Maria Bethânia faz 80 anos; conheça a história da grande cantora da MPB
Divulgação/Jorge Bispo
São Paulo - Uma das maiores cantoras da história da MPB, Maria Bethânia entra para o Clube dos 80 anos nesta quinta-feira, 18, do qual já fazem parte outros nomes emblemáticos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Zé, Francis Hime e Ivan Lins. Uma geração que, com exceção de Milton, segue em plena atividade musical.
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Filha caçula de oito filhos (seis biológicos e dois de criação) de Dona Canô e irmã de Caetano, Bethânia nasceu em Santo Amaro, na Bahia. Mas, por pouco, ela não se chamou Mary Gislene, após uma votação ser feita em família e a sugestão de seu irmão Rodrigo ser sorteada — inspirada no nome de uma rumbeira de circo por quem ele havia se apaixonado.
Mas o pequeno Caetano, com apenas 3 anos de idade, insistiu pelo nome Bethânia, em homenagem a uma canção que ele adorava, chamada “Maria Bethânia”, uma linda valsa de autoria de Capiba, que fez grande sucesso na voz de Nelson Gonçalves. "Para dengar Caetano, meu pai aceitou", lembrou, certa vez, Bethânia.
Pelos fãs, a cantora foi batizada de "Abelha Rainha", por causa do sucesso da música "Mel", de Waly Salomão e Caetano, lançada em 1979.
Carreira independente e Doces Bárbaros
A carreira de Maria Bethânia teve como marco inicial o espetáculo "Opinião", no Rio de Janeiro, em 13 de fevereiro de 1965, quando substituiu Nara Leão, por indicação da própria cantora e violonista, que precisou se afastar por problemas de saúde. A jovem cantora, então com 18 anos, só foi liberada pelos pais para viajar para o Rio se fosse acompanhada pelo irmão mais velho Caetano.
"Opinião" a projetou nacionalmente, sobretudo por sua interpretação visceral de "Carcará". Nesse mesmo ano, Bethânia lançou seu álbum de estreia, "Maria Bethânia", que trazia a gravação de "Carcará".
Em mais de 60 anos de carreira, a cantora lançou mais de 70 discos, incluindo trabalhos de estúdio, ao vivo, coletâneas, trilhas sonoras e projetos especiais. Ela se consolidou como a intérprete que, graças à sua voz, praticamente se apropria das composições dos autores que escolhe cantar, tornando-se uma espécie de coautora dessas músicas.
Assim é "Olhos nos Olhos", de Chico Buarque, "Fera Ferida" (Roberto e Erasmo Carlos), "Brincar de Viver" (Guilherme Arantes e Lucien Harrigan), "Negue" (Adelino Moreira e Evaldo Gouveia), "Onde Estará o Meu Amor" (Chico César), "Reconvexo" (Caetano Veloso), entre tantos outros sucessos.
Por escolha própria, Bethânia nunca fez parte diretamente de um movimento musical, nem da Tropicália, que teve Caetano como um de seus fundadores. Nunca quis participar de nada que a prendesse. Apesar disso, a cantora se juntou ao irmão, a Gilberto Gil e a Gal Costa para comemorar os dez anos de carreira individual do quarteto na turnê "Doces Bárbaros", em 1976.
Muito ligada também à poesia e às artes cênicas, Bethânia se orgulha em dizer que é discípula do autor e diretor de teatro Fauzi Arap, que dirigiu espetáculos icônicos da cantora, como Rosa dos Ventos (1971).
Mais recentemente, ela fez uma turnê de sucesso ao lado de Caetano, que percorreu os estádios do Brasil entre 2024 e 2025. Atualmente, segue com agenda repleta de shows, que incluem festivais como Doce Maravilha, no Rio de Janeiro, Festival de Inverno da Bahia, em Vitória da Conquista, e Coala Festival, em São Paulo, todos a serem realizados ainda este ano.
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