CONFIRA

Morre aos 60 anos Netinho, um dos grandes nomes da axé music nos anos 1990

O cantor baiano morreu nesta terça-feira, 13, em Salvador, após complicações de saúde relacionadas ao câncer linfático, diagnosticado no ano passado

Adriana Del Ré Estadão Conteúdo

Por Adriana Del Ré e Estadão Conteúdo

13/10/2026 | 12h06 ● Atualizado | 12h40

Reprodução/Spotify

O cantor Netinho fez carreira de sucesso colecionando hits "Menina Linda" e "Milla" - Reprodução/Spotify
O cantor Netinho fez carreira de sucesso colecionando hits "Menina Linda" e "Milla"
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O cantor Netinho, um dos ícones da axé music, faleceu aos 60 anos após complicações de um linfoma não-Hodgkin, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. Sua morte representa uma grande perda para a música brasileira, especialmente para o gênero que ele ajudou a popularizar.

Diagnosticado em 2025, Netinho enfrentou uma batalha difícil contra o câncer, que frequentemente apresenta sintomas confundidos com infecções comuns, como fadiga e aumento dos gânglios linfáticos. Sua trajetória musical começou na adolescência e se consolidou nos anos 90, quando se tornou um dos principais nomes do axé.

Durante seus últimos meses, Netinho estava internado em Salvador e expressou gratidão pela vida e pela carreira, afirmando que partiria realizado. A comunidade musical e seus fãs lamentam sua partida, lembrando de seu legado e das canções que marcaram gerações.

Resumo gerado por IA

São Paulo – Um dos principais nomes da axé music, o cantor Netinho morreu aos 60 anos, na manhã desta terça-feira (13). Segundo postagem em seu perfil oficial nas redes, nos últimos meses, o artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que foi diagnosticado em 2025 e evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Netinho estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, na Bahia. Ainda de acordo com a nota, o artista partiu tranquilo. Durante os últimos meses de tratamento, ele dizia que partiria feliz, realizado.

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A vida me deu muito mais do que sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.
Netinho

Segundo a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), o câncer linfático, que engloba linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin, pode apresentar sintomas como aumento dos gânglios linfáticos (ínguas), fadiga persistente, suor noturno e perda de peso inexplicável. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com infecções comuns.

A ascensão na axé music

Netinho está com microfone e boné
Capa do disco "Netinho ao Vivo", de onde saíram grandes sucessos como "Milla" - Reprodução

Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, Netinho ganhou o primeiro violão aos 14 aos, presente de sua mãe, e aprendeu a tocar o instrumento por conta própria.

Ainda na faculdade de Engenharia Civil, começou a tocar profissionalmente em barzinhos em Salvador, investindo em um repertório que mesclava MPB e bossa nova. Em 1987, passou em um teste para se tornar vocalista da Banda Beijo e, no ano seguinte, estreou no posto no circuito oficial do Carnaval de Salvador.

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Naquele mesmo ano, gravou seu primeiro álbum com a Banda Beijo e a canção “Beijo na Boca” estourou nas rádios. Mas a consolidação como líder da banda veio com o segundo trabalho, “Sem Repressão”, de 1989, em que enfileirou outros sucessos, como "Vem Me Dar um Beijo" e "Gosto de Mar".

Em 1993, com o axé dominando as vendas de discos e paradas de rádios, ao lado do sertanejo, o cantor gravou seu primeiro disco solo, "Um Beijo Pra Você", de onde saíram mais três grandes hits de sua carreira: "Menina", "Total" e "Capricho dos Deuses". 

Netinho continuou trilhando o caminho do sucesso, que encontrou outro ápice, com o disco "Netinho ao Vivo", de 1996, gravado em Aracaju, Sergipe. Com esse quarto trabalho da carreira solo, emplacou logo de cara "Menina Linda" e "Milla", músicas que marcaram sua carreira pelas décadas seguintes.

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Segundo o próprio arquivo biográfico do artista, o álbum recebeu certificação de Disco de Diamante e ultrapassou a marca de 3 milhões de cópias vendidas.

Pausa na carreira 

Netinho passou a fazer uma agenda intensa de shows e se tornou um dos rostos mais conhecidos da música brasileira naquele momento. "Milla" foi regravada em diferentes países e idiomas, enquanto o cantor lançava trabalhos e ampliava sua presença fora da Bahia.

A fase de enorme exposição, porém, não duraria muito. Depois de uma sequência de discos e apresentações, Netinho decidiu reduzir o ritmo. Em 2003, interrompeu a carreira por um período para dedicar mais tempo à sua única filha, Bruna.

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O cantor retornou posteriormente aos palcos e continuou lançando trabalhos, entre eles "Minha Praia", de 2008, "Uma Noite no Forró Elétrico", de 2012, e projetos posteriores que mantiveram sua produção musical.

Em 2008, em entrevista à revista Quem, ele declarou ser bissexual e contou ter vivido uma relação de três anos com um homem. A declaração provocou repercussão nacional.

Problemas de saúde

Em 2013, a vida de Netinho mudou de maneira abrupta. O cantor foi internado em Salvador depois de apresentar problemas vasculares no abdômen e posteriormente transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Durante a internação, passou por cirurgias e enfrentou complicações neurológicas.

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Em maio daquele ano, teve um hematoma cerebral e precisou ser submetido a uma cirurgia para retirada de um coágulo. Ao longo dos meses seguintes, enfrentou outros episódios neurológicos e permaneceu internado por cerca de três meses em São Paulo. Recebeu alta em agosto, com indicação de acompanhamento médico e reabilitação motora.

Anos depois, o próprio Netinho relatou que havia sofrido três AVCs durante aquele período e passado por três cirurgias no cérebro. Também contou que perdeu a voz e precisou reaprender movimentos básicos, como andar.

Mais de uma década depois do episódio neurológico, em março de 2025, aos 58 anos, Netinho foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin, um câncer que se origina no sistema linfático.

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Depois de concluir aquela etapa, o cantor anunciou que a doença havia entrado em remissão. A doença voltou a ocupar o centro de sua rotina no segundo semestre de 2026. 

Em 30 de setembro de 2026, sua equipe informou que o cantor estava novamente internado no Hospital Aliança Star, em Salvador após a recidiva do linfoma não Hodgkin. A assessoria comunicou que ele havia decidido se afastar temporariamente das redes sociais para concentrar suas energias na recuperação.

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