quem monta e desmonta o circo.
“Um novo circo se aproxima através de uma nova geração de artistas, técnicos, professores e também de público, uma nova plateia”, disse.
“O circo entra como um exercício da minha cidadania, é a maneira que eu encontrei de retribuir tudo que eu recebi e a maneira de me posicionar e estar presente na vida social, política e artística do nosso País”, afirma Frota.
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Aos 70 anos de idade, 50 de carreira artística e 40 no circo, diz estar em estado de prontidão para que essa formação aconteça da melhor forma possível.
As crianças que se apaixonam pelo circo, daqui a pouco são jovens, daqui a pouco são adultos e que vão convidar outras crianças e outros jovens e outros adultos para se encantar com essa beleza que é a arte circense”.
A magia do circo
Marcos Frota e Dedé Santana já receberam ambos o título de Embaixador do Circo Brasileiro. Ao serem perguntados sobre o número favorito do circo, enquanto espectadores, foram unânimes: o trapézio.
Frota interpretou um trapezista na novela Cambalacho (1986), na Rede Globo.
O ator precisou praticar a arte circense, que nunca mais largou. “Era paixão. Aí virou amor, e o amor é para sempre”.
E completa: “acho lindo aquele balé aéreo que mistura a força com a elegância”.
O ator diz ver encanto e emoção no circo como um todo e se lembra de, quando jovem, não tinha dinheiro para entrar no circo e acompanhava a apresentação pela música do lado de fora.
“O trapézio, o palhaço, as acrobacias, o equilíbrio, o mágico. Eu sabia identificar apenas pelas músicas”.
Já Dedé se lembra de um tempo em que os artistas, depois da apresentação circense, interpretavam peças famosas. Ele corria para a plateia para ver os pais fazendo dramas e comédias.
Desde a infância até hoje, Dedé gosta de observar as reações da plateia ao espetáculo:
O que me faz rir, o que me deixa alegre, parece chavão, mas é verdade, é ver o sorriso de uma criança”, diz Dedé.
Frota destaca que o trabalho de produção cria a atmosfera do espetáculo, com as luzes e os efeitos especiais. “Meu momento preferido são os aplausos. Quando o público inteiro, em pé, aplaude a performance de uma companhia de circo. Esse é o momento que eu fecho o olho e falo: tudo valeu a pena”.
Ele cita Fernando Pessoa, o verso que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena", e conclui: "A alma do circo realmente não é pequena. Tudo no circo é grandioso. É espetacular. Por isso que o circo vai rompendo a barreira do tempo e permanecendo na memória, no olhar, na sensibilidade desse público que atravessa as gerações".
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